É meio estranho estar entre a idéia do "aproveite cada dia como se fosse o último" e a situação de ver os dias serem muito parecidos, mesmo quando existem surpresas (que nem sempre são boas). O hospital mexeu muito com a minha cabeça, isso é fato. Ontem eu saí dali, fui para um pub encontrar pessoas queridas e, por acaso, encontrei uma ex-colega de escola. E foi algo legal e super espontâneo e eu fiquei feliz. Eu fico fascinada com esse poder de pequenos momentos ou algumas palavras mudarem completamente o clima do dia. Enfim, realmente me emocionei. Foi tão inesperado! E, num horário qualquer, eu peguei um ônibus e o "poema" na janela mais próxima de mim se dirigia a algum passageiro em pé. O autor desejava que esse passageiro lesse o poema com uma gota de chuva escorrendo pelo vidro. Isso foi ontem. Hoje eu peguei mil ônibus, alguns lotados, e a chuva forte foi uma constante. E eu olhei para aqueles vidros embaçados cobertos de gotinhas de água e calor humano e tal e realmente fiquei emburrada quando lembrei do poema. É incrível como uma coisa pode ser linda num dia e péssima no outro. Pelo menos pra mim. Pelo menos às vezes. E nesses tempos de repensar a importância das pessoas, reesquematizar a vida em alguns aspectos, fiquei atenta a algumas palavras adultas. Viva o perdão, esqueça a raiva, a mágoa, o não sei que lá. Eu não sei até que ponto essas idéias limpas podem ser colocadas em prática. Eu sou a favor daquela sinceridade suja, de se descabelar por alguma coisa por sentir necessidade. Mesmo que depois se perceba que a situação não merecia tanto. Acho importante o momento presente, os impulsos, a confusão toda. Tudo bem, eu costumo agir como a Sra. Pretérito, mas realmente dou mais valor ao momento da ação, ao choque, enfim. Então, eu me sinto meio desafiada (e porque não 'ofendida'?) com essa história de perdoar, passar a limpo, etc. Não que eu viva em profundo caos e discórdia, hahaha. Tem uma frase de uma música que eu gosto que diz "Deixe de lado os compromissos marcados, perdoa o que puder ser perdoado, esquece o que não tiver perdão e vamos voltar àquele lugar...", e eu realmente consigo adorar isso, mas não é algo que habita a minha cabeça. Eu realmente acho que a base disso vem da idéia de que no fim, quando morrem, todas as pessoas são boazinhas. Não falo em céu, mas em fatos. Até o maníaco do parque de não sei onde tem família, sei lá. E eu acho que faz parte do mundo existir um equilíbrio. Se tudo for perdoado, vira uma bagunça. Eu sei que o propósito da coisa não é bem esse, não se volta tanto para a pessoa que fez algo errado mas sim para a vítima da história não guardar rancor e sentimentos que possam ser nocivos a ela. Blablablá. Tudo isso para dizer que, mesmo perto ou não da morte, consegui me manter razoavelmente neutra quanto a esse posicionamento. Perdoa-se o que é possível e fim de papo. Me incomoda muito essa pressão para que todas as pessoas sejam Bons Samaritanos e cultivem os mesmo valores e usem coroas de flores na cabeça (na verdade, as flores eu aprovo). Se alguém me conhece bem o bastante pessoalmente, sabe que é nesse momento que eu começo a delirar e dizer coisas do tipo "os chineses são os melhores", "as mulheres têm o direito de não terem filhos", enfim. Adoro me incomodar com certas imposições sociais. Desde colocar ou não os cotovelos na mesa até adotar uma postura ou outra diante de um filho homossexual. Andei vendo tanta porcaria na televisão que me revoltei internamente. É incrível como o mundo quer que as mulheres se sintam gordas. Parei por aqui porque, como viram, perdi o fio da miada. Beijos a todos!
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Sobre certas músicas e seus ouvintes.
Eu fico meio angustiada quando vejo alguém curtindo muito uma música porque a considera romântica, sendo que a letra não faz sentido nenhum e/ou é total não-romântica. Tinha um amigo que implorava para que ninguém contasse a história de alguma música ou traduzisse alguma coisa da letra (é, ele realmente não era bom em inglês). Eu entendo ele, porque eu mesma me deprimo quando não gosto da letra ou percebo que, aos meus ouvidos, a mensagem destoa da melodia. E isso se torna bem comum à medida que novelinhas tipo Malhação ganham trilha sonora de Silverchair. Enfim. Isso não era para ser um texto nem algo muito emocionante, só um desabafo. Eu cheguei em casa e estava tocando "Last Kiss" (Pearl Jam) e isso me deixou um tanto deprimida. Sei lá, em férias invernais, um pouco de depressão cai bem. Mesmo que dessa vez não tenha sido nada muito espontâneo ou passageiro. Por sinal, hoje foi um dia de calor. Nada típico. E não é que eu pense que as músicas devam ser todas iguais e previsíveis e que todos os sentimentos devam ser demonstrados da mesma maneira, mas é que realmente me angustia como em um mesmo lugar as pessoas podem alcançar extremos de felicidade, dor e todas as coisas humanas.
PS: acho que é hora de reler de novo (de novo, de novo, de novo) o Apanhador.
(Merlin e Vivian)
(?)
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A love once new has now grown old.
Me dei conta da emergente necessidade de fixar conceitos, contextualizar fenômenos, justificar tudo o que fosse possível e imaginar todas as hipóteses para o que ainda não fora testado. E não gostei disso. Digo isso não de uma maneira séria e repreensiva, mas risonha, do tipo que diz que a vida não é só isso. Não é o fim do mundo quando as coisas acontecem de forma diferente da planejada. Não importa. No fundo, não importa. Eu gostaria de acreditar que eu vou parar de colocar fatos em tabelas e fazer cálculos mentais sobre a probabilidade das coisas. Mas eu me conheço e sei o quanto gosto de ver as coisas categorizadas - não que eu me fixe no sim ou no não, eu tenho bastante abertura para o talvez. Mas isso não satisfaz. Não é tudo. É querer dizer que aquele fenômeno, com aquela pessoa, ocorre sempre do mesmo modo. Mas não. Um dia fez porque analisou os fatores e achou que seria melhor, no outro foi por impulso, mesmo sabendo que as coisas iam ser estragadas. Falo isso porque me peguei vendo um ou dois programas sobre traição, e eu já escrevi aqui muito sobre isso. Que eu diferencio os "tipos de traição" e coisa e tal. E li o que um amigo escreveu sobre não acreditar realmente no amor, essas coisas. Eu não acredito em nada de forma tão concreta. Eu acho. Ando tentando abrir a cabeça, estudar um pedaço de algo oriental que me desperta curiosidade. E o que eu percebi com tudo isso é que a desconstrução dos conceitos acaba sendo muito mais importante do que a tentativa de construir algo novo ou, pelo menos, que pareça ser coerente e verdadeiro. Eu não quero pensar que eu vou casar, ter filhos, viver e morrer com a mesma pessoa - por mais que isso não me pareça ruim no presente momento. Mas eu também não quero afirmar que não vou fazer isso. E é essa mesma questão em vários aspectos. Pessoas consideravelmente doentes têm a mania de aconselhar que se deve viver um dia de cada vez. E eu não vou contestar. É mais difícil mesmo sustentar as idéias por muito tempo, com os constantes desafios impostos ora ou outra. De repente, faz parte do crescimento pessoal essa liberdade, esse desprendimento de uma determinada forma de comportamento - essa liberdade para pensar e agir, sem ter que prestar contas ao espelho. Só posso dizer que eu me sinto bem.
Ps: o título não tem nada a ver. Estava ouvindo Simon & Garfunkel e achei inspirador.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Reciclagem emocional
Com o que ele me escreveu eu poderia reutilizar folhas e mais folhas para imprimir trabalhos e poupar a natureza da morte precoce. É tanto papel! Outra pessoa poderia dizer que "poderia limpar a bunda com isso", mas aí eu já acho exagero. Mas a verdade é que, se eu e ele lêssemos juntos as coisas que escrevemos certamente sentiríamos um misto de vergonha por nós mesmos e um do outro individualmente. Eram palavras de adolescentes, e adolescentes sempre dramatizam demais as coisas. E, por esse exagero todo - e outros motivos -, não acho que valha a pena guardar essa papelada como se fosse uma peça rara em um museu. Esse assunto começou quando eu precisei imprimir uns slides pra estudar uma disciplina impossível e revirei a casa atrás de mais folhas. E encontrei aqueles rascunhos em caligrafia-de-madrugada, rasurados com caneta Bic preta. Compartilho a idéia de que folhas sem pauta são mais bonitas, então é natural que as frases formem diagonais pelo espaço. Como eu precisava muito imprimir aquele material, peguei umas páginas que eu mesma preenchera. Parecia que assim eu seria menos fria e mais sentimental. Só que, no fim da história, eu esqueci esses slides em algum lugar, o que não me deixa confortável. Eu acho que o romantismo vem justamente dessa idéia de substituir sentimentos por um vazio, para então suprir esse vácuo com algo belo novamente. Quer dizer, se alguém ler o que eu escrevi por aí, pode ser que ache útil e bacana. Mas o fato foi que, mesmo sem querer, foi uma coisa que eu descartei. Claro que eu descartei bem antes, quando deixei de sentir o que eu escrevi que sentia, mas é engraçado pensar nesse tipo de coisa como se pudesse ser materializável. Comecei com as páginas chorosas que nasceram do meu próprio punho esquerdo para, então, tirar da inércia as páginas que ele escreveu com o punho tatuado. E eram folhas e mais folhas, de uma quantidade absurda! Pensei em ligar pra ele e dizer "você não tinha nada pra fazer, ein?", mas como eu sabia de toda a verdade, de como era a vida dele naquela época, seria um tanto sem sentido eu fazer uma pergunta. Ainda mais assim. Me dei conta de que eu nunca mais escrevi aquelas coisas, e isso me deu uma certa tristeza, como se eu estivesse deixando de viver as novidades de um novo romance. Mas isso não durou muito. Comparando os velhos e os novos relacionamentos, é gritante a evolução. E acho que o fato de me surpreender com coisas diferentes me mostra o quanto mudar de ares pode ser bom. Se, antes, as declarações iam e vinham através de cartas inacabáveis, hoje elas chegam através de imagens e cenas que não necessariamente vão estar gravadas em vídeo ou papel, mas que se mantêm na memória e são revividas com os cinco (ou seis, ou mil) sentidos. Pensando assim, comecei a olhar para aquelas folhas com certa pena, como se elas fossem realmente limitadas. Limitadas ao fracasso do esquecimento na gaveta, das traças, do fogo de um fósforo. Nem lembro das coisas que eu disse ou que me disseram. Tanto faz, elas viraram verso de algo mais importante - o presente. E todo esse pensamento meleca sobre reutilizar folhas que um dia significaram declarações de afeto me fez lembrar de uma teoria que nega o pecado e, portanto, o perdão. E o sentido nisso tudo é que é válido agir como bobo, ser adolescente e também se desfazer dessas emoções. Ser e deixar de ser sem culpa. (Mas limpar a bunda com as folhas é maldade!)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Hello Goodbye
Aquela cena durou minutos patéticos. Eu percebi o quanto ele estava desconfortável ao me ver ali, onde ele estava almoçando com sua nova garota. Mas que se foda o desconforto dele, eu é que estava numa posição lamentável. Acenei do meu lugar, desejando que as fritas saltassem da frigideira diretamente para a minha boca e que, assim, eu pudesse dobrar a esquina o mais depressa possível. Mas acho que a boa educação dele resolveu mostrar seu lado incoveniente: "E aí, quanto tempo? Como vão as coisas?". Eu acho impressionante essa idéia que muitas pessoas compartilham de que, uma vez próximos, a intimidade entre dois indivíduos dura para todo sempre. Não! Se eu abandonei o curso que eu estava fazendo ou mudei de casa, nada disso vai fazer a vida de alguém tomar outro rumo. Não há o que ser dito. Respondi qualquer coisa neutra, do tipo que não evidencia minha felicidade ou meu fracasso. Bem sem sal. E era isso que eu queria transmitir, algo bem "ok, acabou a festinha. go home". Durante a tarde, pensei no quanto aquilo tudo tinha sido chato. Chato mesmo, entediante. As pessoas deveriam ter pelo menos umas duas conversas francas um tempão depois de alcançarem o final de seus relacionamentos. Para colocar tudo para fora, não necessariamente reparar algum sentimento. Dizer "oi, eu cheguei à conclusão de que seu edredon verde contribuiu muito para minha impaciência", "você é muito chato e eu odeio suas músicas", "adoro sua sobrancelha", "sua irmã é uma cretina". Ok, tudo isso exceto a parte da irmã. Passadas outras experiências, a gente acumula um monte de coisas para dizer a respeito de um alguém ou outro. Nem todo mundo gera essa multiplicação de pensamentos, é claro. Há quem seja tão limitado a ponto de ficar sempre no quadrado branco ou preto do tabuleiro... Mas igual eu acho que sempre vale a pena marcar um encontro ou escrever um bilhete para dizer "boring". O lado cruel de escrever é que, além de ser um ato covarde pela impossibilidade de ouvir a resposta no ato, impede que quem está lendo tenha o direito de não querer saber. A pessoa lê e pronto. Ouvir também tem esse lado, mas implica poder responder com um grito ou qualquer demonstração de insatisfação. O fato é que eu fiquei olhando para o cara na pastelaria dividindo um copo de refri com a nova garota e o meu aceno aconteceu como um gesto automático que ocorre frente a qualquer rosto conhecido. Não foi de forma alguma um convite para um diálogo, e essa liberdade em romper com as distâncias me irrita. Se eu fiquei afastada e não levantei a bunda da cadeira foi porque eu achei que meu lugar fosse realmente ali. Ele se aproximou com um sorriso ensaiado. Deixou a namorada ocupada com o cardápio e começou a puxar assunto comigo, como se eu fosse o tipo de pessoa que cria uma lista de "novidades" e sai divulgando por aí. Até ele ir embora, tive de encenar aquele bom humor que nos é ensinado como sendo o mais indicado para situações inusitadas. Foi como se eu não tivesse o direito de estar em um dia ruim ou achar que ele estragou meu dia vindo falar comigo e me fazendo tirar os fones dos ouvidos. Sem pensamentos maldosos sobre eu sentir dor ou saudade ou qualquer coisa assim. Depois de um tempo, passei a ser extremamente crítica e descritiva a respeito dos caras com quem eu saía. Apelidei-os, agrupei todos em categorias: "engraçado", "drama queen", "pé feio", "só comia carne" e por aí vai. O sujeito da lancheria estava num nível médio de beleza - tinha cabelo esquisito, mas nada que uma tesoura não resolvesse. Não era de ver filme, ouvia música sem graça e falava que sabia tocar guitarra muito bem, apesar de eu nunca ter tido provas disso. Comia alface todo dia e era superamigo da mãe. Eu não estava perdendo nada ao querer ficar em paz com minhas batatas. Nem fiquei com vontade de despejar algumas palavras. Nem todo mundo merece minha atenção.
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Pensado por
Ivy
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Ex-amigos II
Tem um assunto sobre o qual venho pensando que abrange uma série de pessoas que (ainda) são próximas ou que um dia já estiveram mais envolvidas comigo. É justamente sobre essa distância que, com ou sem motivo, começa a existir do nada. Há oito anos atrás, meus amigos eram outros. Diria que uma pessoa de todas as outras permanece intocável, com seu lugar garantido próximo ao "topo da pirâmide". Sim, é claro que existe a pirâmide. Para alguns, as pessoas mudam de posição ao longo dos andares o tempo todo; para outros, a organização ocorre de forma diferente. Eu acho que tudo depende do momento em que está se vivendo, mas há uma forte influência de experiências anteriores. "Bons amigos não deixam de ser bons amigos". Não sei se essa frase poderia explicar o que eu quis dizer. Ah, é aquilo de que talvez tua colega da faculdade entenda melhor algum problema teu em função de fazer parte de uma porção da tua realidade - mas teu melhor amigo de infância não vai ser menos importante, afinal ele te conhece muito bem e tralalá.
Na real, eu estou bem confusa. No fundo, não acho que o que mate a amizade seja a famosa distância (física). De repente, isso é uma desculpa comum e é mais fácil usá-la do que encarar uma série de outros fatores. A natureza da pessoa deve ser levada em conta. Eu disse isso por um motivo extremamente pessoal e egoísta, porque eu não faço o tipo que procura as pessoas mais do que uma vez ao ano, apesar de me importar loucamente e sentir saudade e tudo mais. Eu me adaptei a ficar mais sozinha, o que não quer dizer que eu não precise ter pessoas ao meu lado. Essa necessidade é diferente da dependência - que eu considero algo destrutivo. Falei isso porque já fui bem criticada quanto ao meu jeito "não procuro lifestyle". Não estou querendo parecer teimosa ou incapaz de ceder ou mudar, coisas assim... Eu acredito que amizade verdadeira não tem isso de "cobrança", mas intimidade: confiança para entender que "tudo bem" uma pessoa procurar a outra por qualquer motivo, a hora que for, para qualquer coisa - sem medo da resposta. Mesmo que aconteça o inevitável, que os amigos já não pertençam mais à rotina como no passado, eles vão se sentir acolhidos nos poucos momentos vividos juntos. É nisso que eu acredito. Existe o estranhamento, as diferenças, as incompatibilidades de horários, de opiniões, de gostos musicais ou de filmes ou de livros. Mas o "algo maior" supre isso. É assim que deveria ser.
Encontrei uma pessoa na rua ontem e não soube, na hora, se um cumprimento seria bem-vindo. Cheguei em casa e me deparei com uma "discussão" (conversa, sei lá), que me deixou um tanto chateada. Vejo as fotos espalhadas pelo quarto e penso "oh, a fulana! nunca mais soube da vida dela", coisas do gênero. Por um lado, tudo isso me deixa angustiada. Por outro, sinto vontade de jogar tudo para o alto, de não ter mais que encarar esses fins reticentes e silenciosos. Finais... não sei até que ponto existe mesmo um ponto final. Seria mais prático, talvez, se existisse um contrato e a gente soubesse quando nossos relacionamentos vão expirar [?]. O fato é que a pessoa-que-eu-vi-na-rua me deu um oi e um sorriso amarelo, e eu fiz o mesmo. E eu estou evitando a minha discussão com outra pessoa. Acredito que isso seja considerado um defeito, apesar de eu não concordar, mas eu tenho a mania-mulherzinha de pensar que o outro deve entender o que fez de errado comigo. Se eu percebo que existe uma intenção, mas que ele não consegue entender porque eu reagi de forma negativa a alguma ação dele, eu explico, é claro. Mas primeiro existe o "reflita, ciclano". Haha, que sádico isso. Enfim, estou evitando a tal discussão porque, pra mim, a relação já estava morta e enterrada. Então, já não tenho o mesmo carinho e a mesma paciência que teria tempos atrás. Eu não preciso de mais drama do que eu já tenho - não preciso e nem desejo. E, apesar de acreditar no "perdão" e pensá-lo como algo nobre, acho que há limite pra tudo sim. Eu sou a rainha do rancor, não é tão fácil deixar tudo bem apenas dizendo "ok, desculpa" mil anos depois do ocorrido, como quem diz "tá, tá, eu me arrependo por essa coisa aí que tu disse (que eu nem lembro o que foi, na verdade), vamos voltar logo a ser o que éramos". As coisas não funcionam assim MESMO.
As fotos a gente esconde. Guarda numa caixa, mostra pro namorado, inventa uma legenda, sei lá. Elas continuam presentes, mas não tão à vista. Já esses sentimentos de "não sei o que esperar de tal pessoa" permanecem por um longo tempo, até termos certeza de que ela já não se importa. Acho que pra mim esse é o fato crucial. Não faz sentido eu me importar e não haver reciprocidade. Já não vejo isso como sinal de egoísmo, mas praticidade. O negócio é levantar a cabeça e tocar a vida. Quando se percebe uma intenção de reaproximação, existe a comoção. Existe a nostalgia, as lembranças boas (talvez mais brilhantes do que as ruins). Existe a vontade de voltar no tempo, a saudade boa. Mas aí colocamos os pés no chão e temos de encarar aquela pessoa como uma nova: ela mudou, nós mudamos, tudo mudou. Restam as tentativas de adaptação... E, nesse meio tempo, há outro fator - talvez esquecido na maioria das vezes - que é primordial: "por que tentar de novo?". Solidão não me parece um bom motivo. É meio triste dizer isso, mas acho que existe discretamente o predomínio da idéia "em que podemos ser úteis um ao outro?" - quando a resposta não parece razoável, não há acordo. Sei lá, estou confusa. Sentimental, mas tentando enxergar tudo de maneira racional. Uma coisa que me marcou muito foi o pensamento de que há uma enorme diferença entre "ser alguém" e "ser o alguém". Ok, isso vale mais para relacionamentos amorosos entre casais e tralalá, mas acho que cabe aqui também. Quero que a pessoa goste de estar próxima de mim por eu ser quem sou, não por eu ser compatível com aquela situação. E lá vou eu com a idéia de 'pessoa substituta'... Na real, o texto se transformou em algo nada neutro, o que não era a intenção inicial. Já escrevi sobre isso há quase três anos, o que me faz pensar que esse problema de se afastar das pessoas e do mundo é um tanto crônico.
"most of our lives we try so hard
to find the time
i won't care for you
like i'm really supposed to
there are things i'll do
that could really hurt you
don't you just love goodbyes?"
sábado, 17 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Traição física x Traição psicológica (x Ellen Rocche)
Eu pensei, inicialmente, em me referir às pessoas do casal como A e B e a(o) amante como C. A intenção era ficar algo bem generalizado e unissex, mas - melhorando as idéias - percebi que não acho que o amante seja um personagem irrelevante ao qual se deve ser indiferente: importa saber se A e C, segundo minha classificação anterior, são do mesmo sexo. Ok, vou tentar ser clara - talvez tudo fique mais confuso do que deveria porque eu não tenho uma conclusão formada, então não sei qual será o rumo da discussão.
Como é de se esperar, eu não sou uma fonte neutra. Não penso em "traição" com todo aquele manto de surpresa e horror ao qual muitas pessoas estão acostumadas. Não gosto muito de pensar nisso sem analisar devidamente o contexto. Não estou aqui pra julgar o código de conduta de C: penso nessa pessoa como alguém isolado do mundo. Não quero saber se tem filhos, se segue alguma doutrina religiosa, sua idade ou sua condição financeira: pra mim pouco importa quem é de fato o amante ou se esse alguém sabe que está se envolvendo com uma pessoa "comprometida" - e se, mesmo sabendo, porque mantém o relacionamento. Acho que o amante é um caso a parte, não coloco "a culpa" (se ela deve existir) sobre ele. Quem está agindo "ilegalmente" é A ou B, não C. E não é porque houve a traição que eu vou necessariamente achar que B (tá, vamos considerar B o indivíduo comprometido que comete a traição e A o indivíduo com quem B está comprometido) é a pior pessoa do universo e merece o inferno e mais um pouco, e considerar A um pobre ser humano digno de toda pena e compreensão possível.
Pode ser que o relacionamento seja formado por dois B's, não se sabe. É importante prestar atenção no contexto. Eu tenho mania de sempre pensar em crises conjugais (incluindo o fenômeno da traição) como um problema do casal e não de A ou B separadamente. O que geralmente acontece é pensar "Ah, esse B é um merda" e esquecer completamente que existe uma gama de coisas envolvidas, que não é tão simples colocar em B a máscara de vilão e vestir A de anjinho.
Sei que devo parecer ingênua ou, sei lá, muito sonhadora pelas coisas que eu digo. Eu estou considerando casos em que o casal é formado por adultos ou jovens adultos, não aquele tipo de "relacionamento" que se tem aos 13 anos. E o título surgiu de pensamentos antigos. Na verdade, muito do que estou falando deve já ter sido escrito centenas de vezes. Não busquei nada sobre o assunto para ler, queria tentar esclarecer minhas idéias bem sozinha. Sempre diferenciei, mesmo que o limite entre uma coisa e outra não fosse muito claro, traição física de traição "psicológica".
Traição física seria aquilo de B pegar alguém em uma festa ou enfim e fosse algo no estilo "uma noite e nada mais". Ou então algo mais duradouro, mas que fosse sustentado pela atração física. Beijos, sexo e nada de conteúdo. Em resumo, "sem trocas emocionais" (na medida em que isso é possível).
Traição psicológica seria algo aparentemente mais inofensivo, que não necessariamente representa o ato físico. Acho que isso é coisa de cabeça de mulherzinha, mas realmente acredito que exista um diferencial. Seria o caso de B estar com A pensando em outra pessoa, desejando estar com esse outro alguém. Pode ser algo platônico mesmo. Na verdade, a condição seria B nutrir um sentimento por C, sendo recíproco ou não.
Traição psicológica seria algo aparentemente mais inofensivo, que não necessariamente representa o ato físico. Acho que isso é coisa de cabeça de mulherzinha, mas realmente acredito que exista um diferencial. Seria o caso de B estar com A pensando em outra pessoa, desejando estar com esse outro alguém. Pode ser algo platônico mesmo. Na verdade, a condição seria B nutrir um sentimento por C, sendo recíproco ou não.
Claro, imagino que a situação mais grave ever seria a triação física junto com a psicológica... mas caracterizo a traição psicológica pelo "desejo de estar com outra pessoa" marcado pelo sentimento. Deixo a coisa da pura atração sexual para o primeiro caso de traição.
Ah sim, penso também que deve haver um mínimo de bom senso... Tudo bem desejar a Ellen Rocche ou o Tom Selleck ou pensar que tal pessoa que passou na rua é bonita/gostosa/whatever. Não é porque se está num relacionamento que deve-se fechar os olhos para as belezas do mundo. Pelo contrário, acho que esse excesso de controle sobre a vida do parceiro acaba matando a relação aos poucos. Nada de queimar Playboy's em praça pública, sei lá. Tá, eu não vou entrar em detalhes e começar a falar sobre masturbação ou enfim. Apenas acho que cada um deve preservar sua individualidade e que, sim, é normal sentir atração física por outras pessoas. Mas não penso que é 100% justificável ir lá e pegar a Ellen Rocche, eu não disse isso. (Substituam a Ellen Rocche por outra pessoa, ela é uma exceção. Tipo um Pokémon: "temos que pegar!". Ok, parei de bobeira)
Bom, eu falei tudo isso e perdi o fio da conversa. Me sinto idosa com essas expressões. Enfim. Fato é que eu considero "traição psicológica" mil vezes pior do que a física. É que sobre a física nem tem muito o que explicar... Eu imagino que a traição física ganha toda a magnitude em função de um certo machismo, ou sei lá. O homem não vai querer admitir que teve a mulher dividida com outro homem, bem como a mulher vai se sentir um cu de feia se souber que o homem pegou outra mulher (e aí já não sei se é melhor admitir que a outra é mais bonita mesmo ou continuar não entendendo como seu princípe encantado virou São Jorge do nada). Enfim, relaciono traição física com isso: moral e auto-estima.
O que eu acho terrível na traição psicológica é o fato de a relação continuar existindo sem que B supra suas vontades. Ok, parece estranho e contraditório dizer isso. Mas, pra mim, indica final de relacionamento, aquela situação de coisa morna, em que A pode ou não estar lutando para manter a chama acesa - mas é certo que B não está, pois está dividido, não está inteiramente presente na sua relação com A.
Isso me lembrou um tópico sobre Eutanásia, em que se acentua a grande diferença entre "matar" e "deixar morrer". Na traição física, B mata A. Quer ele queira ou não. Direta ou indiretamente. A pode ver B com C, pode saber do ocorrido a partir de outras pessoas ou de B, pode nunca saber - mas o foco aqui é falar de quando A sabe de C. Trata-se de uma ação muitas vezes impulsiva e insignificante, "instintiva". Mas B mata o relacionamento. Com isso, não quero dizer que "não há perdão" ou que necessariamente esse seja o "fim" do relacionamento entre A e B. Enfim, marca o conflito. Como vão resolvê-lo já é outra história. E, mais uma vez, gostaria de deixar claro que não atribuo uma culpa a B sem antes analisar o seu contexto.
Na traição psicológica, B deixa a relação morrer. Acredito que isso traga mais sofrimento para A e B. Para A, porque essa pessoa pode notar o distanciamente de B sem entender o porquê, coisas assim. Para B, porque existe um receio em se afastar de A ou de comentar com A o que está se passando.
Na traição física, B pode preferir não falar de C para A porque pensa que não vale a pena comprar uma briga ou causar um sofrimento a A, uma vez que a situação com C foi puramente física - não houve, a princípio, mudança visível na postura de B com A.
Na traição psicológica, seria o contrário. Ou não. Já nem sei. Na real eu começo a pensar nessa diferenciação e acabo embaralhando meus pensamentos. Acho que vou deixar isso assim, meio inacabado, e ver no que dá. Outra hora continuo.
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Ah tá, lembrei o que eu queria discutir. Vi hoje um caso na televisão sobre um homem casado com uma mulher há oito anos. O casal tem três filhos, dos quais o homem não que se afastar de jeito nenhum. E ele ama sua esposa, ama muito. Ele nunca a tinha traído, porém, de poucos meses atrás pra cá, ele tem saído com travestis escondido da mulher. Não está em jogo a sexualidade dele (antes que todo mundo resolva dizer "ai, ele morde a fronha" e achar que essa é a conclusão da história), mas a questão da traição. Chegou-se ao consenso, no debate, que ele deveria conversar com a esposa por respeito a ela e como sinal de que, ok, ele confia nela para resolver seus conflitos. Isso diz respeito a uma questão pessoal dele, a um gosto, uma particularidade dele, mas o problema é do casal. Nesse exemplo, pra mim fica muito clara a diferença entre traição física e psicológica, uma vez que o homem vai atrás dos travestis porque sente atração (e, nesse caso, não há nada que a mulher dele possa fazer - além de comprar um consolo e tentar a sorte), mas tem suas demais necessidades supridas pela esposa, pela família que ele ama. Não está em jogo também "o que é amar". Se ele diz que ama, ele ama. Enfim.
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Ah tá, lembrei o que eu queria discutir. Vi hoje um caso na televisão sobre um homem casado com uma mulher há oito anos. O casal tem três filhos, dos quais o homem não que se afastar de jeito nenhum. E ele ama sua esposa, ama muito. Ele nunca a tinha traído, porém, de poucos meses atrás pra cá, ele tem saído com travestis escondido da mulher. Não está em jogo a sexualidade dele (antes que todo mundo resolva dizer "ai, ele morde a fronha" e achar que essa é a conclusão da história), mas a questão da traição. Chegou-se ao consenso, no debate, que ele deveria conversar com a esposa por respeito a ela e como sinal de que, ok, ele confia nela para resolver seus conflitos. Isso diz respeito a uma questão pessoal dele, a um gosto, uma particularidade dele, mas o problema é do casal. Nesse exemplo, pra mim fica muito clara a diferença entre traição física e psicológica, uma vez que o homem vai atrás dos travestis porque sente atração (e, nesse caso, não há nada que a mulher dele possa fazer - além de comprar um consolo e tentar a sorte), mas tem suas demais necessidades supridas pela esposa, pela família que ele ama. Não está em jogo também "o que é amar". Se ele diz que ama, ele ama. Enfim.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Sobre preconceito com homossexuais. II
Primeiramente, vou deixar aqui um link para um texto muito bom sobre a temática homossexual escrito por uma amiga. Na verdade, acho que não tenho muito a dizer nesse exato momento. O post anterior rendeu comentários interessantes e, nos últimos tempos, tenho pensado mais do que o normal sobre o assunto.
Eu não sabia da distinção entre homossexualidade e homossexualismo. Ok, presume-se que palavras diferentes tenham significiados diferentes, mas igual eu nunca busquei saber a hora adequada para dizer uma coisa e outra. E, me conhecendo bem, sei que tratarei as duas como sinônimos ora ou outra. Quanto a isso, deixo aqui outro link. Nesse texto, fica exposta uma coisa que eu não gosto: os mil e um cuidados a mais para com pessoas vítimas de preconceito - uma forma exagerada de tentar eliminar o preconceito de tudo o que pode ser "moldado" pelas mãos humanas, restando "apenas" a parte da conscientização (que depende muito mais do indivíduo do que das forças externas). Talvez eu mesma faça uso dessa tática. Ainda que sirva como um instrumento de preparação da sociedade "para o futuro", não deixa de ser uma forma de enfrentamento um tanto passiva. É utopia pensar que tudo vai mudar em um segundo ou dois a partir da adoção de um novo vocabulário que deixa de fora certas injustiças. Há um tempo atrás, encontrei na internet uma cartilha com instruções de como devemos nos dirigir, por exemplo, a um travesti. Eu realmente não acho que um artigo, dizer "A travesti" ou "O travesti", vá fazer muita diferença. Mas aí são outros quinhentos... Em resumo, como a Marianna disse, homossexualismo implica doença.
A questão do orgulho - eu disse que achava "desnecessário" ou algo assim o orgulho da sua sexualidade - foi criticada por uma amiga. Segundo ela, "o orgulho gay não vem do fato de tu ser gay, mas de sentir-se bem contigo e ter conseguido se assumir para todos, mesmo sabendo que há muito preconceito". Disse ainda que "é impossível ter orgulho de ser heterossexual, pois, teoricamente, todos nascem assim". Na conversa, afirmei que, para mim, esse "orgulho gay" seria isso de se assumir, mas que a idéia de orgulho parece envolver um sentimento de superioridade (é ele quem eu reprovo). Ela seguiu falando sobre como todo dia esse "assumir-se" é constante. "Todo dia tu se assume de novo, quem é gay está sempre saindo do armário (quando vai em um lugar novo, conhece alguém, etc.). [...] O orgulho vem de algo que é difícil de ser feito, e pronto: tu gosta do resultado e de como o trata. É como tu ter orgulho da tua vida". Eu entendi o que ela quis dizer e, dentro do possível, acho que entendo bem esse "assumir-se diariamente". Meus amigos mais próximos não são heterossexuais e pude ver de perto as dificuldades encontradas. Discordo da parte do "não-orgulho heterossexual". Se existe um, existe outro. É como fazer uma "Parada Gay" (tá, o nome não é bem esse, mas é assim que eu costumo chamar) e proibir uma "Parada Heterossexual", por mais que a idéia de realizá-la pareça um tanto infantil. Eu não simpatizo tanto quanto poderia com essas manifestações pois, como um amigo meu disse, "elas esfregam na cara do preconceituoso o objeto por qual ele tem preconceito". Não acho que isso seja 100% positivo. Acredito até que contribui para a formação de um estereótipo exagerado. Tudo bem que, nesses eventos, o público costuma ser numeroso e diversificado, mas penso que a imagem que fica guardada é a da minoria que se expõe em carros e fantasias e etc. Eu não penso que isso seja necesariamente uma imagem negativa - pelo contrário, viva a liberdade! -, mas já imagino pessoas mais conservadoras utilizando-a para justificar seu preconceito para com todos os não-heterossexuais. Enfim.
A pergunta que eu considero mais difícil e polêmica e originadora de idéias deturpadas é justamente a que o Roberto fez, a da escolha: "É uma escolha? Ser "hetero", "bi", ou "homo" é uma escolha?". O que eu penso é que a escolha está em adotar um comportamento "fiel a sua sexualidade" ou não. Eu não escolho sentir atração por um sexo ou outro (ou os dois), mas, ao saber qual é a minha orientação sexual, decidir se vou ou não "me moldar" ao meu desejo. Esse "me moldar" soou como algo ruim, mas não era pra ser. Como é frisado no texto da Anita, é muito difícil o processo de libertação do que é esperado socialmente, na família, com pessoas próximas. No contexto do que eu disse, esse "moldar-se" se refere a assumir para si mesmo a sua sexualidade e tomar alguma atitude quanto a isso. Eu sinceramente desprezo qualquer teoria de que tal gene pode ser influente no comportamento sexual... soa como "tornar doença" a não-heterossexualidade. Enfim, sou resistente nesse ponto: a ciência não pode ter a pretensão de controlar minha subjetividade. Acredito que a ação de reconhecer-se como não-heterossexual tem influência do ambiente, da forma como a pessoa se relaciona com as outras, de seus pensamentos construídos a partir da crítica aos valores familiares e da sociedade como um todo, enfim. Pode parecer um tanto contraditório o que eu digo... falo em sentir atração pelo sexo oposto (num sentido extremamente físico), mas busco justificar isso com o entendimento do papel da pessoa dentro de sua família. Reluto ainda em aceitar a idéia de que existe uma predisposição para a pessoa se tornar gay ou enfim. As pessoas são mais complexas que isso, mais complexas do que a interpretação de um gene ou de um determinado fato ocorrido na infância. Acho engraçado como a não-heterossexualidade não é vista como natural.
sábado, 1 de maio de 2010
Sobre preconceito com homossexuais.
Estou escrevendo motivada pelas observações que venho fazendo principalmente de meus colegas de aula. Na última semana, em especial, este assunto provocou uma série um tanto maior de comentários desprezíveis. Uma palestrante falava sobre homens terem um inconsciente feminino e mulheres terem um inconsciente masculino, algo do gênero. Uma menina perguntou como isso se dava "no caso dos gays". Não achei nada de mais a pergunta,a não ser pelo fato de que eu achei que ela queria dizer "pessoas que desejam mudar de sexo, pois não se enquadram psicologicamente e enfim no corpo em que nasceram". Mas tudo bem. Depois, lembrei de outra colega, que tinha a concepção de que os homossexuais, além de "serem assim em função da genética", eram, na verdade, homens que desejavam ser mulheres e vice-versa. Não podendo ter o desejo atendido, essas pessoas se comportavam como pessoas do sexo oposto e, assim, "como esperado", sentiam atração do modo heterossexual (e, logo, praticavam seu homossexualismo). Notei que os exemplos dados pelas pessoas geralmente são masculinos e que esses homens figurados são exemplos bem porcos de um estereótipo de homens extremamente afeminados, como se todos os gays se restringissem a essa imagem. A resposta da palestrante me satisfez: "isso não varia conforme a sexualidade, mas conforme o gênero. E só. Homens homossexuais ainda são homens." - claro, não foram essas as palavras exatas, só a mensagem. E essa pergunta deu início a uma agitação em considerável parte da turma (parecido com quando se fala de futebol), em especial aos meus colegas do sexo masculino. Já não são muitos, mas os que se fazem presentes parecem carregar o preconceito de todo um mundo. Sem exagero. Acho que minha maior crítica seria aos estudantes que não se esforçam para cumprir bem sua tarefa profundamente. Tenho que ter cuidado ao dizer isso, pois não compreendo bem os religiosos e costumo não ter paciência com homofóbicos. Falha minha. Religião eu respeito, mas homofobia é algo que eu não entendo e nem vejo razão para tal. É frisado durante o curso de Psicologia que, diante de um caso que não nos achamos capazes de cuidar, repassemos o paciente para outro psicólogo. E eu meio que torço para os meus colegas terem essa atitude. Torço mesmo. Tudo tem limite: brincadeira é brincadeira quando não se torna ofensiva. E, sinceramente, o que me incomoda mais é que não consigo levantar nenhuma hipótese plausível para explicar essa aparente perturbação que a idéia do homossexualismo traz a alguns, a não ser pensar que os homens que se afligem com isso não estão seguros de sua sexualidade. E não vejo problema nessa insegurança: o problema está em descontar isso nos outros. Ouvi de um colega, no ano passado, que sua repulsa estava no fato de que a função do sexo era a reprodução e que, assim, a relação sexual homossexual violava esse fim. Acho estupidamente ignorante essa afirmação. Camisinha pra quê? Pílula pra quê? Enfim. Estamos no século vinte e um! Nunca se valorizou tanto o orgasmo feminino. As revistas incentivam a masturbação, diversas fontes explicam melhores e diferentes formas de obtenção de prazer. É só ligar a tevê à noite e ver o quanto foi enriquecida a idéia de relação sexual. Sexshop, Kamasutra, pompoarismo, whatever: quem ainda pensa que o sexo é mesmo para procriação? Ah, fala sério. Conversei com minha psicóloga e ela vê a homofobia como conseqüência de uma experiência (homossexual) não resolvida ou reprimida. E isso não necessariamente quer dizer que um cara quis beijar outro: eu acho um tanto irônico os homens não buscarem prazer em todas as suas zonas erógenas durante a relação (mesmo heterossexual). Bunda, ânus, períneo, próstata: farinha do mesmo saco. E, mais do que evitar "sentirem-se agindo como homossexuais", essas pessoas parecem ter a necessidade de zombar de quem se mostra diferente. Seria isso necessidade de autoafirmação? Há superioridade em ser heterossexual? Eu sou contra o orgulho, seja qual for a respectiva sexualidade a ele aliada. Orgulho gay não me diz nada, nem hetero, nem bissexual, nem nenhum. E não vejo sustentação na afirmação de que os heterossexuais constituem a maior parte do todo. Se fosse para chutar, diria que os bissexuais formam a maioria (e não, não penso que "toda mulher é bissexual", como insistem certas teorias - penso que os homens foram educados a competirem entre si e esconderem suas emoções). Me preocupo com a forma com que esse tipo de preconceito é escancarado e fortalecido à medida que poucas vozes agem em resposta. Aliás, eu não compreendo essa falta de respeito, que faz com que não-heterossexuais tenham que se mobilizar para provarem que não são extraterrestres, nem inferiores, nem aberrações ou qualquer coisa do tipo. Na verdade, eu acho ridícula qualquer imposição que implique "provar" algo para alguém - começando pela ação de julgar as pessoas como culpadas, fazendo com que elas justifiquem sua inocência. Dessa perspectiva, os homossexuais são vítimas. Mas pretendo não insistir nisso. Não são "coitadinhos" como pensa a minha colega. O papel de homossexual na sociedade ainda parece absurdo: deixa-se de lado o indivíduo e centra-se na parte sexual. Como se tudo o que ele fizesse da vida fosse sexo, e de forma pecaminosa. Não falarei de Catolicismo... que interpretem como quiserem a mensagem do "Salvador", mas que sejam coerentes e não permitam mesmo o uso da camisinha (meu problema quanto a religiões está relacionado com essa modernização ausente ou presente de certas crenças) - afinal, "sexo é para reprodução" e toda forma de prazer deve ser proibida. Enfim. Sei que futuramente terei problemas em relação a esse assunto: não me farei entender e não estarei aberta para críticas. E acho lamentável que, na profissão que eu vou seguir, existam pessoas com idéias mais do que ultrapassadas e ignorantes.
sexta-feira, 5 de março de 2010
about priscila
acho chato que alguém deixe de parecer racional em função da identificação forçada com algum signo. é como buscar uma personalidade única num gosto extremamente comum. acho chato mesmo: ultrapassado, com cheiro de mofo, entediante. e acho estranho, muito duvidoso, quem quer mostrar seu lado excêntrico e "free bird" se escondendo atrás de imagens que não dizem nada. nada. pé, cabelo, dente torto: parabéns, você não é pretty! contudo, o mais intrigante de tudo é ver que um diálogo que nasceu e morreu em três dias permaneceu na memória por mais de ano. ouço o nome dela e demoro a recordar que a conheci - acho que ela, por sua vez, nunca tirou meu nome da cabeça e é capaz de reproduzir cada frase que eu não disse com perfeição. perfeição de dor-de-cotovelo, proveniente de uma história que nunca aconteceu e nem teria chance alguma de se transformar em um projeto ou qualquer coisa que o valha. e só me recordo de todo o blablablá devido a profunda dor de cabeça que isso me causou: falar português em terra de tupinikins nem sempre dá certo. "da terra" - pior de tudo, é que ela gostaria de ser definida assim. tão fixa, de olhos e ouvidos fechados, centrada em fazer crescer mato. não gosto de mato, não gosto de nada que não sofra transição. e, principalmente, não gosto de nada que não cresça, que não aceite seus erros. despejar bosta no ouvido dos outros realmente parece mais legal. e é por isso que ela continua fazendo isso sempre que possível. e, com a freqüência que ocorre, fico me perguntando se, pelo menos para esse fim, ela se move e esboça algum empenho. nossa, mudei a vida de alguém! sem querer, mas mudei. mas, para variar, ela mais uma vez não entendeu o que devia fazer: ao invés de espernear e tentar ser feliz de um modo meigo (já que originalidade é algo mais difícil de se conseguir), optou por continuar perseguindo minha paciência, a fim de eliminá-la com golpes baixos. não sei se toda essa perturbação é resultado de carência e teimosia apenas - desconfio que a raiva tenha algum motivo orgânico (seria mais fácil para eu aceitar o comportamento dela). seja como for, todas as tentativas de fazer com que eu me sentisse menos do que eu sou não foram nem um pouco satisfatórias. na boa, eu esperava mais. bem mais. acho chato (entediante mesmo) quando alguém que não te conhece fala de um amor quase experimental. e diz que você não sabe o que faz, que é isso e aquilo e que *pausa para pensar em algo que pareça provocar bom efeito* não presta. realmente, eu não presto pra esse tipo de gente. e assim será. acima de tudo, me incomodo com quem tenta me reprimir, "me ensinando" o que não sabe. acho chato, sabe? chato. mais chato ainda é ver o quanto uma discussão abostada pode influenciar alguém a tentar te afastar das pessoas. chato não, acho essa parte a mais engraçada. no duro. e o nome dela não era priscila, mas patrícia. uma vez falei isso errado, o que fez eu parecer mais insensível ainda. nem me importei. o problema em ser "insensível" é que isso te deixa longe da possibilidade de ser indiferente. bem chato.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Sobre "falar na cara" e mais blablablá.
Me irrita essa mania de achar que lindo é falar na cara, que isso é ser verdadeiro e estar próximo da perfeição. Se fosse para escancarar todos os pensamentos, eles seriam vísiveis e não tão secretos. Típico assunto tratado em discussões acaloradas do Big Brother, briguinhas entre colegas de escola e, sei lá, barracos em geral. Não gosto de enfrentar pessoas. E isso não faz de mim covarde: eu simplesmente não gosto. Não chupo limão porque não gosto de limão. E, se chupasse, não seria melhor do que grande parte da população - que deve achar o ato desagradável. Acho extremamente desgastante ter que argumentar com quem não gosto, principalmente porque eu não sinto necessidade de me justificar. E acho estupidamente ridículas essas frases comuns que insinuam que um cara é menos homem por não fazer tal coisa, ou que os acontecimentos seriam outros se os envolvidos fossem do mesmo sexo (porque "homem não bate em mulher"), ou mesmo o clássico "tem que olhar no olho". No olho do cu, então. Sério, brigas são extremamente animalescas. Não faz sentido querer resolver tudo no grito. Geralmente o "falar na cara" ganha esse contexto de explosão, o que não deixa de ser contraditório: se o balde encheu, se não cabe mais nenhuma gota de paciência, é porque o diálogo de advertência não existiu e o "falar na cara" representa o "tarde demais". Se algo foi desagradável, que seja criticado no momento. Ou não. Só não gosto dessa mania atrapalhada de achar que enfiar o dedo na cara e olhar no olho vai provar quem é o errado da história. Se uma pessoa aleatória se aproximasse de mim com esse comportamento, eu ia pensar que ela é menos racional do que eu, sem dúvida. E já aconteceu. E eu achei engraçado (e continuo achando) porque, nessa situação, ninguém tem tanto a dizer quanto pensa. Se não há resposta, acabam-se as pedras. E fim de papo. E eu prefiro mesmo guardar meus pensamentos pra mim. Nem todo mundo merece o luxo de ouvir minha opinião. Ai, adoro meus ataques de mona poderosa. Beijos
domingo, 20 de dezembro de 2009
Brothers on a hotel bed .mp3
O que eu fiquei de fazer - escrevi no último post - em uma semana foi impiedosamente deixado de lado. Eu quero dizer que não cumpri o prazo, só isso. Lá vou eu renovar meus pedidos de desculpa... Nossa, a última semana foi tão corrida e sufocante. Acabou comigo, mas anunciou o início das férias. E férias assim eu não tenho há tanto tanto tempo... Férias sem pensar em vestibular, férias sem o medo do ano seguinte, férias simplesmente com o sabor de férias. E eu andei pensando em tanta coisa. Eu odeio o Natal, odeio. Não suporto o clima de fim de ano que faz todo mundo agir como se guardasse todo o amor do mundo para essa época - e é realmente o que se faz: quem é generoso em meados de maio ou junho? Não importa... Natal é Papai Noel, presentes e prestações pro ano seguinte. Fato. Não acho graça. Eu não acho lindo o Dia dos Namorados também. E só gosto da Páscoa porque ganho chocolate. Haha. Tipo que eu devo afirmar isso aqui todo o ano, e cada vez devo parecer mais grotesca. Bah, eu tenho me encantado constantemente com a diversidade de personalidades que eu conheci esse ano. Eu conheço as pessoas, guardo uma primeira impressão delas, convivo e então crio minhas expectativas. E me diverti conhecendo gente nova, me supreendendo com velhos amigos, e adoro essa coisa de errar e acertar que envolve as relações. O que ferra com tudo é o orgulho, a falta de sensibilidade com o outro: erros são espontâneos, acontecem porque é assim que deve ser. E se aprende com eles. Pronto, a vida é bela! Sei lá, eu acho engraçadas as motivações das pessoas para fazer as coisas. Tipo escolher uma profissão ou algo assim. E acho curioso como algumas crenças da pessoa parecem se chocar com a filosofia da profissão escolhida. Isso é só um teto que eu venho observando desde os últimos anos da escola... Eu tinha curiosidade de conhecer duas pessoas da faculdade desde o primeiro dia de aula. Depois de dois semestres, acho irônico como uma delas se tornou insuportável e, a outra, muito querida. Outras surpresas também aconteceram - a gente sempre pensa que, no fundo, tudo é bom porque a gente cresce com isso. Não vou dizer que não concordo com isso, apenas declarar o quanto eu fico admirada com o julgamento que fazem de mim. Muitas pessoas criam uma sensação de poder perante o que acreditam ser estratégias frustradas alheias. Ou erros, fracassos, whatever. Acho tudo válido quando se mantém em silêncio - não entendo, porém, aqueles que me cobram "respeito" ou atribuem a mim uma série de qualidades equivocadas. Como se eu tivesse que ser necessariamente "hipócrita" por agir de uma forma ou outra... lamentável. Se existe o desejo de uma resposta, que seja feita a pergunta de uma vez - acusações para quê? Para quem? Enfim, acho tenso. E eu acho funny como o machismo atua em certas situações... por que as garotas devem chorar, não podem erguer a cabeça? Claro, isso já soa como bobagem para muita gente. Mas ainda há quem pense assim (e estão soltos, oh céus!). Outro dia eu estava no shopping, comendo massa e pensando na vida: coisas egoístas de se fazer em fim de semana, quando as pessoas passeiam com bandejas procurando lugar para se sentarem. Eis que a lady que estava comigo reclamou que eu estava apoiando a cabeça na mão que segurava o garfo, e ficou uma cena esquisita ("oi, tem um garfo saindo da minha cabeça"). "Ivy, o que os outros vão pensar? Isso é feio." Sabe... realmente. O que os outros pensariam? Eu me pergunto que porra os outros iam pensar se me vissem ali com o garfo tão perto da minha bochecha direita. São respostas que a vida não vai te dar, que você terá de buscar sozinho, entende? Eu acho extremamente desprezível esse pensamento. Eu li uma crônica sobre isso uma vez, em que uma mulher com uma criança, na fila de um banco, desaprova o comportamento do gurizinho e olha para a moça da frente dizendo "o que a moça vai pensar?". E a moça se vira e diz "não vou pensar nada.". Não parece muito emocionante a historinha, mas eu acho genial. E isso me lembra como muitos pais buscam educar os filhos mais velhos incentivando-os a darem "bons exemplos" aos menores. Ninguém tem obrigação de dar bom exemplo, ninguém. Eu sou uma desgraçada que gosta de reparar na cara de todo mundo, na bainha da calça - que o cara fez com o grampeador -, nos pés inquietos das pessoas das salas de espera... mas 'e aí?', grande merda! E acho que todo mundo deveria pensar "grande merda" também. Penso que isso diminuiria também certos preconceitos e as tentativas toscas de chamar a atenção que alguns indivíduos têm. E ninguém perderia nada com isso, pelo contrário. Isso me lembra quando eu vou comer comida chinesa sozinha. Eu uso hashis (pauzinhos e tal). Hoje, eu sou uma pessoa feliz em usá-los, mas é óbvio que não foi sempre assim. E eu acho engraçado como as pessoas-com-garfo olham para as pessoas-com-hashi. Fiquei com preguiça de comentar toda a interação... mas é impagável. E lembra um pouco o ambiente pré-show de dança do ventre. Eu já conheço bastante gente do estúdio onde eu tenho aulas, então quando todas as alunas se encontram fica fácil reconhecer quem é iniciante ou enfim. E eu ouvi de várias ladies como é realmente aparente a hierarquia que existe, alimentada pelas pessoas que entraram há pouco tempo e acreditam que conforme o tempo tua barriga diminui e teu ego infla. Pode acontecer, mas não é o que geralmente acontece... nem um nem outro. Bastidores, nessas situações, são coisas tão positivas: mil mulheres trocando elogios, maquiagem, falando porcaria e se achando bonitas. Enfim, é algo bom e saudável (redundante?!). Ainda na linha "o que os outros vão pensar", fiquei pensando em situações inesperadas, tipo cruzar na rua com alguém que está chorando. Não lembro da última vez em que estive nessa situação, mas há pouco tempo me acometi de um sentimento blé e emo e fiquei mostrando lagriminhas em público. Haha. Tipo que eu estava na parada de ônibus e as pessoas recuavam uns passos e ficavam me observando. Achei aquilo engraçado. Depois, na lotação, as pessoas olhavam para o banco vazio no meu lado e vinham correndo sentar, daí do nada resolviam que o melhor lugar era aquele lá do fundão. Não que eu pense que tenha movido o mundo com isso, mas achei realmente tetiante. Gurias chorando, em especial, são cenas perturbadoras. Irritantes, às vezes, principalmente quando são contínuas... mas, enfim, perturbam mesmo. Acho que isso se relaciona com o leque de infinitas e aleatórias possibilidades de razões. Garotas são confusas. Mesmo. Não vi muitos homens chorando, mas pelo menos os motivos deles parecem mais "certos" (definidos). A tristeza deles parece mais razoável. Mudando totalmente o rumo do assunto... nossa, eu me sinto tão Ivy! Tão Ivy. Adoravelmente imperfeita e feliz e zaz. Realmente, o importante é a gente se reconhecer. Se reconhecer e ser capaz de assumir nossas ações. Pronto. Aprovação é um assunto limitante. Você gosta dos seus amigos do jeito que eles são, e nem sempre o jeito se mantém. E nem assim o afeto vai embora. Eu gosto da certeza das amizades, realmente gosto. É o que me faz admirar mais esse tipo de relacionamento do que algum dito "mais sério". Claro que o envolvimento é diferente, mas ah... puxa, eu detesto a classificação toda. Eu não "fico por ficar", como diria alguma revista feminina para adolescentes bregas. Eu fico perto de quem eu gosto, pra mim funciona desse jeito. E é essa proximidade que justifica tudo, não um status diferente no orkut ou um anel no dedo. Que se explodam os anéis e toda essa simbologia, se a moral de tudo é acabar com um contrato de amor eterno. Eu não prometo nada a ninguém, não sei quem vou amar amanhã e nem quero saber. E que bom seria se todos fossem livres e desprendidos. Acho tão puro e tão bonito o 'medinho' de perder. Constância é tão não-afrodisíaco. E eu gosto de poder ser eu: vestir o que eu quiser, falar a merda que eu quiser, cantar como eu quiser. Meus amigos me respeitam, acharia engraçado que alguém com a pretensão de superá-los não fosse capaz disso. Enfim. Em poucos dias, será Natal e chega 2010 e toda aquela baboseira de que tudo será diferente. Eu sempre faço um post-de-fim-de-ano reclamando sobre como isso é clichê e não pretendo mudar a rotina dessa vez. Abaninhos para vocês, tá muito calor para dar abraço!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Ecce homo
Pensando bem... "não", sabe? Não... Simplesmente não. Que saco. Chega dessa falsidade, do sorrisinho pra cá, do blablablá pra lá... stop it! Eu não sei até que ponto as pessoas vão para evitar conflitos, mas existe um limite até mesmo para o autocontrole. Eu não vinha pensando nisso, mas agora me pareceu realmente óbvio. Não se trata de uma resposta vingativa, mas de uma conseqüência. E só. Conseqüência originada por ações impensadas, puramente egoístas. Eu não deveria achar tudo normal, não deveria encontrar sentido onde ele não existe. E, tampouco, deveria aceitar algo que me corrói em troca da boa noite de sono alheia. Desculpas, desculpas, desculpas... dizer que simplesmente "aconteceu" não resolve nada. Não torna alguém menos responsável por suas ações. Os fins justificam os meios? Não. Nem sempre. Quandos lidamos com pessoas, temos que entender que o que fazemos afetam-nas diretamente. Ignorar isso só demonstra imaturidade. Dizer que cada um tem de cuidar de si não é o suficiente para me convencer de que podemos fazer o que quisermos com qualquer um, de qualquer jeito. Não... simplesmente não. Não querer enxergar isso é de uma covardia tão absurda. E cada interrupção do desabafo que fora silenciada? Se existe uma consciência, uma consciência que teima em parecer tranqüila, que ela arque com os resultados das ações de seu dono - que ela se mantenha intacta e preciosa diante da feia realidade. O não querer não justifica o erro - a imprevisibilidade é uma constante, não uma aliada. Não critico aqui o que outros chamariam de mentira, mas a negação dos fatos (a fuga, a cegueira, a surdez momentânea). Posso oferecer uma possibilidade, mas a certeza já não me pertence. E não acho triste isso: pior seria cultivar a angústia de ver tudo acontecer sem esboçar nenhuma reação. Não vou ficar confortável em continuar fingindo não ter nenhuma opinião a respeito de tudo para que os dias pareçam mais coloridos e felizes. Já não falo em estado de luto, mas na posição de alguém inteiro que se decepcionou. E acho engraçado esse tom de culpa que existe ao dizer que se está decepcionado - como se a culpa fosse minha de esperar mais do que um indivíduo me deu. A fantasia, é claro, faz parte disso - mas as atitudes das outras pessoas partem unicamente delas - e, quanto a isso, não há quem se salve de alguma inferência. Sensibilidade serve justamente para evitar conflitos maiores. Tato. Só isso... não me parece difícil. Difícil é erguer a cabeça todos os dias e se sentir orgulhoso de quem você se tornou. Mais do que orgulho, sentir que existe um reconhecimento pelas ações arquitetadas. Enfim. Se não está tudo bem, não está tudo bem. Um dia, isso se ajeita. Ou não. E que seja (ou não seja) do jeito que acontecer.

Eu quero ser alguém capaz de me tornar o que eu sou, e não apenas viver acreditando ser alguém.
O que alimenta a imagem não enriquece a alma. Pelo contrário, só faz aumentar o vazio.

Eu quero ser alguém capaz de me tornar o que eu sou, e não apenas viver acreditando ser alguém.
O que alimenta a imagem não enriquece a alma. Pelo contrário, só faz aumentar o vazio.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Fat'bottomed Girl
"Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro tambémUm dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também"
Esse trecho de "Eu sei" tocou em boa hora: estava conversando e refletindo sobre o ser humano - o ato propriamente dito. Ok, não exatamente tão vago assim... O assunto é mais direcionado para situações "dolorosas". Sim, vale a idéia de que o sofrimento é opcional (a velha história) - transformar o luto em melancolia é só para os artistas... Tenho um amigo um tanto Shakesperiano, e (sei lá se ele sabe disso) sinto um superorgulho da atitude (um tanto romântica) dele de mostrar suas fraquezas, pedir auxílio e, enfim, não bancar o machão insensível. Não pretendo dar início a um discurso do gênero "mulheres gostam de caras sensíveis", a idéia não é nem de longe essa. E nem sei se gostam ou não. Pouco importa. Ele está mais maduro, menos dramático talvez. E anestesiado (eu gosto dessa idéia). Depois de um tempo, independente do aprendizado que adquirimos e da freqüência das decepções, acredito que vamos nos acostumando com os fatos e sentindo-os menos a cada vez que se repetem. Não é que sejamos tolos a ponto de deixarmos tudo acontecer do mesmo jeito, não é mesmo. Cada caso é único. Enfim, só queria dizer que acho bonita a verdade, acho que as lágrimas são dignas - foda-se se o responsável por elas merece ou não. Foda-se. Umas das coisas mais admiráveis pra mim é justamente a grandeza de cair e levantar. No palco, na vida, anywhere. Eu falei sobre isso aleatoriamente. Não me identifico com essa situação. Na verdade, fiquei pensando que eu adoro (mesmo) relacionar amigos com personagens equivalentes [?]. Até hoje, acho que só fiz isso com dois. Lestat/Louis e Arthur. Ok, o primeiro exemplo ficou meio infeliz. Mas eu gosto dos dois, acho que se completam. E o Arthur, ah... Nossa, sou apaixonada pelo Rei Arthur. Arthur, Morgana, Merlin, Vivian, blablablá... Quanto ao Holden Caulfield, sei lá... eu sou ele, é meio arriscado desejá-lo na minha frente. Fora que ele é um tanto cinza. Mas um tanto cinza mesmo. Tem dias que nem eu me agüento. Mas , enfim, o Holden é eterno. Eterno. Por falar nele, hoje eu vi a terceira edição (terceira!) do Apanhador em cima de uma mesa e, ai, babei. Bons livros quando são velhos são tão mais atraentes. Ai ai. Nossa, estou muito emocionada com as aulas. Tipo muito mesmo. Aquilo de chegar em casa exausta e ir correndo ver o que tem pra fazer. Nesse domingo, bizarramente eu senti falta de ir pra UFCSPA. Senti falta das pessoas, dos comentários, das risadas. Às vezes, é verdade aquilo que dizem sobre uma janela se fechar e uma porta se abrir. Sou meio teimosa, mas procuro manter a cabeça aberta. Sei lá, eu sou boazinha. Não do tipo padrão, é claro: eu invento apelidos e sou um tanto cretina mesmo. Mas sou boazinha. Acho interessante o diálogo, necessário ceder, fundamental respeitar. Não é uma boa idéia do destino me fazer pensar que minhas primeiras impressões, meus primeiros julgamentos, estão certos: mas é delicioso poder pensar que minha intuição é generosa comigo. Ok, essa frase ficou estranha. Sei que ando falando com gente diferente, que tem me surpreendido litros. E tem sido ótimo. Cada vez mais eu me acho meio esquisita por ser a saiazinha entre as bermudinhas [?], mas, no fundo, é o que me faz bem. Acho que os caras te mantêm no lugar, gurias te puxam pra lá e pra cá. Ah, não quero explicar isso. De qualquer modo, sou aberta. Gosto de cuidar dos meus amigos, gosto mesmo. E tem sido um ótimo período pra isso. E eu estou parando de roer unhas do nada. E comendo menos chocolate (mas isso aí não reflete exatamente a minha vontade...). Eu acho engraçado quando sofro com essas mulherzites do tipo se identificar profundamente com "Bette, a feia". É tão fácil conhecer o inferno às vezes. Enfim. Ui, achei muito profundo e exagerado o que eu disse. Eu queria ficar falando sobre qualquer coisa, mas foi inevitável falar de mim. Acho que estou bem. Não tenho certeza, depende do momento. Depende de o quanto eu estou disposta a refletir sobre minhas atitudes de uma maneira justa para mim e todo mundo. Eu sou trouxa, sou trouxa o bastante para me ferrar no lugar dos outros. Mas é puro egoísmo isso, puro egoísmo segundo a filosofia. Infeliz como parece que eu estou propaganda de "Ivy, a coitada"... Nem é isso. Sabe, ainda que eu me ferre, eu faço o que me faz bem. Se eu achar válido me ferrar, eu me ferro. E acho que ultimamente eu estive suportando muitos problemas que não eram meus - não estou tão disposta a me sujeitar a certas situações. Continuo sendo uma "pessoa substituta", do tipo que quer te deixar bem a todo custo. E continuo me identificando com a Clementine, mesmo que não deseje a história dela. E, antes de tudo, continuo exercendo meu papel de "pessoa-que-espera". Só que eu cansei por ora, só isso. Festas animadas, com gente esquisita e gente linda, têm me alegrado, me feito pensar. Mais do que nunca, tenho adorado ser a dona da casa e a dona da minha vida. O final foi só pra fechar com estilo, porque a preguiça de escrever mais bateu. São 04:18 no relógio. E, sei lá, não estou "blé". Me disseram que pareço mais insensível e estou mais fechada. Talvez. Creio que sim. Mas continuo sendo eu, seja lá o que isso signifique. Estranha necessidade de ser abraçada em conflito com a vontade de evitar qualquer contato. Ok, não necessariamente qualquer contato. Mas odeio os nordestinos e analfabetos que surgem no msn. De novo não é um bom "final". Ok, acho que fica mais bonitinho se eu disser que estou com vontade de caminhar por aí e falar merda em boa companhia, comendo balas de gelatina ou qualquer coisa que me faça pensar que minha barriguinha é de felicidade [?]. Ou não. Beijo pro meu pai, pra minha mãe, e pra você!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
WaitingPeople
E se eu me apaixonar pelo Inverno, pelo frio do Inverno? Terei de esperar por ele durante as outras estações... E sentirei saudade, sofrerei com isso: a mais leve brisa trará a lembrança do frio. Terei de aprender a conviver com o calor, com a luz, com as cores - com todas as mudanças de cheiros, pessoas e lugares. Mas esperarei. Esperarei pelo Inverno, esperarei por ele: verei as árvores se encherem de flores e frutos e, num segundo instante, recolherei algumas das folhas secas do tapete marrom que cobrirá os gramados intermináveis. Será bonita a espera, serão tristes as incontáveis despedidas. Contarei os dias e os meses para estar próxima ao meu amor - cujo calor se destinará a mim. E como seria isso, o calor do Inverno? Seria frio, frio e pálido como toda a estação. Cinza, gélido, mas ainda delicado. As nuvens nos impressionam, nos intimidam, mas nada mais fazem do que defenderem-se da fragilidade em que se encontram. Eu entenderia as nuvens, conheceria os ventos, suportaria e amaria o frio. E o faria quantas vezes fossem necessárias, sempre que eu sentisse desejo. Me apaixonaria e me deixaria levar pelo Inverno. Seria tola, seria cega, seria feliz e apaixonada com minha condição de pessoa-que-espera.
Pessoa que espera.
Pessoas que esperam: esperam por serem passivas ou pacientes em demasia ou terem esperança ou terem certeza ou não terem nada. E mais vários outros ou's. Esperam porque constantemente estão divididas - divididas entre fazer o melhor para o outro e o melhor para si. Dizem que quem gosta cuida, mas quem gosta também deve deixar o outro ir - se é isso o que ele quer. Deve?! Como aceitamos ficar sem o que nos faz bem? A felicidade alheia nos alimenta? Sentimos pena de nós mesmos? Somos ridículos por não lutar? E por lutar em vão?
Esperar. Esperar por uma pessoa, por uma resposta, por uma verdade (por vezes dolorosa), por uma mentira bem-empregada, por um sorriso, por um gesto, por uma explicação, por qualquer palavra que quebre o gelo, o silêncio, o vazio amargo da espera. Ah, a agonia de não sentir o tempo passar... Nada mais angustiante do que estar de fora dos acontecimentos, assistir à realidade com os mesmos olhos sonhadores de antes. Não se deseja o que é platônico, mas o que é belo - de preferência, sua face sólida e alegre. A busca pelo concreto nem sempre se dá experimentando, mas observando as coisas e analisando seus movimentos. E, ainda assim, existem vezes em que nem o que é óbvio se mostra claro...
Chega dessa história. Basta! Sem mais aquele drama de "se foi" e "nunca mais". Eu não digo nunca, não digo sempre - sou completamente "talvez". Espero, esperava, esperei. Esperaria e esperarei. Conjugarei 'esperar' de todos os modos, pois sou uma das tantas pessoas que esperam. E não deixo de fazer acontecer por esperar. Não, não deixo de viver. Pelo contrário: vivo tudo intensamente. Intensamente.
E, cada vez mais, me aproximo daquela sensação calma de ser uma Claire. Quero saber sobre as pessoas, ouvir suas histórias, entender o que sentem. E me sentir importante, me sentir parte disso - ainda que temporariamente. Não acho que eu tenha um lugar, não acho que a gente deva ter um lugar fixo. Faço o que me satisfaz, ainda que isso, por vezes, signifique um pouco de masoquismo emocional.
Eu esperaria pelo Inverno sem angústia, suportaria qualquer coisa. O faria, num passado ou num futuro. Talvez o teatro tenha custado a passar diante dos olhos da platéia, talvez as falas tenham se repetido. O fato é que demorei a entender a mensagem. Às vezes, o susto só faz piorar a morte. Mas eu esperei, esperei por isso pacientemente. E as palavras não vieram com o mesmo vento que me dizia seus contrários. "Há males que vêm para o bem"... Ok, próximo round. Estranha-estranha paz interior.

Pessoa que espera.
Pessoas que esperam: esperam por serem passivas ou pacientes em demasia ou terem esperança ou terem certeza ou não terem nada. E mais vários outros ou's. Esperam porque constantemente estão divididas - divididas entre fazer o melhor para o outro e o melhor para si. Dizem que quem gosta cuida, mas quem gosta também deve deixar o outro ir - se é isso o que ele quer. Deve?! Como aceitamos ficar sem o que nos faz bem? A felicidade alheia nos alimenta? Sentimos pena de nós mesmos? Somos ridículos por não lutar? E por lutar em vão?
Esperar. Esperar por uma pessoa, por uma resposta, por uma verdade (por vezes dolorosa), por uma mentira bem-empregada, por um sorriso, por um gesto, por uma explicação, por qualquer palavra que quebre o gelo, o silêncio, o vazio amargo da espera. Ah, a agonia de não sentir o tempo passar... Nada mais angustiante do que estar de fora dos acontecimentos, assistir à realidade com os mesmos olhos sonhadores de antes. Não se deseja o que é platônico, mas o que é belo - de preferência, sua face sólida e alegre. A busca pelo concreto nem sempre se dá experimentando, mas observando as coisas e analisando seus movimentos. E, ainda assim, existem vezes em que nem o que é óbvio se mostra claro...
Chega dessa história. Basta! Sem mais aquele drama de "se foi" e "nunca mais". Eu não digo nunca, não digo sempre - sou completamente "talvez". Espero, esperava, esperei. Esperaria e esperarei. Conjugarei 'esperar' de todos os modos, pois sou uma das tantas pessoas que esperam. E não deixo de fazer acontecer por esperar. Não, não deixo de viver. Pelo contrário: vivo tudo intensamente. Intensamente.
E, cada vez mais, me aproximo daquela sensação calma de ser uma Claire. Quero saber sobre as pessoas, ouvir suas histórias, entender o que sentem. E me sentir importante, me sentir parte disso - ainda que temporariamente. Não acho que eu tenha um lugar, não acho que a gente deva ter um lugar fixo. Faço o que me satisfaz, ainda que isso, por vezes, signifique um pouco de masoquismo emocional.
Eu esperaria pelo Inverno sem angústia, suportaria qualquer coisa. O faria, num passado ou num futuro. Talvez o teatro tenha custado a passar diante dos olhos da platéia, talvez as falas tenham se repetido. O fato é que demorei a entender a mensagem. Às vezes, o susto só faz piorar a morte. Mas eu esperei, esperei por isso pacientemente. E as palavras não vieram com o mesmo vento que me dizia seus contrários. "Há males que vêm para o bem"... Ok, próximo round. Estranha-estranha paz interior.

"I don't love you anymore. Goodbye."
{Closer}
{Closer}
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Pensado por
Ivy
às
20:58
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Maçã Verde
"As pessoas se dividem em dois grupos: o grupo das que não olham para trás em despedidas e o grupo das que olham. Eu não saberia explicar como acontece essa diferença, visto que eu não consigo evitar olhar - não importa se sou eu quem está caminhando ou o outro alguém. Ou os dois. Se dividem em dois grupos também aquelas que guardam cartas e presentes recebidos de seus amores - eu gostaria de poder dizer que os indivíduos que não olham para trás são os mesmos que não se desfazem dessas coisas (mesmo que pareça contraditório), mas não acho que seja bem assim. Seria muito fácil dividir todo mundo em grupos e esquecer que existem exceções - entre as semelhanças e diferenças, existe algo muito mais subjetivo e "incomparável" (incomparável porque não pode ser copiado, medido, nada do gênero). Eu não sei onde queria chegar falando disso, juro que não. Sabe, eu fico feliz quando vejo que existe gente que se liga em pequenas coisas, detalhes, coisas do dia-a-dia que podem parecer bobagem mas que, no fundo, são o que realmente importam. Cheiro, por exemplo: cheiro é uma coisa comum - as pessoas pensam se gostam ou não de cheiro de gasolina e sabem escolher entre um perfume e outro, mas nem sempre valorizam o cheiro nem sempre bom de um livro novo, de grama molhada ou qualquer coisa dessas. Ok, isso não foi um exemplo original. Acho geniais as associações aleatórias entre coisas, pessoas, sentimentos. Acredito que bastante gente usa a música como instrumento de reviver memórias - e isso nem deve ser proposital. Não diria que é mecânico, porque tudo que é mecânico parece frio e exato, e não dá pra falar de emoções assim. Sabe, resolvi me abrir um pouco e falar de maçã verde. Maçã verde, cara, maçã verde! Maçã verde é realmente uma das melhores invenções da natureza (diria "criações", mas "invenções" soa mais engraçadinho): bonita, gostosa, excêntrica... acho que o encanto vem mesmo da cor alegre que, nem por isso, perde a maldade das maçãs vermelhas. Enfim, maçã verde! Nunca parei para pensar se já conheci uma pessoa-maçã-verde, talvez por idealizar muito a fruta. E prefiro não o fazer: maçãs verdes não me decepcionariam, mas, pessoas, sim. É como gostar muito de roxo e ver que uma pessoa super rosa-choque se acha uma pessoa-roxo... Não, não é a mesma coisa. Só quem é devidamente uma pessoa-roxo entende. No momento em que me encontro, não sei a minha cor. Talvez esteja entre lilás e cinza. Eu fico pensando nessas pessoas que querem que tudo seja metodicamente perfeito, de forma forçada e doentia - não acho que a felicidade deva ser planejada: ela acontece. Acontece como um produto de fatores e escolhas que contribuíram pra isso. Hoje vi uma garotinha feiosa na televisão: ela parecia que não tinha pescoço, mas tinha um nome lindo (London). Tem nomes que já agregam características aos seus donos, e London é um deles. Mas acho que um dos mais carregados de alguma coisa, um dos mais fortes, é Emily: eu adoro Emily - para mim, ele é verde e um pouco triste, contornado por inocência infantil (e um pouco da crueldade dos pequenos também). Uma música diz que nada pode ser mais cruel do que uma criança. Eu não penso nada em relação a isso - se eu concordasse, seria uma cretina. Já falei disso por aqui, eu acho. Já falei das pessoas que não olham para trás e dessa música da Sonata Artica, pelo que me lembro. Eu sinto falta de não ter um cachorro, e falta de ter apego com alguém de poucos anos. Poucas crianças não-fictícias me marcaram, eu acho: a irmã da Isadora, um primo e uma pequena de Israel (na verdade, essa última me rendeu muitos pensamentos e momentos legais). E o primo de uma amiga minha - mas acho que, nisso, houve influência de um filme. Às vezes, parece que eu sou meio anormal, meio robô. Eu sou do tipo que olha para trás, que guarda tudo que é tralha, que sabe que existe a música certa para cada ocasião, que tem medo de coisas banais. Me surpreendo quando não falo o que sinto vontade de dizer, assim como fico dias me culpando por dizer alguma besteira que sai da boca para fora. Eu diria que as mesmas pessoas "orgulhosas demais para se desculparem por dizer besteira" são as mesmas que insistem em não olhar por cima do ombro em despedidas - talvez por que sofram com isso. Ok, não faz sentido. Não existe lógica nessa divisão: tem coisas que a gente faz por fazer, faz por hábito, faz sem querer, faz sem pensar, simplesmente faz. "Simplesmente faz". Como "simplesmente fazer falta". Essa deve ser uma ação intransitiva, seja lá o que isso quer dizer. O fato é que as pessoas precisam de um pouco mais de cor, um pouco mais de poesia e sensibilidade. O último olhar torna tudo um adeus, isso é muito perturbador. Oh céus, preciso de um bom livro com cheiro não tão bom, de um cachorro (de preferência pequeno e branco, ou um labrador, ou um yorkshire) e de maçãs verdes numa cesta bonita e florida. Ora, que cena forçada. Combinaria mais com uma Emily jovem. Uma London não trocaria as calças jeans gastas e a poeira do asfalto para um passeio no parque - London é um nome urbano e azul-petróleo demais. Eu arriscaria dizer que quem é London não olha para trás, ao contrário das Emily's. É isso: as pessoas estão divididas em London's e Emily's. E só."
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