quinta-feira, 15 de março de 2007

O Grito

Ontem, enquanto eu tirava minha toalha do banheiro, eu ouvi um grito que veio da rua. No meio do burburinho do pessoal que sai da ESPM, imperou um berro horrível, quase urrado. Era um homem, que brigava com uma mulher. Ele gritou algo como 'não te aguento' mais de uma forma tão desesperada que quase jurei que ele estava chorando. Após dois desses gritos, três fortes barulhos de uma possível pancada numa mesa, ou algo que o valha. Bem alto o som.

-


ai ai. tenho uma festa bem gay pra ir no sábado. sinto que tenho os melhores amigos do mundo.

sim, os de longe ou puramente on-line também contam... e muito.

;) (tri que eu me animei aqui no msn e perdi o rumo da conversa)


beijos.



sexta-feira, 9 de março de 2007

Marcador de páginas!

O Convite

por Oriah Mountain Dreamer


Não me interessa como você ganha a vida.

Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar

em satisfazer os anseios do seu coração.


Não me interessa saber sua idade.

Quero saber se você correria o risco de

parecer tolo por amor, pelo seu sonho,

pela aventura de estar vivo.


Não me interessa saber que planetas

estão em quadratura com sua lua.

O que eu quero saber é se você já foi

até o fundo de sua própria tristeza, se as

traições da vida o enriqueceram ou se você

se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.

Quero saber se você consegue conviver com a dor,

a minha ou a sua, sem tentar escondê-la,

disfarçá-la ou remediá-la.


Quero saber se é capaz de conviver com a alegria,

a minha ou a sua, de dançar com total abandono

e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,

sem nos advertir que sejamos cuidadosos,

que sejamos realistas, que nos lembremos

das limitações da condição humana.


Não me interessa se a história

que você me conta é verdadeira.

Quero saber se é capaz de desapontar

o outro para se manter fiel a si mesmo.

Se é capaz de suportar uma acusação de traição

e não trair sua propria alma,

ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.


Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza

no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita,

e fazer dela a fonte de sua vida.

Querosaber se você consegue viver com o fracasso,

o seu e o meu, e ainda assim pôr-se de pé

na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia:

"Sim!".


Não me interessa saber onde você mora

ou quanto dinheiro tem.

Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,

exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer

o que porecisa ser feito para alimentar os seus filhos.


Não me interessa quem você conhece

ou como chegou até aqui.

Quero saber se vai permanecer no centro

do fogo comigo sem recuar.


Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.

Quero saber o que o sustenta,

no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.

Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo,

e se nos momentos vazios realmente gosta

da sua companhia.



quarta-feira, 7 de março de 2007

ACE













Ele pegou o revólver com cuidado, lustrando-o com um pano de feltro alaranjado.

Apontou para a própria cabeça, enquanto via sua imagem refletida no espelho.

O barulho ecoou por todo o apartamento. Pedaços de vidro cobriram o chão.

O homem, trêmulo, recuou alguns passos, olhando para os estilhaços ao seu redor.

Destruira o espelho.


Você pode destruir sua imagem, porém nada se modifica no seu interior.



quinta-feira, 1 de março de 2007

Vento no Litoral



A viagem foi boa. Sabe que estava frio na praia? Frio de usar casaco e tomar banho de chuva. De fato, pra mim veio em boa hora esse 'afastamento' do mundo. Não que lá seja um lugar total primitivo... mas é ótimo para desestressar. Na verdade, nem tão ótimo assim... se é que você procura algo realmente bom para fazer.

Trilhas e restaurantes mega naturebas... teatro do Fernando Pessoa (eu já vi... veria de novo, mas só vi os cartazes um dia depois da apresentação.)... vacas que comem salgadinhos ElmaChip's. Enfim, eu passei o tempo olhando para as diversas paisagens maravilhosas e lendo. Lendo muito.

Sabe, eu sinto falta de ficar me balançando (beeem rápido) na rede e cantando, enquanto invento histórias malucas... senti muita vontade de escrever, mas as canetas e o caderno são inimigos das minhas palavras: eu sento para escrever e fico só desenhando. Mas isso é bom também... sentia falta disso. Fora que eu viajo muito quando desenho...

Sei lá. Eu encarnei num livro do Harry Potter (o do Príncipe Mestiço). Achei realmente muito bom. Fiquei uns quatro dias sem mexer o pescoço, só lendo... hahaha. Pode soar babaquinha ou infantil, mas realmente gostei do livro. O melhor da série, sem dúvidas. Os outros mostravam o lado mais 'turminha em ação', meio sessão da tarde, do menino Harry. Esse, sei lá, é bem mais forte. Bem mais maduro.

O início é um porre... comecei a ler umas sete vezes, até ir em frente e começar a babar pela história. Eu gostei de como esse livro foi mais equilibrado... tipo com ganhos e perdas... O Harry era sempre o fodão. Ok, isso não mudou muito... mas gostei. Snape, Snape...

Meu primeiro gato vai ter o nome de Sirius Black. Não porque eu amo o personagem, nada disso. Apenas acho o nome muito bom, muito mesmo. O certo seria ter um cachorrão preto, seria mais coerente. Mas cachorros têm cara de bobo, e o nome Sirius é total malicioso. Gatos são cretinos, é o instinto.

Eu não queria estar falando da praia, mas enfim. Acho que cresci um monte lá. Eu fiquei sem pc, sem música, nem vendo mais que uma hora de pc por noite. Ok, talvez duas. Mas fiquei pensando muito... o que fazer da vida, quem eu sou, quem vocês são e o que representam pra mim, sei lá. Fiquei pensando na minha loucura, admirando o Renato Russo, criando teorias e coisas a dizer.

Ontem eu me desculpei por não saber ser doce, para uma pessoa. Eu nunca sei o que sinto por ela. Talvez eu me sentisse comparada demais, e eu não gosto disso. Éramos muito parecidas. Ainda somos, muito mesmo. Mas, claro, existe uma certa polaridade. E umas fofocas no meio disso tudo. Mas enfim, ela é especial, eu não posso negar isso.

Eu sou muito grossa as vezes, sem perceber. O Dado falou algo do fogo uma vez, signos de fogo... por mais intencional que seja, por mais carinhoso que tenha que ser, o fogo sempre acaba ferindo. E eu fiquei pensando em Jesus e na história toda. Noticiários... Oh, acharam covas... Oh, Poltergaist.

Pensando bem, eu gosto de Jesus. Ele deve ter sido um cara muito bom de conversa... Gosto da idéia dele ser um homem comum. Mas não gosto da pose da Igreja, em relação a isso. Deus é outra história. No fundo, eu prefira voltar à Grécia Antiga e acreditar naqueles deuses todos, tão sedutores... O homem estraga tudo.

E eu pensei em coisas aleatórias interligadas, como opção sexual, cabelo, beijo e individualismo. Eu me sinto em um gueto às vezes. E eu fui consumida por uma depressão terrível. Sabe, tinha uma confeitaria lá que seria um belo cenário para filmes de terror, tipo A Casa de Cera. Tri que a casa de cera poderia ser um lugar de depilação. Seria um horror do mesmo jeito...

Eu comi uns queijos gostosos, sonhos e muitos pães fofinhos. Eu li sobre máscaras cremosinhas, para a pele e o cabelo. Eu vou fazer reeducação alimentar. Sabe, ando sempre com pirulitos agora, o que não é um bom sinal. Talvez seja coisa da idade... estou crescendo e não tenho um rumo. Sabe, eu daria uma boa empreendedora. Hoje me diverti muito com matemática. E eu preciso de uma análise... para saber se tenho capacidade de fazer isso com outras pessoas.

Estou doente por dentro. Mas não é nenhum remédio ou uma noite que vai curar. Senti uma puta saudade do Bruno, do Shaolin. E de mais algumas pessoas, mas principalmente esses dois. E eu achei um marca páginas que vale ouro... existem belas coisas escritas nele. Levei material para aprimorar rabiscos e entender astrologia, mas gastei esse tempo lendo o livro da Matrix. Que droga, meus livros não estão aqui em casa... Só a introdução desse aí é uma riqueza... e bem longa... ainda nem cheguei na história mesmo, de fato. Tenho tantas coisas a pesquisar... desde o funcionamento dos ovários até hare krishna e Rousseau.

Agora eu tenho um novo sutiã favorito. E agora o 'vento no litoral' me acompanha todo o tempo. "Tempo, tempo... falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio..."


sábado, 10 de fevereiro de 2007

Pausa

Acho que é o último post antes de eu viajar. Vou para SC nesse domindo, de noite. Volto dia 27.
Enfim.
Enlouqueçam.... a loucura canta e encanta.
(a figura é referente ao post anterior)

Pandora's Box

Esticou os braços de tal forma que sua camisola de flanela inglesa, reflexo da mais pura ingenuidade, deixou a mostra suas pernas de menina. Por um momento, se esquecera que o banco em que firmava os pés era frágil demais para seu tamanho... perdeu-se no doce sabor da curiosidade. Tão pequena e tão humana... tão certa e tão errada... A caixa, no topo do armário, não lhe chamava atenção alguma - até que um dia lhe foi proibida.
A madrugada fria não lhe impedira de tentar, mais uma vez, provar das maravilhas que se escondiam naquela caixa. Tanto silêncio era motivo de música. Tanto mistério tornou-se o estopim daquela travessura... maldita travessura. Os dedos magros e curtos, tomados de vontade e anseio, tateavam a prateleira numa busca incansável pelo desconhecido... desconhecido desejado.
A pele alva e sardenta, coberta por fios do cabelo acobreado, já não mais exalava a solidão. Pois, na busca dos prazeres, na construção do alicerce dos sonhos, Pandora descobriu o mundo. Pandora descobriu a vida e a morte... e a magia do surreal. A caixa agora deslizava por suas mão pequenas. Ganhara a cor vermelha, ao sair das sombras em que se encontrava.
A camisola de babados agora já não dizia nada. Rosa já não simbolizava a feminilidade nem o amor. Os olhos da menina fundiram-se com o brilho que se libertou da caixa. O laço de fita negro e a tampa envernizada que encerravam aquele segredo foram atirados ao infinito maravilhoso daquela sala, que já não era sala. Um cheiro de terra chegou ao estranho sorriso da menina. Sorriso de menina travessa.
O conteúdo do desconhecido pesou nos braços da pequena, que num ímpeto de desequilíbrio deixou que a caixa tocasse o chão. Tudo se libertou. Tudo o que não deveria ter se libertado agora voava com esplendor. Ganhava formas, ganhava asas... deixava, aos poucos, de ser fantasia.
Pandora sentiu medo da gargalhada sombria que ouviu. Era sua voz... que agora invadia seus ouvidos como rajadas de espinhos. A caixa estava agora distante... mais do que antes já estivera. O banco já não era o que separava o chão do céu, mas o que a limitava nas fronteiras do inferno.
"Se esconda, Pequena Criança. Se esconda, menina Pandora."
Seus sonhos nunca mais foram os mesmos.
Seu mundo, agora, é uma caixa vazia de sentimentos.
Vazio de sentimentos agora recheavam uma camisola de flanela... tão inocente e de olhos tão tristes. Pandora já não reconhecia sua voz, nem a pedra do anel de sua mão. Nem os dedos longos e a pele rosada nas maçãs do rosto. O tempo voara tão depressa... ganhara formas e cores... ganhara a inocência perdida, perdida naquela tarde de chuva.
E agora se sabe que a noite é uma criança... uma criança travessa, sem medo de ver. Pura curiosidade e desejo, pura brincadeira - mas toda brincadeira um dia acaba.
"Foge, Pandora, foge."

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Estrelas

É estranho ter que mentir para os olhos para evitar transformações dentro do coração. É estranho se acostumar com uma idéia que é puramente abstrata e alimentá-la com o que há de mais concreto. É estranho tentar evitar seu maior desejo.
-

Eu já não sou mais tão dedicada à poesia como eu já fui um dia. Agora eu leio e escuto música. Muita música. Tantas e a mesma, ao mesmo tempo. Hoje eu fiquei pensando muito. E é estranho quando duas pessoas se evitam querendo, no fundo, não se evitar. Tem horas que eu realmente não tenho o que dizer e hoje é um dia que eu facilmente ficaria em silêncio.

Ahh, mas esse vazio me cansa. Este é diferente: não precisa ser provocado, não precisa de razões - simplesmente as têm. Não são lembranças, nem frases na memória, nem melodias nem cenas que atordoam, mas o simples desejo de que sobre algum resquício. As vezes, eu penso que não conheci nada. Outrora, acho que já foi o bastante. Suficiente ou não, o que sei é que preciso. Simplesmente preciso. Do que eu já nem sei.

Dá uma estranha sensação de liberdade, uma sensação de que tudo vai dar certo. Mas não passa de sensação. Ontem foi um dia ótimo. Com festa, bebida e amigos. Música ótima. Lugar perfeito. Enfim... mas é estranho ver uma 'presa' na sua frente e não ter vontade de atacá-la. Não chega a ser desmotivação, mas algo do tipo 'porque?'.

Meus objetivos não são os mesmos e, no fundo, gostaria que fossem. Gostaria de resgatar em um beijo toda a paz que me foi roubada. Gostaria que todas as linhas tortas formassem a mais bela composição. Mas logo eu, que já nem sei o que eu quero... Fica a saudade do meu 'eu simples'. Agora me chamo complexidade. Emoção, aventura, veneno.

Quisera eu contornar a primavera... mas não, ela sempre volta. Por mim os dias seriam todos cinzas e gelados. Por mim. Mas 'por nós' eu já nem sei. Existe isso? É estranho quando tudo é plural e nem sequer é mútuo. E eu amo o fato de isso aqui ser um código. Um código só meu. Acho que ninguém entenderia o que se passa e isso é realmente gostoso. Podem ser delírios e sonhos de uma pessoa apaixonada, ou frustrações de uma criatura ranzinza e leiga. Tanto faz.

E hoje seria um ótimo dia para caminhar ao vento e encontrar um vampiro. Ouvir suas histórias e depois entregar o sangue. Ou não. Mas hoje também seria um ótimo dia para novas idéias. Abrir a cabeça e deixar a vida te embalar. Só não sei se estão prontos para mim. Você amaria um alguém sem condições de amar? E se, no seu pulso, estivesse cravado um símbolo... e você não pudesse subestimá-lo?

Muitos preferem morrer. Eu prefiro entender. Isso também é morte.


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