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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sobre (rein)ventar-se

Ouvi dizer que nenhum vento sopra a favor de quem não sabe aonde ir. Faz sentido. "So don't complicate it by hesitating" diz a música, como que dando um basta em toda essa cadeia de pensamentos e ansiedades que rodeiam o desconhecido. Como se fosse simples. Mas às vezes é. Esse não é mais um discurso sobre espontaneidade... se parece mais com um estímulo à ousadia, ao novo. Tenho recordado várias frases de efeito que se popularizaram e foram reescritas, moldando-se a novos contextos. Nunca fez tanto sentido pensar em "seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo". A gente precisa se reinventar. O vento vai, o vento volta... traz um pedaço de alguém, nos aproxima, nos afasta, nos esquece, nos esfarela... Mas o vento não tem intenção, não tem desejo, não tem nada além de força e delicadeza. Vento é só tato, é só sensação. Não é ele que de fato determina aonde vamos. "I do believe if you don't like things you live for some place you've never gone before"... Acho que ultimamente tenho optado por escolhas menos óbvias e mais incertas, talvez até numa tentativa desesperada de não precisar lidar com tudo, com todo o fardo da razão. Talvez pareça inteligente admitir que não se tem controle sobre as circunstâncias. "Fuck this shit". Quem só olha pra trás, não vai pra frente. E o futuro é feito mais de imaginação do que de qualquer outra coisa. Eu não sou o tipo de pessoa supercentrada em viver o presente, que pouco se preocupa com o que virá, o que será, o que eu serei. Não sou um bom exemplo. Mas me parece razoável fazer o que é necessário e o que é prazeroso no momento, mesmo que mude, que o efeito seja passageiro. Mesmo que seja confuso. Sinto que eu sempre evitei a confusão, como se não houvesse beleza no caos e na bagunça. As pessoas são bagunçadas. Eu sou bagunçada. "Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria". Hoje acordei musical. E música nada mais é do que emoções ventilando, seja harmoniosamente ou de forma violenta.






"Eu sei, é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria, o que eu fazia, o que mais?
Que alguma coisa a gente tem que amar, mas o quê?
Não sei mais"

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mesmo que mude

"Ele vai mudar,
Escolher um jeito novo de dizer 'alô'
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone
Para conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou"


Eu achei que já tivesse escutado demais essa música para gostar de ouvir de novo, mas hoje fez um certo sentido. Sei lá, essa semana foi estranha. Odeio quando coisas que pra mim são invernais ocorrem no verão. E vice-versa. E acho que nunca vou me acostumar a ignorar determinadas notícias e tocar a vida como se nada tivesse acontecido. Nas últimas semanas elas têm chegado aos montes. Mas tudo bem.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Welcome home

Sleep don't visit, so I choke on sun
And the days blur into one

And the backs of my eyes hum with things I've never done



Sheets are swaying from an old clothesline

Like a row of captured ghosts over old dead grass

Was never much but we made the most

Welcome home



Ships are launching from my chest

Some have names but most do not

If you find one, please let me know what piece I've lost



Heal the scars from off my back

I don't need them anymore

You can throw them out or keep them in your mason jars

I've come home



All my nightmares escaped my head

Bar the door, please don't let them in

You were never supposed to leave

Now my head's splitting at the seams

And I don't know if I can



Here, beneath my lungs, I feel your thumbs press into my skin again


.Radical Face.


 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

It's nothing but time and a face that you lose


When there is nothing left to burn,
You have to set yourself on fire


God, that was strange to see you again,
Introduced by a friend of a friend,
Smiled and said 'yes I think we've met before'
In that instant it started to pour,
Captured a taxi despite all the rain,
We drove in silence across Pont Champlain
And all of the time you thought I was sad
I was trying to remember your name...

This scar is a fleck on my porcelain skin,
Tried to reach deep but you couldn't get in.
Now you're outside me,
You see all the beauty
Repent all your sin...

It's nothing but time and a face that you lose,
I chose to feel it and you couldn't chose.
I'll write you a postcard,
I'll send you the news
From a house down the road from real love...

Live through this, and you won't look back...
Live through this, and you won't look back...
Live through this, and you won't look back...

There's one thing I want to say, so I'll be brave...
You were what I wanted,
I gave what I gave.
I'm not sorry I met you.
I'm not sorry it's over.
I'm not sorry there's nothing to say.
I'm not sorry there's nothing to save!

______________________________________________

[ Your ex-lover is dead - Stars ]

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

One more night

so good when it ends, they'll never be friends
one more night, that's all they can spend

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fairy Tale

Little lady, your tale has an end
For your love to the skies was sent
He's turned into sparks
That shine with the stars...

...And, by night, he will always be there

For his lady to stare
And thus he's never died.


.
Essa música é uma das minhas favoritas no mundo.
Quis escrever mais, mas hoje é um daqueles dias em que nenhuma palavra traduz o que se passa internamente.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sobre certas músicas e seus ouvintes.

Eu fico meio angustiada quando vejo alguém curtindo muito uma música porque a considera romântica, sendo que a letra não faz sentido nenhum e/ou é total não-romântica. Tinha um amigo que implorava para que ninguém contasse a história de alguma música ou traduzisse alguma coisa da letra (é, ele realmente não era bom em inglês). Eu entendo ele, porque eu mesma me deprimo quando não gosto da letra ou percebo que, aos meus ouvidos, a mensagem destoa da melodia. E isso se torna bem comum à medida que novelinhas tipo Malhação ganham trilha sonora de Silverchair. Enfim. Isso não era para ser um texto nem algo muito emocionante, só um desabafo. Eu cheguei em casa e estava tocando "Last Kiss" (Pearl Jam) e isso me deixou um tanto deprimida. Sei lá, em férias invernais, um pouco de depressão cai bem. Mesmo que dessa vez não tenha sido nada muito espontâneo ou passageiro. Por sinal, hoje foi um dia de calor. Nada típico. E não é que eu pense que as músicas devam ser todas iguais e previsíveis e que todos os sentimentos devam ser demonstrados da mesma maneira, mas é que realmente me angustia como em um mesmo lugar as pessoas podem alcançar extremos de felicidade, dor e todas as coisas humanas.

PS: acho que é hora de reler de novo (de novo, de novo, de novo) o Apanhador.


(Merlin e Vivian)
(?)

sábado, 2 de julho de 2011

Oh, take me back to the start...



Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are

I had to find you

Tell you I need you
Tell you I've set you apart

Tell me your secrets

And ask me your questions
Oh, let's go back to the start

Running in circles

Coming up tails
Heads on the science apart

Nobody said it was easy

It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard

Oh take me back to the start


I was just guessing

At numbers and figures
Pulling the puzzles apart

Questions of science

Science and progress
Do not speak as loud as my heart

Oh tell me you love me

Come back and haunt me
Oh and I rush to the start

Running in circles

Chasing our tails
Coming back as we are

Nobody said it was easy

Oh, it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard

I’m going back to the start


{The Scientist - Coldplay}

terça-feira, 31 de maio de 2011

João e Maria



Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês

Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país

Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?



 
Não sou fã do Chico, mas acho essa música fascinante. E, de certa forma, combina com os últimos tempos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Can't believe how strange it is to be anything at all...

Voltarei a escrever em breve. Tô numa fase mais reticente e menos verbal. Faz tempo. As coisas vão bem. Acho que é o que importa.
Vontade de mudar tudo isso aqui e deixar só os posts que se parecem comigo hoje, mas isso não faria sentido nenhum agora. É importante sair de si para se encontrar, ah sim.

Aí vai uma música maravilhosa, nem sei se já postei. :)



In the Aeroplane Over the Sea
Neutral Milk Hotel

What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round the sun
What a beautiful dream
That could flash on the screen
In a blink of an eye and be gone from me
Soft and sweet
Let me hold it close and keep it here with me, me

And one day we will die
And our ashes will fly from the aeroplane over the sea
But for now we are young
Let us lay in the sun
And count every beautiful thing we can see
Love to be
In the arms of all I'm keeping here with me, me

What a curious life we have found here tonight
There is music that sounds from the street
There are lights in the clouds
Anna's ghost all around
Hear her voice as it's rolling and ringing through me
Soft and sweet
How the notes all bend and reach above the trees, trees

Now how I remember you
How I would push my fingers through
Your mouth to make those muscles move
That made your voice so smooth and sweet
Now we keep where we don't know
All secrets sleep in winter clothes
With one you loved so long ago
Now he don't even know his name

What a beautiful face
I have found in this place
That is circling all round' the sun
And when we meet on a cloud
I'll be laughing out loud
I'll be laughing with everyone I see
Can't believe how strange it is to be anything at all



segunda-feira, 21 de junho de 2010

Disarm



Eu falo muita abobrinha e me arrependo depois. Tá, não me arrependo porque faz parte do meu código de conduta não me arrepender... (eu penso que, uma vez que eu tento agir do melhor modo de acordo com o que a situação me oferece, é bobagem me arrepender de alguma escolha: a visão depois de ver as conseqüências pode ser diferente, mas isso não significa que eu não tenha feito o melhor que poderia) mas, enfim, a gente repensa e se acha um merda por dois minutos. E daí começa a ver que amadurecemos e que isso é bom e por aí vai. Por outro lado, às vezes me faz bem ver que eu não mudei tanto assim, que consigo encontrar um chão em mim mesma. Tava relendo umas coisas aqui e, sei lá, gostei disso e de umas outras coisas. Fiquei lendo por cima uns contos do Salinger que eu nunca li - pra dizer a verdade - e me senti meio que em uma música dos Smashing Pumpkins. Eu estou com aquele medo que me impede de querer pensar nas coisas. Eu não acho que, hoje, daria certo com alguém que não soubesse me entender musicalmente. Já levei isso menos a sério, mas - com o passar dos anos - percebi que a única coisa que se fortaleceu mesmo, sem descer um pouquinho que fosse no gráfico-das-coisas, foi a necessidade de ter sempre presente alguma melodia. O bom das músicas instrumentais é que elas te deixam absolutamente livre para sentir o que quiser - acompanham a dor mais aguda e a alegria mais infantil. Em tempos de extrema movimentação, de mudanças estranhas, eu tendo a ficar mais afastada das pessoas. Mas é aquilo: estou fora de casa, mas usando os malditos fones de ouvido. E sou receptiva às músicas alheias. Cada música tem sua história, tem seu sentimento. Acho importante ouvir os outros e entendê-los a partir do que eles escutam. Fiquei viajando com aquela cena de "Ensaio sobre a cegueira" em que os cegos sentam em volta de um radinho e ficam em silêncio ouvindo a música. Às vezes, espero o dia todo pelo momento de voltar pra casa e escutar aquele som tão necessário. Talvez essa seja uma das poucas coisas das quais eu realmente gosto mas que não faço questão de "entender". Ah, não se trata de negar conhecimento, mas gosto daquela cena clássica de deitar na cama e esquecer do mundo. Não me vejo compondo alguma coisa. O que eu faço é mecânico. Eu crio mundos para fugir para outros lugares quando acho necessário, mas sei que a minha escrita não passa de ficção. Música não, música existe. Ok, não quero tornar meu monólogo repetitivo. O fato é que, "velha" como estou hoje, acho que não toleraria uma aproximação maior com alguém que desconhecesse Holden Caulfield ou que ficasse indiferente ao ouvir "1979". A gente cresce e vai ficando cheio de manias. Acho que tenho direito em fazer minhas exigências silenciosas. E tenho refletido sobre antigos traumas e coisas assim. Acho que imortalizar conhecidos em histórias é uma das coisas mais cruéis de se fazer. Não gostaria de abrir um livro e me ver ali estampada com uma visão unilateral e um tanto romantizada de mim para a ficção. E ler sobre meus defeitos, então? Por outro lado, acho que isso é válido no mundo da música. Sou daquelas que acham que uma música não tem dono. Enquanto os livros ditam o que será, as músicas sugerem. Mais uma vez eu não sei porque estou falando disso. O fato é que estou confusa com antigas agressões passivas e com a metamorfose pela qual estou passando.



quarta-feira, 28 de abril de 2010

The Magnetic Fields.

Eu meio que me apaixonei por Magnetic Fields. Recomendo muito! E também recomendo "Doze homens e uma sentença" (o original) para os que ainda não viram. Usei esse ar de autoridade, mas eu vi há umas duas semanas na aula. Ok, sem fraudes. Algumas pessoas deixaram comentários aqui ou me procuraram aleatoriamente, estou devendo respostas (como sempre). Mas gostei bastante disso e tal. Eu vi uma edição de "Nine Stories" do Salinger que saiu com o nome de uma das nine stories, não com o título original. Eu fico meio irritada com essa mania de pegar uma obra de um artista e escolher o que é, de fato, importante. Eu tendo a gostar mais das coisas menos famosinhas. Talvez por eu ser meio implicante... mas eu vejo uma lógica nessa teimosia. E essa mania me faz pensar numa cena do início de "Sociedade dos Poetas Mortos", em que o professor novo mostra o quão ridículo pode ser tentar classificar um poema e compará-lo com outros a partir de um gráfico besta. Eu acho que me choco, às vezes, com o "excesso de racionalização" das coisas. E considero meio ofensivo esse vício por estereotipar tudo. E também acho desnecessário transformar tudo que é livro em filme. Mas aí eu reconheço que é exagero mesmo. Enfim, não pretendo mais falar nisso. Todas as referências que usei sobre esse assunto devem ter sido sobre tentar reproduzir "O Apanhador no Campo de Centeio" (ou trechos dele). Ou Harry Potter. Mas Harry eu até entendo. O que me irrita na saga Crepúsculo (ok, não sei se o nome da "saga" seria bem esse), entre outras coisas, é a pretensão de romantizar tudo. Eu falei romantizar no sentido de usar eufemismos e querer colocar casais apaixonados em todos os contextos. Eu sei que o amor não sai de moda e essa coisa toda, mas sei lá. Eu prefiro coisas mais unissex... Prefiro livros que pareçam agradar mais garotos e garotas, simultaneamente. Não quero julgar o jeito que os livros foram escritos, mas sei lá... Esses livros "para garotas" tendem a ser ótimos de ler, mas são tão vazios. Não creio que eu viva minha vida em função de roupas e "meninos". Eu sei que é isso que alimenta a vontade de ver o final previsível dessas histórias, mas eu não suporto esse clima comum de amor platônico ou impossível. Ok, empecilhos... Dificuldades são necessárias. São bem-vindas e talvez realmente tenham grande importância no conjunto da conquista ("conjunto da conquista", Ivy?), mas eu sou mais a favor de dilemas mais instrospectivos, de problemas mais subjetivos e menos generalizáveis. As relações humanas são tão ricas, não entendo como as barreiras físicas sempre (sempre!) servem de exemplo para as histórias. Gosto de tentar entender o sentimento de "incapacidade" (no sentido de "impotência" mesmo, daí sim algo geral e não tão pessoal), só me incomodo com a freqüência com que isso é exposto como conseqüência de eventos externos ao indivíduo. Isso me lembrou de um texto que eu achei num marcador de páginas, há mil anos atrás, na praia. Eu gosto de como ele me faz pensar o quanto uma pessoa é diferente das demais a partir de suas motivações, suas fraquezas e enfim. E o quanto estamos sujeitos a coisas que parecem contradições, mas que não necessariamente são - depende da visão de cada um sobre o assunto. Quanto a isso, falo especificamente do trecho "não me interessa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua propria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.". Vendo esse texto, vejo que se passaram muitos anos e a minha admiração por essas palavras persistiu. Espero não ser nem parecer ser um poço de oposições. E paradoxos também não ajudam muito. Em todo o caso, música boa é sempre uma grande companhia. Escutem as 69 love songs de Magnetic Fields, vale muito a pena. É um som empoeirado e calmo e relativamente bonito e sonolento. Nebuloso. Acho ótimo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

clap our hands and stomp our feet or something

 
So let's make a list of who we need and it's not much if anything
Let's make a list of who we need and we'll throw it away
'Cause we don't need anyone, no we don't need anyone


(The Format)


domingo, 21 de fevereiro de 2010

O mundo anda tão complicado



Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor

Acho essa música do Renato uma das mais bonitas ever.


domingo, 17 de janeiro de 2010

SL (parte 3)

Cabelos castanhos despenteados, presos com uma fita de cetim verde. Chiclete sabor tutti-frutti. Fones de ouvido. Olhos grandes e expressivos. Do tipo que atravessa a rua sem olhar para os lados, se baseando apenas nas "vibrações do chão". Camiseta cinza com estampa do Mickey. Saia rodada e joelhos machucados.


Gritei "Mary" e ela permaneceu parada na fila do caixa. E eu disse "Oh, Susie" em volume mais baixo, o que provocou um sorriso breve naquele rosto quase angelical. Ela só se rendeu quando ouviu "Hey, Jude" - resistiu a "Dana O'Hara" e "Jamie", mas só voltou-se para mim depois que eu falei em "Jude". Estranho, muito estranho: ninguém é indiferente a "Bette Davies".


Trocamos poucas palavras. Ela estava esperando para pagar um pacotinho com sementes. E refrigerante sabor limão. Me contou sobre sua idéia repentina de plantar flores, enfeitar sua janela. Não parecia ser do tipo que come alface e ama os animais. Me deixou em silêncio, observando novamente suas costas. E eu já não sabia a qual música teria de recorrer para ganhar sua atenção novamente.


"Samantha", "Julia", "Caroline", "Sara", "Polly", "Helena"... tudo em vão. De repente, ela se virou. Sobrancelha erguida. Mascava furiosamente o chiclete. Tudo isso faria sentido se a reação anterior não tivesse existido. Eu disse "Jude?!" com um sorriso nervoso, mas ela olhou para baixo e sacudiu a cabeça num sinal de "não". Parecia irritada com o meu não-entendimento dos fatos, e eu já estava me incomodando com aquela pressão para que eu decifrasse a mensagem.


Cabelos castanhos despenteados. Camisa xadrez verde, cinza e azul-marinho. Chiclete de menta. Chave pendurada no pescoço. Olhos pequenos e claros. Calça comprida e tênis com merda. Do tipo que adora cachorros, mas não sabe controlá-los no parque - e sempre arranja confusão com famílias que fazem piquenique.


Eu disse "Eu sei que fui eu quem começou com tudo isso, mas eu não entendo.", encarando os olhos grandes com os meus pequenos. Ela pegou da cesta que eu carregava a lata de extrato de tomate e o pacote de massa, e apertou cada um deles contra suas bochechas, num bizarro gesto amoroso.


Pagamos as compras e fomos cozinhar massa com molho e plantar flores. O que combinava com o "Hey" de "Hey, Jude" era o "Hey" de "Hey, Paul" e, em função disso, decidimos nos chamar por esses nomes fictícios e deixar de lado nossas verdadeiras identidades.


Acabei limpando a merda dos tênis na grama de um dos vizinhos de Jude, ainda no caminho para sua casa. Ouvi a história dos machucados dos joelhos dela e pensei em presenteá-la com joelheiras quando tivesse oportunidade. Só me enganei quando inferi seu gosto por alface: ela tinha uma plantação delas. 



 

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Orchard of my eye


Oh you, you are the orchard of my eye
I couldn’t help but re
cognize
You were standing in my way
And you, dream of rainbows in gray skies,
Couldn’t help but re
alize
I feel the way I do
When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
and by your side I will stay
They are the goons we shouldn’t fear,
Making faces breaking mirrors –
I wish that they’d just stay at home,
But while we’re on the outside looking in,
Let’s take pleasure while we can –
Because it’s coming to a head
When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your
friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
And by your side I will stay
I am much more than your friend.


{ The Pains Of Being Pure At Heart }

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fat'bottomed Girl

"Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também"

Esse trecho de "Eu sei" tocou em boa hora: estava conversando e refletindo sobre o ser humano - o ato propriamente dito. Ok, não exatamente tão vago assim... O assunto é mais direcionado para situações "dolorosas". Sim, vale a idéia de que o sofrimento é opcional (a velha história) - transformar o luto em melancolia é só para os artistas... Tenho um amigo um tanto Shakesperiano, e (sei lá se ele sabe disso) sinto um superorgulho da atitude (um tanto romântica) dele de mostrar suas fraquezas, pedir auxílio e, enfim, não bancar o machão insensível. Não pretendo dar início a um discurso do gênero "mulheres gostam de caras sensíveis", a idéia não é nem de longe essa. E nem sei se gostam ou não. Pouco importa. Ele está mais maduro, menos dramático talvez. E anestesiado (eu gosto dessa idéia). Depois de um tempo, independente do aprendizado que adquirimos e da freqüência das decepções, acredito que vamos nos acostumando com os fatos e sentindo-os menos a cada vez que se repetem. Não é que sejamos tolos a ponto de deixarmos tudo acontecer do mesmo jeito, não é mesmo. Cada caso é único. Enfim, só queria dizer que acho bonita a verdade, acho que as lágrimas são dignas - foda-se se o responsável por elas merece ou não. Foda-se. Umas das coisas mais admiráveis pra mim é justamente a grandeza de cair e levantar. No palco, na vida, anywhere. Eu falei sobre isso aleatoriamente. Não me identifico com essa situação. Na verdade, fiquei pensando que eu adoro (mesmo) relacionar amigos com personagens equivalentes [?]. Até hoje, acho que só fiz isso com dois. Lestat/Louis e Arthur. Ok, o primeiro exemplo ficou meio infeliz. Mas eu gosto dos dois, acho que se completam. E o Arthur, ah... Nossa, sou apaixonada pelo Rei Arthur. Arthur, Morgana, Merlin, Vivian, blablablá... Quanto ao Holden Caulfield, sei lá... eu sou ele, é meio arriscado desejá-lo na minha frente. Fora que ele é um tanto cinza. Mas um tanto cinza mesmo. Tem dias que nem eu me agüento. Mas , enfim, o Holden é eterno. Eterno. Por falar nele, hoje eu vi a terceira edição (terceira!) do Apanhador em cima de uma mesa e, ai, babei. Bons livros quando são velhos são tão mais atraentes. Ai ai. Nossa, estou muito emocionada com as aulas. Tipo muito mesmo. Aquilo de chegar em casa exausta e ir correndo ver o que tem pra fazer. Nesse domingo, bizarramente eu senti falta de ir pra UFCSPA. Senti falta das pessoas, dos comentários, das risadas. Às vezes, é verdade aquilo que dizem sobre uma janela se fechar e uma porta se abrir. Sou meio teimosa, mas procuro manter a cabeça aberta. Sei lá, eu sou boazinha. Não do tipo padrão, é claro: eu invento apelidos e sou um tanto cretina mesmo. Mas sou boazinha. Acho interessante o diálogo, necessário ceder, fundamental respeitar. Não é uma boa idéia do destino me fazer pensar que minhas primeiras impressões, meus primeiros julgamentos, estão certos: mas é delicioso poder pensar que minha intuição é generosa comigo. Ok, essa frase ficou estranha. Sei que ando falando com gente diferente, que tem me surpreendido litros. E tem sido ótimo. Cada vez mais eu me acho meio esquisita por ser a saiazinha entre as bermudinhas [?], mas, no fundo, é o que me faz bem. Acho que os caras te mantêm no lugar, gurias te puxam pra lá e pra cá. Ah, não quero explicar isso. De qualquer modo, sou aberta. Gosto de cuidar dos meus amigos, gosto mesmo. E tem sido um ótimo período pra isso. E eu estou parando de roer unhas do nada. E comendo menos chocolate (mas isso aí não reflete exatamente a minha vontade...). Eu acho engraçado quando sofro com essas mulherzites do tipo se identificar profundamente com "Bette, a feia". É tão fácil conhecer o inferno às vezes. Enfim. Ui, achei muito profundo e exagerado o que eu disse. Eu queria ficar falando sobre qualquer coisa, mas foi inevitável falar de mim. Acho que estou bem. Não tenho certeza, depende do momento. Depende de o quanto eu estou disposta a refletir sobre minhas atitudes de uma maneira justa para mim e todo mundo. Eu sou trouxa, sou trouxa o bastante para me ferrar no lugar dos outros. Mas é puro egoísmo isso, puro egoísmo segundo a filosofia. Infeliz como parece que eu estou propaganda de "Ivy, a coitada"... Nem é isso. Sabe, ainda que eu me ferre, eu faço o que me faz bem. Se eu achar válido me ferrar, eu me ferro. E acho que ultimamente eu estive suportando muitos problemas que não eram meus - não estou tão disposta a me sujeitar a certas situações. Continuo sendo uma "pessoa substituta", do tipo que quer te deixar bem a todo custo. E continuo me identificando com a Clementine, mesmo que não deseje a história dela. E, antes de tudo, continuo exercendo meu papel de "pessoa-que-espera". Só que eu cansei por ora, só isso. Festas animadas, com gente esquisita e gente linda, têm me alegrado, me feito pensar. Mais do que nunca, tenho adorado ser a dona da casa e a dona da minha vida. O final foi só pra fechar com estilo, porque a preguiça de escrever mais bateu. São 04:18 no relógio. E, sei lá, não estou "blé". Me disseram que pareço mais insensível e estou mais fechada. Talvez. Creio que sim. Mas continuo sendo eu, seja lá o que isso signifique. Estranha necessidade de ser abraçada em conflito com a vontade de evitar qualquer contato. Ok, não necessariamente qualquer contato. Mas odeio os nordestinos e analfabetos que surgem no msn. De novo não é um bom "final". Ok, acho que fica mais bonitinho se eu disser que estou com vontade de caminhar por aí e falar merda em boa companhia, comendo balas de gelatina ou qualquer coisa que me faça pensar que minha barriguinha é de felicidade [?]. Ou não. Beijo pro meu pai, pra minha mãe, e pra você!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Peach, Plum, Pear


We speak in the store
I'm a sensitive bore
You seem markedly more
And i'm oozing suprise
But it's late in the day
And you're well on your way
What was golden went gray
And i'm suddenly shy
And the gathering floozies
Afford to be choosy
And all sneezing darkly
In the dimming divide
And i have read the right books
To interpret your looks
You were knocking me down
With the palm of your eye
Go; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na
This was unlike the story
It was written to be
I was riding its back
When it used to ride me
And we were galloping manic
To the mouth of the source
We were swallowing panic
In the face of its force
And i was blue
I am blue
And unwell
Made me bolt like a horse
And; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na
Now it's done
Watch it go
And you've changed so
Water run from the snow
Am i so dear?
Do i run rare?
And you've changed
So
Peach, plum, pear
Peach, plum

Joanna Newson

segunda-feira, 27 de julho de 2009

All at once.


There are certain people you just keep coming back to
She is right in front of you
You begin to wonder could you find a better one
Compared to her now she's in question
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you started to compare to someone not there
Looking for the right one you line up the world to find
Where no questions cross your mind
But she won't keep on waiting for you without a doubt
Much longer for you to sort it out
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you started to compare to someone not there
Maybe you want it maybe you need it
Maybe it's all you're running from
Perfection will not come
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes
We'd never know what's wrong without the pain
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you've started to compare to someone not there
Maybe you want it maybe you need it
Maybe it's all you're running from
Perfection will not come
Will not come
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you had her maybe you lost her to another
To another

{The Fray}



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sacanices

Se tem uma coisa sacana de se fazer é já agradecer a alguém por um favor ainda não atendido: é como se a pessoa fosse obrigada a fazer o que se pede. Mais sacana ainda é fazer aquelas declarações de amor vergonhosas em público. Puxa, faria uma lista de coisas sacanas. Acho sacana o Programa do Didi, ou seja lá o nome que isso tenha. Hoje eu estou num desses dias em que você acorda e quer proteger as crianças da maldade do mundo (eu espero que todos já tenham tido ao menos um dia assim...). Mudando totalmente de assunto, ontem eu vi a estréia de um programa extremamente revoltante. Quer dizer, eles juntaram tudo de essencialmente "mulherzinha" num lugar só. É como se fosse a versão audiovisual da revista Capricho ou algo assim. Eu realmente acho curiosa minha paciência para com alguns programas de televisão. Fico pensando se quem assiste às porcarias fica realmente contaminado ou, sei lá, se sente em parte triste por estar perdendo seu tempo. Ok, lamentável e nojentinho da minha parte. O programa tem como objetivo ajudar pessoas (até então, só vi meninas nas propagandas) que estão na fossa, com dor de cotovelo, esse tipo de situação. E, para te tirar da rotina de cama e gula, te fazem fazer coisas ridículas. Eu fiquei passada quando vi a moça queimando bichos de pelúcia num fogão no jardim de casa - ok, se livre das suas lembranças, mas doe os brinquedos. E, enfim, queimar coisas não é legal. Ela ainda ligou para o ex-namorado para dizer aquelas coisas do tipo "não me procure, vou ser feliz sem você - não vou esperar você querer voltar para mim". Tudo bem, foram adotados cerca de cinco passos - um deles foi dar um up no visual, é claro. Essa história de mudar o cabelo eu vejo em muitas pessoas - é, se eu dissesse que não sou uma delas, talvez não parecesse muito sincera. A moça "superou", inflou o ego e ficou se gabando quando o cara quis reatar o compromisso que eles tinham um com o outro. Eu acho um tanto infeliz essa coisa de "veja como eu não preciso de você"... Enfim. Eu estou sensualmente gripada de novo, o que me aponta que esse início de semestre não será tão diferente assim do outro. Ok, estou falando demais. É que me deu vontade, vontade de repetir que eu odeio camiseta polo amarela, que eu só como maionese quando misturada com batatas, que todo dia é dia de ver o sol se pôr, que vento nas maçãs do rosto me faz sentir bem, que o fato de eu dizer que não sou fã de alguma coisa pode simplesmente significar que não a conheço o suficiente. Não gosto de falar de músicas, não gosto. Não conheço quem está por trás delas, os gêneros em que se enquadram, a relevância que tiveram em seus países. Músicas e livros são coisas que se tornam importantes por si só, pelo valor que cada um - "em seu íntimo" - deposita em cada nota, em cada página. E eu não sei por que estou falando disso. Me perdi nos meus pensamentos comparando o vício pelo consumo de alguma droga ilícita com o nível crescente de exigência que vamos criando ao longo de nossas experiências. Sabe, eu acho que crescer é uma das coisas mais difíceis do mundo: não se "deseja" amadurecer. Mentira, acredito que isso seja desejável sim. Estou insegura quanto ao meu gosto por finais infelizes e à indiferença para com algumas coisas que, por ora, eu pensava ter. No fundo, talvez eu me mostre contraditória mesmo: quando alguém se diz indiferente, geralmente anuncia que ainda se importa. E a indiferença também é uma coisa sacana, se for pensar bem.




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