quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

último post de 2009




a coisa mais engraçadinha que eu li sobre esse reveillon diz respeito a aqueles óculos de plástico que são feitos pelo menos desde o ano 2000, em que os olhinhos se encaixam perfeitamente nos zeros e tal. agora chega o "1" entre os zeros para avacalhar com os fabricantes de óculos-de-reveillon. eu espero, francamente, que eles consigam encaixar bem o "1" no lugar do nariz e continuar vendendo bem e tal, já que depois vai ficar impossível... dois zeros juntos só daqui muito muito tempo. oh meu deus, que desespero! tipo que essa declaração infeliz é realmente o que eu tenho a dizer. metade do meu ano foi uma bosta realmente sólida e fedida. outra metade foi realmente "weeee", bem colorida e linda e tudo mais. passar no vestibular fez realmente a diferença. mas ainda tenho muitas provas pela frente (se eu prolongar isso, vai ser pior). era pra tentar mostrar que provas significam outras dificuldades também. enfim. cresci bastante esse ano, mantive meu um metro e meio de ananismo, comprei uma tiara de onça verde e tive mais vários feitos aleatórios. espero ir em shows legais em 2010. e gostaria que menos pessoas legais morressem. (tenso)


sempre vale mandar um beijo para pessoas queridas que têm paciência comigo e meu estômago.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

(sem sentido)


E eu poderia ter dito "Quer merda, John! Você fudeu com tudo!", mas dizer "John" no Brasil parece forçado, e dizer que o tal John teria realmente fudido com tudo seria mentira. Então, por um tempo, eu esqueci que estava no Brasil e procurei fingir que desconhecia as porcentagens de responsabilidades entregues a cada pessoa envolvida (50% pra cada um, afinal éramos apenas dois). Eu disse "Porra, John, você sempre fode com tudo!", o que era mais mentira ainda. Quando algo chega ao ponto de ser 'mais mentira ainda', é sinal de que perdemos a cabeça. Totalmente. Sem voltar atrás. E o John me olhou assustado, mas daquele jeito convicto. Ele sabia que ele estava certo. Mais do que isso: ele sabia que ele estava certo e que eu estava errada. Completamente errada. 100% errada. Ele deu um passo largo para trás, e ficou me olhando com uma expressão séria. Não era parecida com a cara de um pai quando está irritado com o filho, nem aquele tipo de seriedade que pode facilmente ser amenizada e seguida de um movimento engraçadinho de sobrancelhas: quando eu digo séria, eu digo realmente séria. E ela não mudaria por nada, eu achei. E pensei "Putz, Lia, você sempre fode com tudo!". Meu nome não é Lia, mas juro que no momento eu me autonomeei assim. Acho que a vergonha foi tanta que eu queria fugir dali e o máximo que eu consegui foi tentar mudar de identidade, mesmo que isso servisse de escudo invisível que não dura mais de doze segundos. E, no final, foi só isso: uma dessas atitutes que a gente tem por impulsividade, impulsividade pura. E se arrepende depois. Mas aí já era tarde: eu já tinha fudido com tudo. É o que acontece quando a gente está convicto demais de que pode ser uma Lia. Ou não.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Estilo "Let it be".

          E a gente fez aquela coisa de sentar onde der e ficar por isso mesmo. Eu nem lembro qual era o assunto, mas sei que não ficou aquela coisa de "Veja como o céu está estrelado!". Quando a gente não se importa muito com o que está ao redor, parece que ele incomoda menos: a grama não pinica, o clima fica mais agradável, o vento não é exagerado nem insuficiente.
          Eu fiquei pensando no que dizer e, ao mesmo tempo, eu não estava preocupada com o que eu diria exatamente, mas em estar ali. Dizendo besteira, dizendo o que fosse, ou não dizendo nada. A gente sempre tinha assunto, talvez até demais. Isso é reconfortante, parece ser tão ideal. E, então, o meu não saber o que dizer deixava de brilhar na minha mente: talvez o que eu não soubesse fosse o meu lugar naquilo. O meu lugar em tudo. E o não saber o que dizer deixava transparecer as reticências que me preenchiam.
          Até que eu disse "Hey, eu não sei o que dizer.", e isso foi tão porcamente sincero e não mostrou nada do que eu queria mostrar. Por trás das palavras que eu não sabia escolher, existia uma mensagem que insistia em ser pronunciada. Mas, antes das sílabas se encaixarem, eu precisava ter certeza de pelo menos alguma coisa naquela realidade tão cinematográfica.
          E sei lá quanto tempo se passou. Não farei suspense para concluir que eu não disse nada. Não disse, não disse nada do que talvez eu quisesse dizer. Mas tem coisas que parecem nos enganar: querem pular do coração para a boca, sem passar pela cabeça. Os pés têm que estar no chão - ao menos eles precisam estar a salvo... ao menos eles...
          O mais legal de tudo é que não foi uma cena romântica. Foi descontraída o bastante para poder se repetir involuntariamente quantas vezes fossem, sem se tornar clichê. E a gente fez aquela coisa de caminhar de um lado pro outro e não se encontrar. Parecia que existia uma barreira plástica que nos impedia de estar completamente no mesmo lugar - mas isso só causava mais interesse, mais curiosidade. E, por vezes, essa parede invisível filtrava algumas imperfeições. "Imperfeições... Imperfeições... Imperfeições não existem!", eu comecei a pensar. Acho que ele sempre teve acesso ao meu lado mais ou menos de ser. E talvez eu quisesse mostrar meu lado mais legal, digo realmente me esforçar.
          Para algumas pessoas vale a pena fazer algum esforço. Fato. E, de repente, foi o que ele fez também quando me poupou de elogios rotineiros, desses que qualquer um faz para qualquer uma. É engraçado pensar que talvez ele também estivesse lutando com as palavras, ou que desconhecesse seu papel em tudo. E acho estranho como eu me importo sem sofrer: de onde vem essa segurança e para onde ela vai? Às vezes, o que basta mesmo não é dizer a frase certa, mas estar presente. De corpo e alma, pés, mãos e boca. Estilo "Lei it be".



domingo, 20 de dezembro de 2009

Brothers on a hotel bed .mp3

O que eu fiquei de fazer - escrevi no último post - em uma semana foi impiedosamente deixado de lado. Eu quero dizer que não cumpri o prazo, só isso. Lá vou eu renovar meus pedidos de desculpa... Nossa, a última semana foi tão corrida e sufocante. Acabou comigo, mas anunciou o início das férias. E férias assim eu não tenho há tanto tanto tempo... Férias sem pensar em vestibular, férias sem o medo do ano seguinte, férias simplesmente com o sabor de férias. E eu andei pensando em tanta coisa. Eu odeio o Natal, odeio. Não suporto o clima de fim de ano que faz todo mundo agir como se guardasse todo o amor do mundo para essa época - e é realmente o que se faz: quem é generoso em meados de maio ou junho? Não importa... Natal é Papai Noel, presentes e prestações pro ano seguinte. Fato. Não acho graça. Eu não acho lindo o Dia dos Namorados também. E só gosto da Páscoa porque ganho chocolate. Haha. Tipo que eu devo afirmar isso aqui todo o ano, e cada vez devo parecer mais grotesca. Bah, eu tenho me encantado constantemente com a diversidade de personalidades que eu conheci esse ano. Eu conheço as pessoas, guardo uma primeira impressão delas, convivo e então crio minhas expectativas. E me diverti conhecendo gente nova, me supreendendo com velhos amigos, e adoro essa coisa de errar e acertar que envolve as relações. O que ferra com tudo é o orgulho, a falta de sensibilidade com o outro: erros são espontâneos, acontecem porque é assim que deve ser. E se aprende com eles. Pronto, a vida é bela! Sei lá, eu acho engraçadas as motivações das pessoas para fazer as coisas. Tipo escolher uma profissão ou algo assim. E acho curioso como algumas crenças da pessoa parecem se chocar com a filosofia da profissão escolhida. Isso é só um teto que eu venho observando desde os últimos anos da escola... Eu tinha curiosidade de conhecer duas pessoas da faculdade desde o primeiro dia de aula. Depois de dois semestres, acho irônico como uma delas se tornou insuportável e, a outra, muito querida. Outras surpresas também aconteceram - a gente sempre pensa que, no fundo, tudo é bom porque a gente cresce com isso. Não vou dizer que não concordo com isso, apenas declarar o quanto eu fico admirada com o julgamento que fazem de mim. Muitas pessoas criam uma sensação de poder perante o que acreditam ser estratégias frustradas alheias. Ou erros, fracassos, whatever. Acho tudo válido quando se mantém em silêncio - não entendo, porém, aqueles que me cobram "respeito" ou atribuem a mim uma série de qualidades equivocadas. Como se eu tivesse que ser necessariamente "hipócrita" por agir de uma forma ou outra... lamentável. Se existe o desejo de uma resposta, que seja feita a pergunta de uma vez - acusações para quê? Para quem? Enfim, acho tenso. E eu acho funny como o machismo atua em certas situações... por que as garotas devem chorar, não podem erguer a cabeça? Claro, isso já soa como bobagem para muita gente. Mas ainda há quem pense assim (e estão soltos, oh céus!). Outro dia eu estava no shopping, comendo massa e pensando na vida: coisas egoístas de se fazer em fim de semana, quando as pessoas passeiam com bandejas procurando lugar para se sentarem. Eis que a lady que estava comigo reclamou que eu estava apoiando a cabeça na mão que segurava o garfo, e ficou uma cena esquisita ("oi, tem um garfo saindo da minha cabeça"). "Ivy, o que os outros vão pensar? Isso é feio." Sabe... realmente. O que os outros pensariam? Eu me pergunto que porra os outros iam pensar se me vissem ali com o garfo tão perto da minha bochecha direita. São respostas que a vida não vai te dar, que você terá de buscar sozinho, entende? Eu acho extremamente desprezível esse pensamento. Eu li uma crônica sobre isso uma vez, em que uma mulher com uma criança, na fila de um banco, desaprova o comportamento do gurizinho e olha para a moça da frente dizendo "o que a moça vai pensar?". E a moça se vira e diz "não vou pensar nada.". Não parece muito emocionante a historinha, mas eu acho genial. E isso me lembra como muitos pais buscam educar os filhos mais velhos incentivando-os a darem "bons exemplos" aos menores. Ninguém tem obrigação de dar bom exemplo, ninguém. Eu sou uma desgraçada que gosta de reparar na cara de todo mundo, na bainha da calça - que o cara fez com o grampeador -, nos pés inquietos das pessoas das salas de espera... mas 'e aí?', grande merda! E acho que todo mundo deveria pensar "grande merda" também. Penso que isso diminuiria também certos preconceitos e as tentativas toscas de chamar a atenção que alguns indivíduos têm. E ninguém perderia nada com isso, pelo contrário. Isso me lembra quando eu vou comer comida chinesa sozinha. Eu uso hashis (pauzinhos e tal). Hoje, eu sou uma pessoa feliz em usá-los, mas é óbvio que não foi sempre assim. E eu acho engraçado como as pessoas-com-garfo olham para as pessoas-com-hashi. Fiquei com preguiça de comentar toda a interação... mas é impagável. E lembra um pouco o ambiente pré-show de dança do ventre. Eu já conheço bastante gente do estúdio onde eu tenho aulas, então quando todas as alunas se encontram fica fácil reconhecer quem é iniciante ou enfim. E eu ouvi de várias ladies como é realmente aparente a hierarquia que existe, alimentada pelas pessoas que entraram há pouco tempo e acreditam que conforme o tempo tua barriga diminui e teu ego infla. Pode acontecer, mas não é o que geralmente acontece... nem um nem outro. Bastidores, nessas situações, são coisas tão positivas: mil mulheres trocando elogios, maquiagem, falando porcaria e se achando bonitas. Enfim, é algo bom e saudável (redundante?!). Ainda na linha "o que os outros vão pensar", fiquei pensando em situações inesperadas, tipo cruzar na rua com alguém que está chorando. Não lembro da última vez em que estive nessa situação, mas há pouco tempo me acometi de um sentimento blé e emo e fiquei mostrando lagriminhas em público. Haha. Tipo que eu estava na parada de ônibus e as pessoas recuavam uns passos e ficavam me observando. Achei aquilo engraçado. Depois, na lotação, as pessoas olhavam para o banco vazio no meu lado e vinham correndo sentar, daí do nada resolviam que o melhor lugar era aquele lá do fundão. Não que eu pense que tenha movido o mundo com isso, mas achei realmente tetiante. Gurias chorando, em especial, são cenas perturbadoras. Irritantes, às vezes, principalmente quando são contínuas... mas, enfim, perturbam mesmo. Acho que isso se relaciona com o leque de infinitas e aleatórias possibilidades de razões. Garotas são confusas. Mesmo. Não vi muitos homens chorando, mas pelo menos os motivos deles parecem mais "certos" (definidos). A tristeza deles parece mais razoável. Mudando totalmente o rumo do assunto... nossa, eu me sinto tão Ivy! Tão Ivy. Adoravelmente imperfeita e feliz e zaz. Realmente, o importante é a gente se reconhecer. Se reconhecer e ser capaz de assumir nossas ações. Pronto. Aprovação é um assunto limitante. Você gosta dos seus amigos do jeito que eles são, e nem sempre o jeito se mantém. E nem assim o afeto vai embora. Eu gosto da certeza das amizades, realmente gosto. É o que me faz admirar mais esse tipo de relacionamento do que algum dito "mais sério". Claro que o envolvimento é diferente, mas ah... puxa, eu detesto a classificação toda. Eu não "fico por ficar", como diria alguma revista feminina para adolescentes bregas. Eu fico perto de quem eu gosto, pra mim funciona desse jeito. E é essa proximidade que justifica tudo, não um status diferente no orkut ou um anel no dedo. Que se explodam os anéis e toda essa simbologia, se a moral de tudo é acabar com um contrato de amor eterno. Eu não prometo nada a ninguém, não sei quem vou amar amanhã e nem quero saber. E que bom seria se todos fossem livres e desprendidos. Acho tão puro e tão bonito o 'medinho' de perder. Constância é tão não-afrodisíaco. E eu gosto de poder ser eu: vestir o que eu quiser, falar a merda que eu quiser, cantar como eu quiser. Meus amigos me respeitam, acharia engraçado que alguém com a pretensão de superá-los não fosse capaz disso. Enfim. Em poucos dias, será Natal e chega 2010 e toda aquela baboseira de que tudo será diferente. Eu sempre faço um post-de-fim-de-ano reclamando sobre como isso é clichê e não pretendo mudar a rotina dessa vez. Abaninhos para vocês, tá muito calor para dar abraço!





Vontade de postar mil músicas aqui, mas isso seria bananice. Acho que vou voltar a criar "Top 5's". E ainda tenho que colocar tags nos posts antigos, oh meu deus!


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Guess I'm Doing Fine

Oi, voltei. Nossa, não faço idéia do que as pessoas andam escrevendo, nem lembro quando foi a última vez que eu escrevi. E, putz, não respondi algumas mensagens e me sinto tão culpada! Eu vou fazer isso semana que vem, e pedir as devidas desculpas. Sei lá. Eu acho engraçado como o blog se tornou parte da minha vida. Hoje tive meus momentos bregas e meus momentos de impaciência. E, apesar de morrer de vergonha pelas tempestades em copos d'água completamente desnecessárias, elas foram úteis para eu ver coisas que dificilmente em outras situações eu veria. É tão bacana quando se percebe que existem pessoas bacanas. Não que eu duvidasse disso, ou que eu ignorasse a bacanisse de pessoas que são queridas pra mim. Enfim, foi só um comentário. E não queria que ele fosse mal interpretado. Nossa, eu tenho dormido tão pouco, e lido e feito tanta coisa para a faculdade. E, no fundo, essa falta de tempo tem sido tão proveitosa. Minha turma está tão unida e as pessoas, em geral, têm se doado tanto. Eu não sou recordista de momentos felizes na escola, então me emociono quando as coisas vão bem. E, nesse quesito, vão realmente bem. Descobri um mundo musical que me deixa "esperneando", sei lá. Porque eu gosto das músicas desse mundo que eu conheço, mas elas representam uma parcela ínfima de tudo, e isso é meio assustador. Eu odiaria ter que dizer "é só música", porque não é "só música". Música nunca é "só música". E eu defenderia isso com todas as notas que eu não sei e palhetas que eu não tenho. E eu devo ter, mas estão por aí. Tipo o meu D12 roxo, que eu não lembro de ter efetivamente usado. "Efetivamente". Sabe, essa é uma palavra que eu acho gozada. Tenho uma professora que fala isso freqüentemente, e sempre que ela fala eu esboço um sorriso e fico pensando o que exatamente significa isso no contexto. É que tem palavras que, se a gente for pensar, não acrescentam nada. Mas isso é triste demais para esse horário. Ah, eu estou encantada com o universo das diferenças. Um encanto bom e ruim ao mesmo tempo. Fico feliz que todos não sejam da mesma maneira. Cheguei não faz muito tempo da aula, e hoje conversamos muito sobre segunda e terceira infâncias. As aulas dessa disciplina tendem a ser as mais divertidas. Falar de criança é divertido, gostando delas ou não. E a gente sempre percebe que continua agindo meio infantilmente às vezes. Ainda bem. Na minha vida pessoal, eu tenho encontrado algumas dificuldades não exatamente comuns, eu acho. Não que eu pense que todos os relacionamentos interpessoais são óbvios, mas acho engraçado como os meus problemas soam incomuns. Falei isso por falar, porque não faz sentido eu discutir isso aqui. Não é o caso de discursos do gênero "como eu sofro" - quanto a isso, todo mundo sempre pensa que é a vítima mais infeliz da história e, no fundo, cada um está certo à sua maneira. E chegou mais uma fase de crise de cabelo da minha pessoa. E, nessas horas, a gente sempre tende a encontrar na rua pessoas que recentemente se tornaram ex-cabeludas e coisas do gênero. Ora, é só mais uma mulherzite. Falando em mulherzite, eu estou também naquela fase de profundas reflexões a respeito de decisões passadas. Parte da minha biografia é inexplicável por definição. Nem eu mesma sei definir o que eu sinto ou penso algumas vezes. E esse ano está tão longo, tão longo. Para mim, quando mudou o semestre, mudou também o ano. E é meio assustador pensar assim. Me dei conta de que não vi setembro passar, nem outubro, nem novembro. E isso não quer dizer que eu não tenha aproveitado: pelo contrário, eu tenho me sentido incrivelmente útil. Tão útil que não dou conta de tudo que há pra fazer... mas, ok, eu tenho tentado. Vi filmes tão legais, e comprei tantos livros, e tive conversas maravilhosas. Acho que eu sou apaixonada por risada. Vence a melancolia da solitude, a beleza daqueles silêncios de pôr-do-sol. Mesmo que palavras não sejam necessárias às vezes, mesmo que os gestos criem histórias... mesmo com tudo isso as risadas têm o seu valor. Ah, se têm! Uma amiga minha dizia que, antes de qualquer coisa, buscava alguém que a fizesse rir. E, é verdade, isso é genial. Sabe, é impossível ser feliz sozinho. É realmente impossível ser feliz com essa pretensão. Se, por agora, eu não vejo a hora de ver o ano acabar, de entrar em férias e etc. e tal, é porque eu realmente estou ansiosa para aproveitar ainda mais. É a velha história: não importa o que será feito, mas todas as outras variáveis. Se chove, tem seu charme. Se chove muito, se torna engraçado. Se chove muito, mas muito, e a gente pega um resfriado, sei lá. Mas vale a pena igual. Tenho pensando um monte na consistência das minhas reclamações (?!), e eu acho que a essência da coisa é realmente senso de humor. Eu sei que parece não fazer sentido. No fundo, eu acho natural não gostar das coisas e querer exprimir isso. Chato é bancar o legal e fingir que está tudo bem. Enfim. Eu quero ver se escrevo um monte agora... sim, eu disse isso para umas pessoas há uns meses e foi a mesma coisa que nada. Mas eu ando empolgadinha e com mil teorias falidas para explicar o mundo. Acho que parte de mim realmente é meio Bob e anda de bicicletinha vermelha pela casa.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

Passenger Seat

Se eu fosse escrever tudo o que eu pensei nos últimos tempos e abordar cada assunto em um post seriam muitos e muitos textos desconexos e um tanto inacabados, eu acho. Eu tenho uma mania defeituosa de não concluir as coisas e, com freqüência, minhas opiniões acabam entrando nessa lista. Isso deve fazer parecer que eu sou mais indecisa do que eu geralmente sou. Na verdade, eu tenho um senso de justiça meio curioso. Eu detesto quando acho geniais pensamentos ultrapassados e, às vezes, irracionais. Tipo eu adoro aquilo de "olho por olho, dente por dente". Mas sou contra a pena de morte. Mais ou menos contra. Em caso de prisão perpétua, o condenado deve morrer de uma vez. Mas igual, eu não acho que deva existir algo que acabe com "o direito maior", que seria o da própria vida. Ok, meu discurso soa religioso. Eu nem queria falar disso mesmo. Fato é que eu tenho dado conselhos à minha mãe sobre coisas que, no fundo, ela deveria me alertar. Isso é um tanto estranho. Mesmo que seja coisa de mulherzinha, e mesmo que eu pense que a diferença de idade interfira aí de forma positiva. Sabe, aquele negócio do "dia seguinte" é mesmo verdade. A experiência dessa vez não foi constatada diretamente por mim, e isso reforçou minhas crenças. E, sabe, não acho mais que exista isso de "me apaixono facilmente". Sei lá, as pessoas são como são e nós gostamos delas ou não. Tudo bem, existem as variáveis (humor, contexto, blablablá), mas nada é maior do que a empatia. Sabe, é algo que se vê de longe. E nessas de pensar em amorzinho pra lá, amorzinho pra cá, eu comecei a questionar a poligamia e coisas assim. Eu pensava que casamento era uma coisa desnecessária. Tipo mais um motivo para fazer festa, brindar a hipocrisia da eternidade e blablablá. Eu acho bonito o "forever", só não gosto da pretensão de fazer o relacionamento durar. Eu penso que a própria preocupação já corrói a naturalidade da coisa. A aliança no dedo transforma a confiança em promessa, dívida, sei lá, obrigação. E o que muita gente enxerga como sendo um símbolo de, nem sei, um símbolo de algo bonito, de um laço de união, me parece muito aquela insegurança que te faz querer mostrar para os outros como você não está sozinho no mundo. E eu acho porco qualquer tipo de exibicionismo nesse sentido, ou essa coisa de fazer o que todo mundo faz sem um bom motivo. Ok, em várias fases da vida o fazer-o-que-todo-mundo-faz é um problema. E então eu comecei a ver o casamento como algo meio "ano novo". Tipo eu não acho que o amor seja necessariamente progressivo e divido em fases. Namoro, noivado, casamento, filhos, lalalá... sabe, essa rotina é meio triste. Você já sabe onde acaba. É sem graça. Eu gosto da liberdade de pensar que o afeto é o que basta, que uma cerimônia não vai tornar tudo mais importante. Eu devo ser meio perturbada. Não queria ver minhas Barbies casarem, mas saber por que elas "já vinham com calcinha". Tipo por que não fazem bonecos com genitais? Ok. Silêncio. Enfim, acho que o hábito do casamento funcionaria como acontece todo o ano, quando abrimos a champagne e pensamos que tudo vai mudar, que o mundo está se renovando e a vida é bela e tudo mais. Eu sou pessimista mesmo, mas acho que é por aí: dia primeiro você acorda de ressaca e, enfim, o mundo só parece diferente porque você (eu) não faz nada da vida e provavelmente está de férias. Grande coisa. Acho que o casamento serve pra dar esse ar de que o tempo passou e tudo pode ser melhor. Mesmo que estatisticamente isso seja mentira, fail total. Falando assim, me lembrei de um livro muito bom, pelo qual eu conheci Sonic Youth. A guria do livro era muito afudê e tinha todo um jeito de falar que era muito único. Enfim, me gusta. É meio mal eu falar assim de casamento, sendo que eu fui em um há uns dois dias e, pra ser franca, eu me emocionei. Na verdade, eu fiquei mais emocionada com a irmã da noiva. E não fez muito sentido. Eu tenho em dvd imagens muito engraçadas de quando éramos pequenas, e eu acho que fiquei mentalizando isso. Eu realmente fiquei fascinada quando descobri esses vídeos, porque eu me vi bebê ou com poucos anos e, sei lá, é engraçado quando você se vê assim. Tudo deveria parecer mais colorido e feliz. Sabe, eu não tenho jeito com crianças, mas eu realmente admiro a inocência delas. Enfim, a inocência de tudo que não perdeu sua essência. Eu gosto de tratá-las como adultos, porque lembro de ser tratada como criancinha quando eu já era maiorzinha, e eu odiava ouvir os adultos falarem agudinho e se abaixarem, como se eu fosse uma anã retardada. Não que eu não seja. Silêncio. Hahaha. Ok. A minha psicóloga tem a mania de fazer a gente refazer as frases, tipo: ao invés de dizer "tô uma baleia", dizer "eu sou uma pessoa legal e vou melhorar o meu peso". Não tão bobo, mas tipo isso. No fundo, isso me faz rir internamente. Para algumas pessoas funciona, mas sei lá. Meus problemas de auto-estima são criados por mim, e faz parte do meu divertimento me ridicularizar. Porque eu gosto, porque eu acho importante rir das coisas. Rir com as pessoas, e rir das pessoas. Eu rio de mim, quero permitir com que façam isso também. Sabe, eu acho meio chata essa aura de pecado que existe quando se faz uma fofoca ou coisa do gênero. Tudo está sujeito à crítica, ao preconceito, a uma opinião, a um julgamento. Por mais individual e interno que isso seja, o silêncio não impede que isso ocorra. Enfim, acho bárbaro quem sabe rir de si e fazer bons comentários com e sobre os outros. E eu adoro pessoas sinceras. Sinceras e espontâneas, cansei de repetir isso. Acho que é o que falta no mundo - a tal da espontaneidade. E eu penso que há diferença entre ser fiel e ser confiável. Eu detesto aquele discurso estilo "busco alguém fiel" de progama de namoro da tevê. Acho lealdade algo bem mais digno. Enfim, stop it. Andei pasma com o egoísmo absurdo de conhecidos, e a insistência em realizar trocas falsas de adjetivos. Sabe, as pessoas ficam realmente melhores ao vivo. Acho que, desse modo, certas situações não acontecem. E que bom seria se assim fosse todo o tempo. E eu acho bonitinho ser tímido. Acho mesmo. E eu fiquei dizendo pra minha mãe "não depender da bagunça da vida dos outros", o que é um tanto Amélie Poulain da minha parte. Eu tenho um pouco de medo desses comerciais pseudoinformantes sobre transtornos alimentares. No fundo, eu não sei como a gente sabe se o que a gente percebe é o que é. Filosoficamente, não existe a determinação do real. Ok. Sério, recentemente vi dois filmes muito bons. E um muito muito chato. E eu acredito cada vez mais no senso de "voutefuder" dos professores. E, curiosamente, no senso de puxasaquismo. Mas eu não deveria falar disso. O fato é que tá calor, e eu odeio calor. Tenho uma lista musical bem novinha e muito ótima. Eu gosto de quando consigo me espelhar em alguém. E eu gosto da sensação de 'querer cuidar'. Eu passaria noites em claro ouvindo música, falando de cicatrizes e pintando paredes. Acho que estou gostando de ser eu. De novo, e diferentemente. E tem uma coca-sem-gás me esperando na geladeira, beijos. Outro dia falo sobre a hipnose e a briga interna que ocorre nesse momento.




quarta-feira, 14 de outubro de 2009

the day after


hoje aconteceu uma coisa superchata, e eu fiquei pensando que amanhã será pior. o 'dia depois' é sempre pior. o dia depois de um assalto, de uma briga, de qualquer coisa que pareça definitiva e nos cause dor. a mensagem toda está só nessa idéia, assim mesmo, injustificada... não existe argumento: você dorme (tudo bem, rola na cama e não dorme direito - mas dorme) e acorda com aquela sensação de quem recém levantou do chão após levar um soco na cara. acorda e demora um tempo a mais para se situar no mundo. então, finalmente a cena do dia anterior começa a brilhar ativamente na consciência. arrependimentos à parte, a coisa toda é uma merda. é o tipo de coisa que não pode ser encarada com a mesma naturalidade com que um viciado em algo comemora a distância de seu vício. um dia a mais parece ser um dia a menos com o que supria nossa necessidade (nem sempre percebida até chegar o momento presente). fica claro que a realidade se faz da continuidade da vida, que planos são planos - têm condição parasita, necessitam de nossas ações para serem reais. e para se desfazerem também. é esse o verbo: desfazer. o dia depois é o dia do desapego involuntário, do luto amargo, da cobrança por uma atitude. arrumar o que se pode arrumar, esquecer o que não tem jeito. assim, sem traumas, sem floreios e poesia. a lei diz que o planeta não vai parar de girar, que tudo continua a ser o que era (ainda que em constante renovação). e, de repente, vem a não-sintonia, a vontade de pular para fora de tudo, mergulhar no vazio sentimental da perda, da esperança que embriaga e enlouquece, da razão pontiaguda. não se trata de pessimismo - é um fato: o dia depois é o pior. ansiedade, desconforto, pânico, medo, tralalá. e não é que depois a melhora seja notória e progressiva... mas, não importa, o dia depois é sempre o dia depois. o dia em que tudo se choca, em que o que era palpável se mostra inalcançável, em que entramos em conflito e ficamos revoltados com o que aconteceu no ontem e o que acontecerá no amanhã. é o dia em que o céu prepara o sol pra chuva que não quer vir, para a tempestade imprevista - e essa preparação simplesmente existe, sem consentimento ou previsão de um futuro bom. e a falta de pretensão, nessas horas, é o único e melhor remédio. esquecer, expulsar qualquer pensamento. qualquer esforço para se afastar é válido, mesmo que geralmente acabem sendo incapazes de produzir qualquer efeito positivo. enfim, o dia depois. a porcaria que é ter que acordar de uma noite de incômodo para presenciar o pesadelo. e é assim mesmo, bem trágico e por vezes exagerado. e nem por isso deixa de ser igualmente verdadeiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Orchard of my eye


Oh you, you are the orchard of my eye
I couldn’t help but re
cognize
You were standing in my way
And you, dream of rainbows in gray skies,
Couldn’t help but re
alize
I feel the way I do
When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
and by your side I will stay
They are the goons we shouldn’t fear,
Making faces breaking mirrors –
I wish that they’d just stay at home,
But while we’re on the outside looking in,
Let’s take pleasure while we can –
Because it’s coming to a head
When we fall, we’ll fall together in the end
Please don’t tell me I’m your
friend
I am not your friend when you call
I’ll come stumbling to your side,
And by your side I will stay
I am much more than your friend.


{ The Pains Of Being Pure At Heart }

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Gold Soundz

Ele parou o carro no posto de gasolina. Deixou o cara do posto enchendo o tanque e entrou na lojinha para comprar chicletes e coca-cola. Quando ele começou a se aproximar, eu fechei a janela do carro - deixei que o vidro escuro me deixasse quase invisível. Eu me sentia melhor assim, gostava de observá-lo sem que ele percebesse. Voltou com duas cervejas, os chicletes, a coca e uns três pacotes de bolacha. Pegou a chave com o cara e, uns segundos depois, estávamos de volta no asfalto. Durante a viagem, ouvíamos qualquer coisa. Digo isso porque nosso gosto era mesmo parecido. Músicas, livros, filmes e todas essas coisas que parecem dar mais sentido e personalidade às pessoas. Não exatamente tão clichê. A pretensão não era voltada para uma tentativa de fazer nascer qualquer porcaria de sentimento, apenas existia a intenção de aproveitar os acontecimentos. Se temos que viajar, que seja legal. Se queremos viajar, e queremos ir juntos, ok. Simplesmente ok. Estrada, noite, vento e música - nada errado. Eu sempre gostei de ficar olhando para o cabelo dos outros, mas, com ele, minha atenção sempre se voltava para sua barba enigmática. Eu falo isso porque nunca soube se ela era como era propositalmente ou por preguiça, acidente, qualquer outro motivo aleatório. Eu gosto de coisas inusitadas, e barba por fazer, e pessoas que se vestem bem porque realmente combinam com o que vestem (e não, necessariamente, porque combinam as peças ou coisa que o valha). Ele dirigia com uma mão na direção, falando besteira atrás de besteira. E como eu adoro besteira! O fato é que eu ri muito durante a merda da viagem. Aquelas seis horas passaram muito, muito rápido. Devo ter ouvido os melhores cd's do mundo e dito todas as coisas que me passaram pela cabeça. E, quando ele falava, eu ficava olhando a boca dele se mexendo. E pensando na barba, na maldita barba. E em todo aquele cabelo, que eu não hesitaria em bagunçar. Acho que uma das minhas marcas é despentear as pessoas. Tipo isso. E ele falava e abria tanto a boca, como se fosse comer o mundo com as palavras. E eu achava graça, eu sempre achei graça. Do lado dele, eu me sentia como uma música dos Pixies, um clipe de Killers, sei lá. Lost in Translation com o humor de Skins. Whatever. O fato é que madrugada combina com humor porco, e revelações, e todas as coisas sinceras e longe de serem avaliadas como certas ou erradas. Certos segredos só se vivem com estranhos. E é legal ter do seu lado uma pessoa de barba enigmática - ajuda a manter o ar impessoal. Eu me enrolei num casaco, encostei a testa no vidro e fiquei vendo as árvores se tornarem borrões no escuro. Sempre me pergunto o que eu faria exatamente se, do nada, estivesse do lado de fora do carro no meio do caminho entre uma cidade desconhecida e outra-que-sei-lá-qual-é. Ele me contou sobre suas férias de seis anos atrás, sobre sua relação com sua irmã, enumerou os defeitos da antiga escola e fez umas trocentas listas sobre todos os álbuns que eu tinha que ouvir. E me falou dos amigos, de como aprendeu a tocar baixo e todas aquelas histórias que eu gostava de ouvir repetidas vezes - apesar de ele raramente repetir alguma. Sempre tinha algo novo pra contar, uma nova porcaria que algum infeliz tinha feito. Eu gostava de fazer parte daquilo, gostava de estar ali comentando tudo abertamente. Trocávamos xingamentos e depois ele sempre me abraçava daquele jeito diferente. Grosseiro e afetuoso. E extremamente "dócil". Dócil é uma palavra estranha, mas se encaixa nessa situação. Por vezes, sentia vergonha por alguma grande merda que eu dizia. Daí, ele olhava pra mim com aquela cara de indiferença e dizia que eu tinha que agir assim mesmo. Grande merda mesmo. E, realmente, grande merda. Acho que as boas coisas realmente nascem daí, dessa espontaneidade, desse "eu sou assim mesmo" - que torna os erros apenas enganos passageiros (e pronto). Tudo é mais simples se é espontâneo, se ocorre naturalmente. Tudo cru. Cru. Cru é uma boa palavra, e é do tipo que ninguém fala ou escuta com muita freqüência - a não ser quem trabalha em uma cozinha. E eu sei lá se ele sabe cozinhar. Sei que a gente come qualquer coisa, como escuta qualquer coisa. Qualquer coisa, menos pastel de palmito com massa integral. Sabe, se eu for pensar bem, ele é organizadamente desajeitado. E eu adoro isso. Adoro pessoas que não parecem perfeitas e acabam se passando por isso justamente por serem exatamente como são. A gente dividiu a coca, acabou com os chicletes e se divertiu cantando rap e falando mal de quase todo mundo. Isso era uma coisa que eu admirava nele, esse "quase". A linha tênue entre o fazer ou não, que acabava silenciada no não. O silêncio, o silêncio dele era outra coisa que me intrigava. E, quando vencíamos a distância, e a barba se aproximava do meu rosto, eram seus olhos inusitados que me roubavam a atenção. E eu gosto de como grande parte da história é besteira, grande parte se resume em barba e cabelos e roupas. Nem só de subjetividade vive uma pessoa. O que é externo e visível importa, importa porque também agrada. E desagrada. E eu não sei se agrado. O fato é que eu continuo fechando a janela toda vez que ele se aproxima, numa tentativa de me esconder e poder observá-lo à vontade, livre da minha identidade e da responsabilidade de ser eu. Tem pessoas que me agradam tanto que, nem sei, me fazem querer estar por perto, mas escondida. Não seria insegurança. Talvez eu seja desajustada também. E grosseira, às vezes. Tanto faz, ele não se importa com essas porcarias. Ele é desses caras que fazem a gente ser a gente, defeituosamente a gente. E do jeito bom e lindo também.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Ecce homo

Pensando bem... "não", sabe? Não... Simplesmente não. Que saco. Chega dessa falsidade, do sorrisinho pra cá, do blablablá pra lá... stop it! Eu não sei até que ponto as pessoas vão para evitar conflitos, mas existe um limite até mesmo para o autocontrole. Eu não vinha pensando nisso, mas agora me pareceu realmente óbvio. Não se trata de uma resposta vingativa, mas de uma conseqüência. E só. Conseqüência originada por ações impensadas, puramente egoístas. Eu não deveria achar tudo normal, não deveria encontrar sentido onde ele não existe. E, tampouco, deveria aceitar algo que me corrói em troca da boa noite de sono alheia. Desculpas, desculpas, desculpas... dizer que simplesmente "aconteceu" não resolve nada. Não torna alguém menos responsável por suas ações. Os fins justificam os meios? Não. Nem sempre. Quandos lidamos com pessoas, temos que entender que o que fazemos afetam-nas diretamente. Ignorar isso só demonstra imaturidade. Dizer que cada um tem de cuidar de si não é o suficiente para me convencer de que podemos fazer o que quisermos com qualquer um, de qualquer jeito. Não... simplesmente não. Não querer enxergar isso é de uma covardia tão absurda. E cada interrupção do desabafo que fora silenciada? Se existe uma consciência, uma consciência que teima em parecer tranqüila, que ela arque com os resultados das ações de seu dono - que ela se mantenha intacta e preciosa diante da feia realidade. O não querer não justifica o erro - a imprevisibilidade é uma constante, não uma aliada. Não critico aqui o que outros chamariam de mentira, mas a negação dos fatos (a fuga, a cegueira, a surdez momentânea). Posso oferecer uma possibilidade, mas a certeza já não me pertence. E não acho triste isso: pior seria cultivar a angústia de ver tudo acontecer sem esboçar nenhuma reação. Não vou ficar confortável em continuar fingindo não ter nenhuma opinião a respeito de tudo para que os dias pareçam mais coloridos e felizes. Já não falo em estado de luto, mas na posição de alguém inteiro que se decepcionou. E acho engraçado esse tom de culpa que existe ao dizer que se está decepcionado - como se a culpa fosse minha de esperar mais do que um indivíduo me deu. A fantasia, é claro, faz parte disso - mas as atitudes das outras pessoas partem unicamente delas - e, quanto a isso, não há quem se salve de alguma inferência. Sensibilidade serve justamente para evitar conflitos maiores. Tato. Só isso... não me parece difícil. Difícil é erguer a cabeça todos os dias e se sentir orgulhoso de quem você se tornou. Mais do que orgulho, sentir que existe um reconhecimento pelas ações arquitetadas. Enfim. Se não está tudo bem, não está tudo bem. Um dia, isso se ajeita. Ou não. E que seja (ou não seja) do jeito que acontecer.



Eu quero ser alguém capaz de me tornar o que eu sou, e não apenas viver acreditando ser alguém.
O que alimenta a imagem não enriquece a alma. Pelo contrário, só faz aumentar o vazio.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Fat'bottomed Girl

"Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro também
Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também"

Esse trecho de "Eu sei" tocou em boa hora: estava conversando e refletindo sobre o ser humano - o ato propriamente dito. Ok, não exatamente tão vago assim... O assunto é mais direcionado para situações "dolorosas". Sim, vale a idéia de que o sofrimento é opcional (a velha história) - transformar o luto em melancolia é só para os artistas... Tenho um amigo um tanto Shakesperiano, e (sei lá se ele sabe disso) sinto um superorgulho da atitude (um tanto romântica) dele de mostrar suas fraquezas, pedir auxílio e, enfim, não bancar o machão insensível. Não pretendo dar início a um discurso do gênero "mulheres gostam de caras sensíveis", a idéia não é nem de longe essa. E nem sei se gostam ou não. Pouco importa. Ele está mais maduro, menos dramático talvez. E anestesiado (eu gosto dessa idéia). Depois de um tempo, independente do aprendizado que adquirimos e da freqüência das decepções, acredito que vamos nos acostumando com os fatos e sentindo-os menos a cada vez que se repetem. Não é que sejamos tolos a ponto de deixarmos tudo acontecer do mesmo jeito, não é mesmo. Cada caso é único. Enfim, só queria dizer que acho bonita a verdade, acho que as lágrimas são dignas - foda-se se o responsável por elas merece ou não. Foda-se. Umas das coisas mais admiráveis pra mim é justamente a grandeza de cair e levantar. No palco, na vida, anywhere. Eu falei sobre isso aleatoriamente. Não me identifico com essa situação. Na verdade, fiquei pensando que eu adoro (mesmo) relacionar amigos com personagens equivalentes [?]. Até hoje, acho que só fiz isso com dois. Lestat/Louis e Arthur. Ok, o primeiro exemplo ficou meio infeliz. Mas eu gosto dos dois, acho que se completam. E o Arthur, ah... Nossa, sou apaixonada pelo Rei Arthur. Arthur, Morgana, Merlin, Vivian, blablablá... Quanto ao Holden Caulfield, sei lá... eu sou ele, é meio arriscado desejá-lo na minha frente. Fora que ele é um tanto cinza. Mas um tanto cinza mesmo. Tem dias que nem eu me agüento. Mas , enfim, o Holden é eterno. Eterno. Por falar nele, hoje eu vi a terceira edição (terceira!) do Apanhador em cima de uma mesa e, ai, babei. Bons livros quando são velhos são tão mais atraentes. Ai ai. Nossa, estou muito emocionada com as aulas. Tipo muito mesmo. Aquilo de chegar em casa exausta e ir correndo ver o que tem pra fazer. Nesse domingo, bizarramente eu senti falta de ir pra UFCSPA. Senti falta das pessoas, dos comentários, das risadas. Às vezes, é verdade aquilo que dizem sobre uma janela se fechar e uma porta se abrir. Sou meio teimosa, mas procuro manter a cabeça aberta. Sei lá, eu sou boazinha. Não do tipo padrão, é claro: eu invento apelidos e sou um tanto cretina mesmo. Mas sou boazinha. Acho interessante o diálogo, necessário ceder, fundamental respeitar. Não é uma boa idéia do destino me fazer pensar que minhas primeiras impressões, meus primeiros julgamentos, estão certos: mas é delicioso poder pensar que minha intuição é generosa comigo. Ok, essa frase ficou estranha. Sei que ando falando com gente diferente, que tem me surpreendido litros. E tem sido ótimo. Cada vez mais eu me acho meio esquisita por ser a saiazinha entre as bermudinhas [?], mas, no fundo, é o que me faz bem. Acho que os caras te mantêm no lugar, gurias te puxam pra lá e pra cá. Ah, não quero explicar isso. De qualquer modo, sou aberta. Gosto de cuidar dos meus amigos, gosto mesmo. E tem sido um ótimo período pra isso. E eu estou parando de roer unhas do nada. E comendo menos chocolate (mas isso aí não reflete exatamente a minha vontade...). Eu acho engraçado quando sofro com essas mulherzites do tipo se identificar profundamente com "Bette, a feia". É tão fácil conhecer o inferno às vezes. Enfim. Ui, achei muito profundo e exagerado o que eu disse. Eu queria ficar falando sobre qualquer coisa, mas foi inevitável falar de mim. Acho que estou bem. Não tenho certeza, depende do momento. Depende de o quanto eu estou disposta a refletir sobre minhas atitudes de uma maneira justa para mim e todo mundo. Eu sou trouxa, sou trouxa o bastante para me ferrar no lugar dos outros. Mas é puro egoísmo isso, puro egoísmo segundo a filosofia. Infeliz como parece que eu estou propaganda de "Ivy, a coitada"... Nem é isso. Sabe, ainda que eu me ferre, eu faço o que me faz bem. Se eu achar válido me ferrar, eu me ferro. E acho que ultimamente eu estive suportando muitos problemas que não eram meus - não estou tão disposta a me sujeitar a certas situações. Continuo sendo uma "pessoa substituta", do tipo que quer te deixar bem a todo custo. E continuo me identificando com a Clementine, mesmo que não deseje a história dela. E, antes de tudo, continuo exercendo meu papel de "pessoa-que-espera". Só que eu cansei por ora, só isso. Festas animadas, com gente esquisita e gente linda, têm me alegrado, me feito pensar. Mais do que nunca, tenho adorado ser a dona da casa e a dona da minha vida. O final foi só pra fechar com estilo, porque a preguiça de escrever mais bateu. São 04:18 no relógio. E, sei lá, não estou "blé". Me disseram que pareço mais insensível e estou mais fechada. Talvez. Creio que sim. Mas continuo sendo eu, seja lá o que isso signifique. Estranha necessidade de ser abraçada em conflito com a vontade de evitar qualquer contato. Ok, não necessariamente qualquer contato. Mas odeio os nordestinos e analfabetos que surgem no msn. De novo não é um bom "final". Ok, acho que fica mais bonitinho se eu disser que estou com vontade de caminhar por aí e falar merda em boa companhia, comendo balas de gelatina ou qualquer coisa que me faça pensar que minha barriguinha é de felicidade [?]. Ou não. Beijo pro meu pai, pra minha mãe, e pra você!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Peach, Plum, Pear


We speak in the store
I'm a sensitive bore
You seem markedly more
And i'm oozing suprise
But it's late in the day
And you're well on your way
What was golden went gray
And i'm suddenly shy
And the gathering floozies
Afford to be choosy
And all sneezing darkly
In the dimming divide
And i have read the right books
To interpret your looks
You were knocking me down
With the palm of your eye
Go; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na
This was unlike the story
It was written to be
I was riding its back
When it used to ride me
And we were galloping manic
To the mouth of the source
We were swallowing panic
In the face of its force
And i was blue
I am blue
And unwell
Made me bolt like a horse
And; na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na na na
Na na na na na na na na
Now it's done
Watch it go
And you've changed so
Water run from the snow
Am i so dear?
Do i run rare?
And you've changed
So
Peach, plum, pear
Peach, plum

Joanna Newson

domingo, 23 de agosto de 2009

Bagunça emocional.

"Você vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"


Aquilo ecoou na minha cabeça de tal forma que, quando a oportunidade surgiu - meses após ouvir a pergunta -, eu fiquei perturbada e nada fiz. Fiquei estática, olhando sua cabeça repousar sobre os braços. E nada fiz, nada fiz. O que tenderia a ser um gesto espontâneo poderia ser interpretado, naquele momento, como um pedido silencioso ou uma declaração indevida. Fiquei com medo de ser não-entendida - até porque, talvez, qualquer opinião extremista sobre a cena resultasse em erro. Carinho é uma coisa, vontade é outra completamente diferente: mas os significados podem servir de complemento um para o outro. Como as pessoas - diria alguém bem mais apaixonado.


"Você vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"


Diante daquela expressão tão bonita, tão plácida e convidativa, não tive como dizer que não. E minha resposta não seria outra mesmo, nem cogitei refletir mais em cima disso. Não se tratava de uma possibilidade, mas de um destino. Destino? Não... muito forte, muito brega, muito definitivo. Se tratava de uma certeza de que tudo continuaria a ser do jeito que era. Logo, não havia razão para não continuar fazendo o que se fazia. Preservar e melhorar o que é bom, desmistificar e solucionar os desprazeres. Como uma receita de bolo - diria alguém não-sei-de-que-jeito-mas-não-do-meu.


"Você vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"
"...vai continuar fazendo isso sempre?"


Vou. Só porque não o fiz naquele momento, não quer dizer que seus cabelos se verão livres da bagunça dos meus dedos. Ou o contrário. Ou sua bagunça mental, ou minha bagunça emocional. O fato é que o que é bom não se perde. Para os casos mais extremos, existe o poder da lembrança - a coincidência de ouvir uma música tocar e o coração bater na mesma freqüência, como fora em tempos passados. E não aceito a palavra de mais ninguém como sugestão para essa história.




terça-feira, 11 de agosto de 2009

WaitingPeople

E se eu me apaixonar pelo Inverno, pelo frio do Inverno? Terei de esperar por ele durante as outras estações... E sentirei saudade, sofrerei com isso: a mais leve brisa trará a lembrança do frio. Terei de aprender a conviver com o calor, com a luz, com as cores - com todas as mudanças de cheiros, pessoas e lugares. Mas esperarei. Esperarei pelo Inverno, esperarei por ele: verei as árvores se encherem de flores e frutos e, num segundo instante, recolherei algumas das folhas secas do tapete marrom que cobrirá os gramados intermináveis. Será bonita a espera, serão tristes as incontáveis despedidas. Contarei os dias e os meses para estar próxima ao meu amor - cujo calor se destinará a mim. E como seria isso, o calor do Inverno? Seria frio, frio e pálido como toda a estação. Cinza, gélido, mas ainda delicado. As nuvens nos impressionam, nos intimidam, mas nada mais fazem do que defenderem-se da fragilidade em que se encontram. Eu entenderia as nuvens, conheceria os ventos, suportaria e amaria o frio. E o faria quantas vezes fossem necessárias, sempre que eu sentisse desejo. Me apaixonaria e me deixaria levar pelo Inverno. Seria tola, seria cega, seria feliz e apaixonada com minha condição de pessoa-que-espera.




Pessoa que espera.
Pessoas que esperam: esperam por serem passivas ou pacientes em demasia ou terem esperança ou terem certeza ou não terem nada. E mais vários outros ou's. Esperam porque constantemente estão divididas - divididas entre fazer o melhor para o outro e o melhor para si. Dizem que quem gosta cuida, mas quem gosta também deve deixar o outro ir - se é isso o que ele quer. Deve?! Como aceitamos ficar sem o que nos faz bem? A felicidade alheia nos alimenta? Sentimos pena de nós mesmos? Somos ridículos por não lutar? E por lutar em vão?


Esperar. Esperar por uma pessoa, por uma resposta, por uma verdade (por vezes dolorosa), por uma mentira bem-empregada, por um sorriso, por um gesto, por uma explicação, por qualquer palavra que quebre o gelo, o silêncio, o vazio amargo da espera. Ah, a agonia de não sentir o tempo passar... Nada mais angustiante do que estar de fora dos acontecimentos, assistir à realidade com os mesmos olhos sonhadores de antes. Não se deseja o que é platônico, mas o que é belo - de preferência, sua face sólida e alegre. A busca pelo concreto nem sempre se dá experimentando, mas observando as coisas e analisando seus movimentos. E, ainda assim, existem vezes em que nem o que é óbvio se mostra claro...


Chega dessa história. Basta! Sem mais aquele drama de "se foi" e "nunca mais". Eu não digo nunca, não digo sempre - sou completamente "talvez". Espero, esperava, esperei. Esperaria e esperarei. Conjugarei 'esperar' de todos os modos, pois sou uma das tantas pessoas que esperam. E não deixo de fazer acontecer por esperar. Não, não deixo de viver. Pelo contrário: vivo tudo intensamente. Intensamente.

E, cada vez mais, me aproximo daquela sensação calma de ser uma Claire. Quero saber sobre as pessoas, ouvir suas histórias, entender o que sentem. E me sentir importante, me sentir parte disso - ainda que temporariamente. Não acho que eu tenha um lugar, não acho que a gente deva ter um lugar fixo. Faço o que me satisfaz, ainda que isso, por vezes, signifique um pouco de masoquismo emocional.

Eu esperaria pelo Inverno sem angústia, suportaria qualquer coisa. O faria, num passado ou num futuro. Talvez o teatro tenha custado a passar diante dos olhos da platéia, talvez as falas tenham se repetido. O fato é que demorei a entender a mensagem. Às vezes, o susto só faz piorar a morte. Mas eu esperei, esperei por isso pacientemente. E as palavras não vieram com o mesmo vento que me dizia seus contrários. "Há males que vêm para o bem"... Ok, próximo round. Estranha-estranha paz interior.








"I don't love you anymore. Goodbye."
{Closer}





domingo, 9 de agosto de 2009

friendshit

Eu fiquei superafim de escrever, me senti inspirada pelo clima chuvoso ao extremo e a little bit pressionada porque o último post foi escrito há certo tempo... Acabei de ler um texto do Gui que me deixou super pensativa, e me deu vontade de ficar falando aleatoriamente de novo - eu tinha perdido um pouco a empolgação inicial depois de ficar relendo umas coisas que eu postei aqui (li "Né" e achei meio assustadora a forma com que eu poderia escrever quase a mesma coisa num dia desses. exceto a parte do banheiro, que eu achei extremamente desprezível). Eu queria escrever uma daquelas historinhas bestas de ficção, não exatamente cheia de diálogos, mas a vontade de continuar escrevendo enquanto Ivy é bem maior nesse instante. Sabe, eu odeio quando a inocência acaba ficando mais próxima de ser um defeito. Por situações traumáticas de quando se é uma criança e está crescendo e por reforço às idéias de Holden [Caulfield], eu fico realmente tocada com o jeito que inevitavelmente somos corrompidos. Ok, exagero - e não necessariamente tudo a ver uma coisa com a outra. O fato é que eu acabo sendo mais tola do que deveria, às vezes, por tentar manter um ponto de vista 'virginal' sobre as coisas e pessoas. Eu me irritei mesmo quando, depois de esclarecer intenções, a pessoa tirou da manga uma série de bobagens e blefes. Não tenho nada contra perdoar erros, equilibrar a culpa - fazer cada um assumir a responsabilidade por seu papel -, conversar e tentar recomeçar. Gosto dos vilões, dos disfarces, das estratégias - gosto da maldadezinha bem empregada. Só não gosto de jogo sujo, de envolver na farsa alguém que não tem nada a ver com a situação (e muito menos tem chance de se explicar). Não estou tirando meu corpo fora, realmente fui muito idiota e imatura ao deixar me influenciar por uma visão alheia a tudo e completamente pretensiosa. Em horas assim, me lembro de antigas conclusões que se tornaram metas ao longo do tempo. Como pude esquecer que só quem tem o poder de falar sobre suas emoções é a própria pessoa?! Enfim, tudo se torna motivo quando se busca o caminho mais fácil - o de seguir o que é aprazível, ainda que irreal. Ou isso ficou uma coisa confusa e impossível de entender, ou ficou óbvia (e, de repente, um tanto revoltante. sei que não deveria deixar certas coisas tão esclarecidas em 'lugares públicos'...). Ok, vou ficar devendo um post-tentativa-de-ser-super-bom-ou-no-mínimo-entendível. Sorry, guys. Tempestade em copo d'água ou não, fico super contrariada quando vejo que não mediram as conseqüências antes de falar certas coisas - não no sentido de 'hohoho, vocês não sabem com quem estão lidando - vou me vingar!', mas lembrando que, em certas situações delicadas da vida, uma palavra com um sentido ambíguo ou uma mentirinha podem realmente ferrar tudo.

(um post tão pequeno e tantos marcadores, ora pois!)





quinta-feira, 30 de julho de 2009

you found me

Eu acordei com um sonho ruim, mas acho que pior do que ele foi mesmo ter que acordar sem ter uma certeza de que ele estaria mesmo distante de se tornar real. Acho superengraçado quando eu estou tão brega a ponto de isso ser comentado. Vergonhazinha pelo penúltimo post. Cara, ando escutando muito The Fray e descobri que Little Joy é tri legal. Queria ver se termino de ver um filme hoje de noite, e termino mais umas últimas coisas da roupa das apresentações. Sexta vou ficar correndo pra lá e pra cá e todas as minhas atividades desse dia oferecerão apenas 50% de chance de serem boas [?]. Enfim, eu quis dizer que tudo será na base da supresinha. Mas acho que será ok. Não tô tão ansiosa pra sábado quanto eu estaria no ano passado, mas acho que isso é um bom sinal. Mais poder, mais responsabilidade... blablablá. Querendo ou não, acho que todos somos capazes. Mas aí já misturei as coisas. Tenho lido bastante os blogs dos outros, me identificado com alguns textos, enfim. Acho tão legal quando as pessoas escrevem e, de algum jeito, eu consigo enxergá-las nos textos (digo elas são sinceras e escrevem bem sobre si mesmas). Eu tô bem, tô toda embaralhada. Acho que algumas certezas que, de repente, eu mostrei aqui nos últimos tempos estão mais fracas. Me acostumei com as férias, não sei como será o recomeço: novo semestre, a velha rotina de um jeito diferente. Falei com pessoas com quem o diálogo foi praticamente inexistente nos últimos meses, e foi legal. Sei lá, algumas coisas não mudam. Existe o lado ruim disso, mas também existe a segurança. Eu gosto do sabor da nostalgia - ainda não sei conviver com a agonia de tudo, mas gosto do bege das memórias guardadas. Eu tenho pensado que realmente as pessoas (eu me incluo aí, of course) não têm noção do poder das palavras. Cada história que eu escuto, cada coisa que eu vejo acontecer... Não sei quando a melhor saída é o protesto, ou se bancar o indiferente sempre é o ideal. Existem situações cotidianas que se tornam um saco se a gente não se impõe desde o início... Enfim. De algum jeito muito esquisito, minha aparência de menor de idade tem sido questionada - isso é mais infeliz do que parece. Não que seja a pior coisa do mundo parecer ser mais novo do que é - na verdade, eu gosto -, mas, às vezes, se torna um saco. Existem pessoas que eu conheço que têm a péssima mania de classificar as dores - comparar o que cada um anda vivendo e dar um diagnóstico apontando o que é pior. Ah, ridículo. Ok, me deu uma coisa e senti vontade de parar.




Ok, eu andei vendo bastante o clipe de "She will be loved" (Maroon 5). Acho bem tetiante.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

All at once.


There are certain people you just keep coming back to
She is right in front of you
You begin to wonder could you find a better one
Compared to her now she's in question
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you started to compare to someone not there
Looking for the right one you line up the world to find
Where no questions cross your mind
But she won't keep on waiting for you without a doubt
Much longer for you to sort it out
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you started to compare to someone not there
Maybe you want it maybe you need it
Maybe it's all you're running from
Perfection will not come
And all at once the crowd begins to sing
Sometimes
We'd never know what's wrong without the pain
Sometimes the hardest thing and the right thing are the same
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you've started to compare to someone not there
Maybe you want it maybe you need it
Maybe it's all you're running from
Perfection will not come
Will not come
Maybe you want her maybe you need her
Maybe you had her maybe you lost her to another
To another

{The Fray}



quarta-feira, 22 de julho de 2009

"I love everything about you that hurts."

oi, eu não sei jogar. quer dizer, a gente sempre acha que sabe - apesar de eu, particularmente, achar desnecessário tentar acreditar que é possível tratar isso como um conhecimento a ser adquirido. pessoas são pessoas, relacionamentos são relacionamentos. tudo muito ímpar, muito diferente, muito incomum: as histórias parecem se repetir, mas não... simplesmente não.

eu disse isso porque, não sei, eu tenho essa mania de achar que a sinceridade pode transformar tudo. não há razão em dizer que eu não me importo se, no fundo - ou não tão fundo -, eu me importo. eu me importo, eu me importo mil vezes se for preciso. me importo. pronto.

e ler - ler que sim, ler que não, ler que tudo ao mesmo tempo - é tão estranho. desconfortavelmente reconfortante. agoniante, mas bom. estranho, puramente diferente do habitual. "diferente do habitual" - quanto eufemismo... não, não vou amenizar quando o que eu sinto é necessidade de gritar, de explorar meus limites em relação ao meu estado.

esperar? ok. direi o que for necessário dizer, ouvirei qualquer coisa como resposta. será assim, espontâneo e doloroso. posso ficar muda, mas não vou calar a boca. não tenho que fazer isso, não sei fazer isso. sou tola, talvez, por não jogar. e o que é esse jogo? quem foi que disse que eu estou jogando?

não sei o que pensar, o que sentir, o que entender. e acredito que a gente passa a maior parte do tempo sem saber, só que não dá bola. a gente só faz, faz o que acha, o que a intuição diz pra fazer. e não se importa até ver o resultado. essa coisa de se importar desde antes é típica de quem está confuso, de quem não sabe ou não quer jogar.

eu faria quase qualquer coisa, como sempre foi. e continuaria jogando, jogando do jeito errado, mas me divertindo. a única regra imposta era não derrubar a bola preta, mas foi só o que eu consegui. merda. mil vezes merda.




Sacanices

Se tem uma coisa sacana de se fazer é já agradecer a alguém por um favor ainda não atendido: é como se a pessoa fosse obrigada a fazer o que se pede. Mais sacana ainda é fazer aquelas declarações de amor vergonhosas em público. Puxa, faria uma lista de coisas sacanas. Acho sacana o Programa do Didi, ou seja lá o nome que isso tenha. Hoje eu estou num desses dias em que você acorda e quer proteger as crianças da maldade do mundo (eu espero que todos já tenham tido ao menos um dia assim...). Mudando totalmente de assunto, ontem eu vi a estréia de um programa extremamente revoltante. Quer dizer, eles juntaram tudo de essencialmente "mulherzinha" num lugar só. É como se fosse a versão audiovisual da revista Capricho ou algo assim. Eu realmente acho curiosa minha paciência para com alguns programas de televisão. Fico pensando se quem assiste às porcarias fica realmente contaminado ou, sei lá, se sente em parte triste por estar perdendo seu tempo. Ok, lamentável e nojentinho da minha parte. O programa tem como objetivo ajudar pessoas (até então, só vi meninas nas propagandas) que estão na fossa, com dor de cotovelo, esse tipo de situação. E, para te tirar da rotina de cama e gula, te fazem fazer coisas ridículas. Eu fiquei passada quando vi a moça queimando bichos de pelúcia num fogão no jardim de casa - ok, se livre das suas lembranças, mas doe os brinquedos. E, enfim, queimar coisas não é legal. Ela ainda ligou para o ex-namorado para dizer aquelas coisas do tipo "não me procure, vou ser feliz sem você - não vou esperar você querer voltar para mim". Tudo bem, foram adotados cerca de cinco passos - um deles foi dar um up no visual, é claro. Essa história de mudar o cabelo eu vejo em muitas pessoas - é, se eu dissesse que não sou uma delas, talvez não parecesse muito sincera. A moça "superou", inflou o ego e ficou se gabando quando o cara quis reatar o compromisso que eles tinham um com o outro. Eu acho um tanto infeliz essa coisa de "veja como eu não preciso de você"... Enfim. Eu estou sensualmente gripada de novo, o que me aponta que esse início de semestre não será tão diferente assim do outro. Ok, estou falando demais. É que me deu vontade, vontade de repetir que eu odeio camiseta polo amarela, que eu só como maionese quando misturada com batatas, que todo dia é dia de ver o sol se pôr, que vento nas maçãs do rosto me faz sentir bem, que o fato de eu dizer que não sou fã de alguma coisa pode simplesmente significar que não a conheço o suficiente. Não gosto de falar de músicas, não gosto. Não conheço quem está por trás delas, os gêneros em que se enquadram, a relevância que tiveram em seus países. Músicas e livros são coisas que se tornam importantes por si só, pelo valor que cada um - "em seu íntimo" - deposita em cada nota, em cada página. E eu não sei por que estou falando disso. Me perdi nos meus pensamentos comparando o vício pelo consumo de alguma droga ilícita com o nível crescente de exigência que vamos criando ao longo de nossas experiências. Sabe, eu acho que crescer é uma das coisas mais difíceis do mundo: não se "deseja" amadurecer. Mentira, acredito que isso seja desejável sim. Estou insegura quanto ao meu gosto por finais infelizes e à indiferença para com algumas coisas que, por ora, eu pensava ter. No fundo, talvez eu me mostre contraditória mesmo: quando alguém se diz indiferente, geralmente anuncia que ainda se importa. E a indiferença também é uma coisa sacana, se for pensar bem.




Maçã Verde

"As pessoas se dividem em dois grupos: o grupo das que não olham para trás em despedidas e o grupo das que olham. Eu não saberia explicar como acontece essa diferença, visto que eu não consigo evitar olhar - não importa se sou eu quem está caminhando ou o outro alguém. Ou os dois. Se dividem em dois grupos também aquelas que guardam cartas e presentes recebidos de seus amores - eu gostaria de poder dizer que os indivíduos que não olham para trás são os mesmos que não se desfazem dessas coisas (mesmo que pareça contraditório), mas não acho que seja bem assim. Seria muito fácil dividir todo mundo em grupos e esquecer que existem exceções - entre as semelhanças e diferenças, existe algo muito mais subjetivo e "incomparável" (incomparável porque não pode ser copiado, medido, nada do gênero). Eu não sei onde queria chegar falando disso, juro que não. Sabe, eu fico feliz quando vejo que existe gente que se liga em pequenas coisas, detalhes, coisas do dia-a-dia que podem parecer bobagem mas que, no fundo, são o que realmente importam. Cheiro, por exemplo: cheiro é uma coisa comum - as pessoas pensam se gostam ou não de cheiro de gasolina e sabem escolher entre um perfume e outro, mas nem sempre valorizam o cheiro nem sempre bom de um livro novo, de grama molhada ou qualquer coisa dessas. Ok, isso não foi um exemplo original. Acho geniais as associações aleatórias entre coisas, pessoas, sentimentos. Acredito que bastante gente usa a música como instrumento de reviver memórias - e isso nem deve ser proposital. Não diria que é mecânico, porque tudo que é mecânico parece frio e exato, e não dá pra falar de emoções assim. Sabe, resolvi me abrir um pouco e falar de maçã verde. Maçã verde, cara, maçã verde! Maçã verde é realmente uma das melhores invenções da natureza (diria "criações", mas "invenções" soa mais engraçadinho): bonita, gostosa, excêntrica... acho que o encanto vem mesmo da cor alegre que, nem por isso, perde a maldade das maçãs vermelhas. Enfim, maçã verde! Nunca parei para pensar se já conheci uma pessoa-maçã-verde, talvez por idealizar muito a fruta. E prefiro não o fazer: maçãs verdes não me decepcionariam, mas, pessoas, sim. É como gostar muito de roxo e ver que uma pessoa super rosa-choque se acha uma pessoa-roxo... Não, não é a mesma coisa. Só quem é devidamente uma pessoa-roxo entende. No momento em que me encontro, não sei a minha cor. Talvez esteja entre lilás e cinza. Eu fico pensando nessas pessoas que querem que tudo seja metodicamente perfeito, de forma forçada e doentia - não acho que a felicidade deva ser planejada: ela acontece. Acontece como um produto de fatores e escolhas que contribuíram pra isso. Hoje vi uma garotinha feiosa na televisão: ela parecia que não tinha pescoço, mas tinha um nome lindo (London). Tem nomes que já agregam características aos seus donos, e London é um deles. Mas acho que um dos mais carregados de alguma coisa, um dos mais fortes, é Emily: eu adoro Emily - para mim, ele é verde e um pouco triste, contornado por inocência infantil (e um pouco da crueldade dos pequenos também). Uma música diz que nada pode ser mais cruel do que uma criança. Eu não penso nada em relação a isso - se eu concordasse, seria uma cretina. Já falei disso por aqui, eu acho. Já falei das pessoas que não olham para trás e dessa música da Sonata Artica, pelo que me lembro. Eu sinto falta de não ter um cachorro, e falta de ter apego com alguém de poucos anos. Poucas crianças não-fictícias me marcaram, eu acho: a irmã da Isadora, um primo e uma pequena de Israel (na verdade, essa última me rendeu muitos pensamentos e momentos legais). E o primo de uma amiga minha - mas acho que, nisso, houve influência de um filme. Às vezes, parece que eu sou meio anormal, meio robô. Eu sou do tipo que olha para trás, que guarda tudo que é tralha, que sabe que existe a música certa para cada ocasião, que tem medo de coisas banais. Me surpreendo quando não falo o que sinto vontade de dizer, assim como fico dias me culpando por dizer alguma besteira que sai da boca para fora. Eu diria que as mesmas pessoas "orgulhosas demais para se desculparem por dizer besteira" são as mesmas que insistem em não olhar por cima do ombro em despedidas - talvez por que sofram com isso. Ok, não faz sentido. Não existe lógica nessa divisão: tem coisas que a gente faz por fazer, faz por hábito, faz sem querer, faz sem pensar, simplesmente faz. "Simplesmente faz". Como "simplesmente fazer falta". Essa deve ser uma ação intransitiva, seja lá o que isso quer dizer. O fato é que as pessoas precisam de um pouco mais de cor, um pouco mais de poesia e sensibilidade. O último olhar torna tudo um adeus, isso é muito perturbador. Oh céus, preciso de um bom livro com cheiro não tão bom, de um cachorro (de preferência pequeno e branco, ou um labrador, ou um yorkshire) e de maçãs verdes numa cesta bonita e florida. Ora, que cena forçada. Combinaria mais com uma Emily jovem. Uma London não trocaria as calças jeans gastas e a poeira do asfalto para um passeio no parque - London é um nome urbano e azul-petróleo demais. Eu arriscaria dizer que quem é London não olha para trás, ao contrário das Emily's. É isso: as pessoas estão divididas em London's e Emily's. E só."


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