É meio estranho estar entre a idéia do "aproveite cada dia como se fosse o último" e a situação de ver os dias serem muito parecidos, mesmo quando existem surpresas (que nem sempre são boas). O hospital mexeu muito com a minha cabeça, isso é fato. Ontem eu saí dali, fui para um pub encontrar pessoas queridas e, por acaso, encontrei uma ex-colega de escola. E foi algo legal e super espontâneo e eu fiquei feliz. Eu fico fascinada com esse poder de pequenos momentos ou algumas palavras mudarem completamente o clima do dia. Enfim, realmente me emocionei. Foi tão inesperado! E, num horário qualquer, eu peguei um ônibus e o "poema" na janela mais próxima de mim se dirigia a algum passageiro em pé. O autor desejava que esse passageiro lesse o poema com uma gota de chuva escorrendo pelo vidro. Isso foi ontem. Hoje eu peguei mil ônibus, alguns lotados, e a chuva forte foi uma constante. E eu olhei para aqueles vidros embaçados cobertos de gotinhas de água e calor humano e tal e realmente fiquei emburrada quando lembrei do poema. É incrível como uma coisa pode ser linda num dia e péssima no outro. Pelo menos pra mim. Pelo menos às vezes. E nesses tempos de repensar a importância das pessoas, reesquematizar a vida em alguns aspectos, fiquei atenta a algumas palavras adultas. Viva o perdão, esqueça a raiva, a mágoa, o não sei que lá. Eu não sei até que ponto essas idéias limpas podem ser colocadas em prática. Eu sou a favor daquela sinceridade suja, de se descabelar por alguma coisa por sentir necessidade. Mesmo que depois se perceba que a situação não merecia tanto. Acho importante o momento presente, os impulsos, a confusão toda. Tudo bem, eu costumo agir como a Sra. Pretérito, mas realmente dou mais valor ao momento da ação, ao choque, enfim. Então, eu me sinto meio desafiada (e porque não 'ofendida'?) com essa história de perdoar, passar a limpo, etc. Não que eu viva em profundo caos e discórdia, hahaha. Tem uma frase de uma música que eu gosto que diz "Deixe de lado os compromissos marcados, perdoa o que puder ser perdoado, esquece o que não tiver perdão e vamos voltar àquele lugar...", e eu realmente consigo adorar isso, mas não é algo que habita a minha cabeça. Eu realmente acho que a base disso vem da idéia de que no fim, quando morrem, todas as pessoas são boazinhas. Não falo em céu, mas em fatos. Até o maníaco do parque de não sei onde tem família, sei lá. E eu acho que faz parte do mundo existir um equilíbrio. Se tudo for perdoado, vira uma bagunça. Eu sei que o propósito da coisa não é bem esse, não se volta tanto para a pessoa que fez algo errado mas sim para a vítima da história não guardar rancor e sentimentos que possam ser nocivos a ela. Blablablá. Tudo isso para dizer que, mesmo perto ou não da morte, consegui me manter razoavelmente neutra quanto a esse posicionamento. Perdoa-se o que é possível e fim de papo. Me incomoda muito essa pressão para que todas as pessoas sejam Bons Samaritanos e cultivem os mesmo valores e usem coroas de flores na cabeça (na verdade, as flores eu aprovo). Se alguém me conhece bem o bastante pessoalmente, sabe que é nesse momento que eu começo a delirar e dizer coisas do tipo "os chineses são os melhores", "as mulheres têm o direito de não terem filhos", enfim. Adoro me incomodar com certas imposições sociais. Desde colocar ou não os cotovelos na mesa até adotar uma postura ou outra diante de um filho homossexual. Andei vendo tanta porcaria na televisão que me revoltei internamente. É incrível como o mundo quer que as mulheres se sintam gordas. Parei por aqui porque, como viram, perdi o fio da miada. Beijos a todos!
Mostrando postagens com marcador coisas aleatórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coisas aleatórias. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 21 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Sobre certas músicas e seus ouvintes.
Eu fico meio angustiada quando vejo alguém curtindo muito uma música porque a considera romântica, sendo que a letra não faz sentido nenhum e/ou é total não-romântica. Tinha um amigo que implorava para que ninguém contasse a história de alguma música ou traduzisse alguma coisa da letra (é, ele realmente não era bom em inglês). Eu entendo ele, porque eu mesma me deprimo quando não gosto da letra ou percebo que, aos meus ouvidos, a mensagem destoa da melodia. E isso se torna bem comum à medida que novelinhas tipo Malhação ganham trilha sonora de Silverchair. Enfim. Isso não era para ser um texto nem algo muito emocionante, só um desabafo. Eu cheguei em casa e estava tocando "Last Kiss" (Pearl Jam) e isso me deixou um tanto deprimida. Sei lá, em férias invernais, um pouco de depressão cai bem. Mesmo que dessa vez não tenha sido nada muito espontâneo ou passageiro. Por sinal, hoje foi um dia de calor. Nada típico. E não é que eu pense que as músicas devam ser todas iguais e previsíveis e que todos os sentimentos devam ser demonstrados da mesma maneira, mas é que realmente me angustia como em um mesmo lugar as pessoas podem alcançar extremos de felicidade, dor e todas as coisas humanas.
PS: acho que é hora de reler de novo (de novo, de novo, de novo) o Apanhador.
(Merlin e Vivian)
(?)
sexta-feira, 17 de junho de 2011
A love once new has now grown old.
Me dei conta da emergente necessidade de fixar conceitos, contextualizar fenômenos, justificar tudo o que fosse possível e imaginar todas as hipóteses para o que ainda não fora testado. E não gostei disso. Digo isso não de uma maneira séria e repreensiva, mas risonha, do tipo que diz que a vida não é só isso. Não é o fim do mundo quando as coisas acontecem de forma diferente da planejada. Não importa. No fundo, não importa. Eu gostaria de acreditar que eu vou parar de colocar fatos em tabelas e fazer cálculos mentais sobre a probabilidade das coisas. Mas eu me conheço e sei o quanto gosto de ver as coisas categorizadas - não que eu me fixe no sim ou no não, eu tenho bastante abertura para o talvez. Mas isso não satisfaz. Não é tudo. É querer dizer que aquele fenômeno, com aquela pessoa, ocorre sempre do mesmo modo. Mas não. Um dia fez porque analisou os fatores e achou que seria melhor, no outro foi por impulso, mesmo sabendo que as coisas iam ser estragadas. Falo isso porque me peguei vendo um ou dois programas sobre traição, e eu já escrevi aqui muito sobre isso. Que eu diferencio os "tipos de traição" e coisa e tal. E li o que um amigo escreveu sobre não acreditar realmente no amor, essas coisas. Eu não acredito em nada de forma tão concreta. Eu acho. Ando tentando abrir a cabeça, estudar um pedaço de algo oriental que me desperta curiosidade. E o que eu percebi com tudo isso é que a desconstrução dos conceitos acaba sendo muito mais importante do que a tentativa de construir algo novo ou, pelo menos, que pareça ser coerente e verdadeiro. Eu não quero pensar que eu vou casar, ter filhos, viver e morrer com a mesma pessoa - por mais que isso não me pareça ruim no presente momento. Mas eu também não quero afirmar que não vou fazer isso. E é essa mesma questão em vários aspectos. Pessoas consideravelmente doentes têm a mania de aconselhar que se deve viver um dia de cada vez. E eu não vou contestar. É mais difícil mesmo sustentar as idéias por muito tempo, com os constantes desafios impostos ora ou outra. De repente, faz parte do crescimento pessoal essa liberdade, esse desprendimento de uma determinada forma de comportamento - essa liberdade para pensar e agir, sem ter que prestar contas ao espelho. Só posso dizer que eu me sinto bem.
Ps: o título não tem nada a ver. Estava ouvindo Simon & Garfunkel e achei inspirador.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
@PropagandasDaDepressão
Vi umas duzentas vezes sem querer o comercial da Camila Pitanga em que ela fala que antes só interpretava papéis menores, mas que Rexona deu a ela a confiança necessária para ela ganhar papéis importantes. Eu fico triste com esse tipo de propaganda. Não tanto quanto me deprimo com comercial de cerveja, é claro, mas fico triste. Por mais que isso faça parte do contexto de atores de novela, eu não sei até que ponto eu conseguiria conversar com alguém normalmente, sentada de pés descalços no sofá da sala, sabendo que essa pessoa fica me lembrando a cada 3 minutos na televisão o quanto a vida dela mudou com um desodorante. Apesar de eu pensar que, realmente, problemas pequenos podem tomar uma proporção absurda quando não se encontra a solução, essa propaganda em especial me causa um desconforto, sei lá. Só não ganha daquelas propagandas de produto de limpeza. Meu deus, eu não queria ser uma daquelas atrizes por nada nessa vida! Como me passa infelicidade assistir aquilo. Nem os comerciais de produtos de higiene bucal me deixam tão traumatizada! As pessoas ficam com um sorriso radiante porque agora não precisam trocar a cestinha daquele negócio cheiroso que se põe no vaso sanitário. E outras vibram porque agora existe spray automático de inseticida. Acho que eu precisaria de uns quatro daqueles por cômodo se a minha casa fosse também moradia de mosquitos. Eu sei o quanto é exagerada e cheia de vieses essa comparação, mas as propagandas de perfume são tão melhores. Sério, mostrar pessoas bonitas e moderadamente felizes, com uma música decente, acho que funciona muito mais. Claro, aí não se tenta implantar uma necessidade - é simplesmente um perfume caríssimo que vai te fazer lembrar Paris, algo assim. Mas pelo menos não dá vergonha. Assolan, Vanish, Lojas Marabraz, Casas Bahia... eu não sei até que ponto é bom memorizar essas coisas. Porque eu não tenho uma lembrança agradável, pelo contrário. E isso me fez lembrar das propagandas de remédio, em que comprimidos pra gripe ou dor de cabeça têm seu nome falado por diversas pessoas, como se realmente algum dia alguém fosse fazer um musical no escritório com um Benegripe da vida ou "chamar a Neosa". Bah, que post deprimente. Isso que nem comentei ainda as propagandas de absorvente e as briguinhas entre supermercados. Em primeiro lugar, a Ana Maria Braga não vai no Carrefour. Ela tá sempre na Ilha de Caras ou lançando audiobooks de piadas com o Louro José. E, quanto aos absorventes, sei lá. Eu nunca deixei de fazer nada por estar menstruada e duvido que a maioria das mulheres seja diferente. No máximo evitar a piscina e tecidos brancos, mas nada tão suicida quanto as propagandas mostram. Porque, se a menstruação traz infelicidade, é em função da TPM, das cólicas e de todos os sintomas típicos e atípicos do universo dramático e ansioso feminino - o absorvente é a última coisa que vai me dar problemas. Enfim. Acho que vou correr pra ser uma das 100 primeiras e comprar logo minha Tekpix, meu Cogumelo do Sol e meu UltraCorega, beijos.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Reciclagem emocional
Com o que ele me escreveu eu poderia reutilizar folhas e mais folhas para imprimir trabalhos e poupar a natureza da morte precoce. É tanto papel! Outra pessoa poderia dizer que "poderia limpar a bunda com isso", mas aí eu já acho exagero. Mas a verdade é que, se eu e ele lêssemos juntos as coisas que escrevemos certamente sentiríamos um misto de vergonha por nós mesmos e um do outro individualmente. Eram palavras de adolescentes, e adolescentes sempre dramatizam demais as coisas. E, por esse exagero todo - e outros motivos -, não acho que valha a pena guardar essa papelada como se fosse uma peça rara em um museu. Esse assunto começou quando eu precisei imprimir uns slides pra estudar uma disciplina impossível e revirei a casa atrás de mais folhas. E encontrei aqueles rascunhos em caligrafia-de-madrugada, rasurados com caneta Bic preta. Compartilho a idéia de que folhas sem pauta são mais bonitas, então é natural que as frases formem diagonais pelo espaço. Como eu precisava muito imprimir aquele material, peguei umas páginas que eu mesma preenchera. Parecia que assim eu seria menos fria e mais sentimental. Só que, no fim da história, eu esqueci esses slides em algum lugar, o que não me deixa confortável. Eu acho que o romantismo vem justamente dessa idéia de substituir sentimentos por um vazio, para então suprir esse vácuo com algo belo novamente. Quer dizer, se alguém ler o que eu escrevi por aí, pode ser que ache útil e bacana. Mas o fato foi que, mesmo sem querer, foi uma coisa que eu descartei. Claro que eu descartei bem antes, quando deixei de sentir o que eu escrevi que sentia, mas é engraçado pensar nesse tipo de coisa como se pudesse ser materializável. Comecei com as páginas chorosas que nasceram do meu próprio punho esquerdo para, então, tirar da inércia as páginas que ele escreveu com o punho tatuado. E eram folhas e mais folhas, de uma quantidade absurda! Pensei em ligar pra ele e dizer "você não tinha nada pra fazer, ein?", mas como eu sabia de toda a verdade, de como era a vida dele naquela época, seria um tanto sem sentido eu fazer uma pergunta. Ainda mais assim. Me dei conta de que eu nunca mais escrevi aquelas coisas, e isso me deu uma certa tristeza, como se eu estivesse deixando de viver as novidades de um novo romance. Mas isso não durou muito. Comparando os velhos e os novos relacionamentos, é gritante a evolução. E acho que o fato de me surpreender com coisas diferentes me mostra o quanto mudar de ares pode ser bom. Se, antes, as declarações iam e vinham através de cartas inacabáveis, hoje elas chegam através de imagens e cenas que não necessariamente vão estar gravadas em vídeo ou papel, mas que se mantêm na memória e são revividas com os cinco (ou seis, ou mil) sentidos. Pensando assim, comecei a olhar para aquelas folhas com certa pena, como se elas fossem realmente limitadas. Limitadas ao fracasso do esquecimento na gaveta, das traças, do fogo de um fósforo. Nem lembro das coisas que eu disse ou que me disseram. Tanto faz, elas viraram verso de algo mais importante - o presente. E todo esse pensamento meleca sobre reutilizar folhas que um dia significaram declarações de afeto me fez lembrar de uma teoria que nega o pecado e, portanto, o perdão. E o sentido nisso tudo é que é válido agir como bobo, ser adolescente e também se desfazer dessas emoções. Ser e deixar de ser sem culpa. (Mas limpar a bunda com as folhas é maldade!)
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Disarm
Eu falo muita abobrinha e me arrependo depois. Tá, não me arrependo porque faz parte do meu código de conduta não me arrepender... (eu penso que, uma vez que eu tento agir do melhor modo de acordo com o que a situação me oferece, é bobagem me arrepender de alguma escolha: a visão depois de ver as conseqüências pode ser diferente, mas isso não significa que eu não tenha feito o melhor que poderia) mas, enfim, a gente repensa e se acha um merda por dois minutos. E daí começa a ver que amadurecemos e que isso é bom e por aí vai. Por outro lado, às vezes me faz bem ver que eu não mudei tanto assim, que consigo encontrar um chão em mim mesma. Tava relendo umas coisas aqui e, sei lá, gostei disso e de umas outras coisas. Fiquei lendo por cima uns contos do Salinger que eu nunca li - pra dizer a verdade - e me senti meio que em uma música dos Smashing Pumpkins. Eu estou com aquele medo que me impede de querer pensar nas coisas. Eu não acho que, hoje, daria certo com alguém que não soubesse me entender musicalmente. Já levei isso menos a sério, mas - com o passar dos anos - percebi que a única coisa que se fortaleceu mesmo, sem descer um pouquinho que fosse no gráfico-das-coisas, foi a necessidade de ter sempre presente alguma melodia. O bom das músicas instrumentais é que elas te deixam absolutamente livre para sentir o que quiser - acompanham a dor mais aguda e a alegria mais infantil. Em tempos de extrema movimentação, de mudanças estranhas, eu tendo a ficar mais afastada das pessoas. Mas é aquilo: estou fora de casa, mas usando os malditos fones de ouvido. E sou receptiva às músicas alheias. Cada música tem sua história, tem seu sentimento. Acho importante ouvir os outros e entendê-los a partir do que eles escutam. Fiquei viajando com aquela cena de "Ensaio sobre a cegueira" em que os cegos sentam em volta de um radinho e ficam em silêncio ouvindo a música. Às vezes, espero o dia todo pelo momento de voltar pra casa e escutar aquele som tão necessário. Talvez essa seja uma das poucas coisas das quais eu realmente gosto mas que não faço questão de "entender". Ah, não se trata de negar conhecimento, mas gosto daquela cena clássica de deitar na cama e esquecer do mundo. Não me vejo compondo alguma coisa. O que eu faço é mecânico. Eu crio mundos para fugir para outros lugares quando acho necessário, mas sei que a minha escrita não passa de ficção. Música não, música existe. Ok, não quero tornar meu monólogo repetitivo. O fato é que, "velha" como estou hoje, acho que não toleraria uma aproximação maior com alguém que desconhecesse Holden Caulfield ou que ficasse indiferente ao ouvir "1979". A gente cresce e vai ficando cheio de manias. Acho que tenho direito em fazer minhas exigências silenciosas. E tenho refletido sobre antigos traumas e coisas assim. Acho que imortalizar conhecidos em histórias é uma das coisas mais cruéis de se fazer. Não gostaria de abrir um livro e me ver ali estampada com uma visão unilateral e um tanto romantizada de mim para a ficção. E ler sobre meus defeitos, então? Por outro lado, acho que isso é válido no mundo da música. Sou daquelas que acham que uma música não tem dono. Enquanto os livros ditam o que será, as músicas sugerem. Mais uma vez eu não sei porque estou falando disso. O fato é que estou confusa com antigas agressões passivas e com a metamorfose pela qual estou passando.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Ivycetera.
O que mais me incomoda é que o sofrimento pode ser simpático à medida que nos identificamos ou nos acostumamos com ele.
Acabei de ver dois documentários sobre transtornos alimentares, seguidos de um programa que pareceu ser tão contraditório: depois de tanto blablablá sobre a compulsão pelo emagrecimento, mantida pela atmosfera doente que elegeu um padrão para a beleza, resolvem mostrar crianças obesas da geração fast food. Sei lá, não me pareceu nada anormal à primeira vista, mas - depois de ficar uma hora e meia ouvindo especialistas falando sobre "tirar o foco da comida" e cuidar as mensagens que são transmitidas pela mídia e pelos pais às crianças e aos adolescentes - o acontecimento parece realmente irônico. É realmente difícil desassociar saúde de uma determinada forma física (geralmente, o tal padrão de beleza). As revistas vendem essa imagem como uma verdade a ser buscada. E tudo nisso é ridículo. Enfim.
Eu estou tentando buscar na faculdade assuntos que realmente despertam meu interesse. Sabe, fazer algo que se quer já é meio caminho andado para o "fazer bem feito"... Tive a sorte de encontrar pessoas muito interessadas em estudar transtornos alimentares. E também entrei para uma pesquisa sobre "violência conjugal". Por enquanto, foram realizadas várias leituras sobre as formas de conflitos maritais e como elas afetam os filhos e etc. Quem conviver comigo por tempo razoável vai perceber que eu sou meio que obsessiva (não sei se o termo é "obsessiva", estou meio away para pensar direito) por isso de separação de casais... tanto no plano "pais e filhos" quanto no plano mais individual da coisa. O terceiro assunto que, a príncipio, mais chama minha atenção seria o tema da sexualidade. E sexo em geral, enfim. Tudo está relacionado. Mas aí eu prefiro buscar conhecimento através das minhas fontes - é difícil eu concordar com várias das afirmações que escuto, acho que não suportaria tanta diferença "voluntariamente". Haha.
Quanto a isso dos transtornos alimentares, comecei a me interessar à medida que eu comecei a questionar se meus hábitos alimentares eram normais. Normais, bem essa a palavra. Eu me assustei com a forma brusca com que eu mudei. Acho que isso faz parte da chegada da adolescência, mas ainda assim achei muito "do nada". Num dia você não tá nem aí, no outro pensa "ok, talvez eu devesse me preocupar mais com minha aparência" e, no terceiro, sai que nem louca perguntando ao mundo se está gorda. A própria pergunta já uma auto-afirmação, todo mundo sabe disso. Ninguém se importa se a resposta é sim ou não. Claro, ouvir um sim é pedir pra morrer (e levar a pobre criatura sincera e cretina junto), mas... Enfim. Eu olhava os sites 'pro-ana' e pensava "ai, essas meninas são tão toscas, só querem ser escravas da moda, blablablá". Depois, você tenta entender o assunto e se depara com uma realidade extremamente cruel. Ok, essa forma de deterioração me interessa e muito.
Não sei porque fiquei falando essas coisas. Na verdade, estou guardando minhas palavras para o papel. Não sei, estou cautelosa e sensível. Talvez eu esteja sentindo a mesma solidão do início do ano passado. Mesmo sabendo que meus amigos estão aqui, sinto que existem barreiras estranhas entre nós. Estou mais "paulista" do que nunca. É assim que eu chamo essa vida de "não tenho tempo para nada". E o pior é que quanto mais eu tento romper com isso e mostrar pra mim mesma que é frescura mais eu percebo o quanto isso é concreto. É um tanto triste isso. É meio vazio, se você for pensar. Eu deito na cama respirando "o que eu tenho que fazer amanhã de manhã" e, semana após semana, começo a me esquecer da última vez em que eu vi ciclano ou coisas assim. Ivy, você é uma pseudoadultinha agora. Enquanto isso, eu fico gripada. E só Deus sabe o quanto eu fico emotiva nesses momentos. Não suporto me sentir impotente. Ok, chega de falar de mim.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
The Magnetic Fields.
Eu meio que me apaixonei por Magnetic Fields. Recomendo muito! E também recomendo "Doze homens e uma sentença" (o original) para os que ainda não viram. Usei esse ar de autoridade, mas eu vi há umas duas semanas na aula. Ok, sem fraudes. Algumas pessoas deixaram comentários aqui ou me procuraram aleatoriamente, estou devendo respostas (como sempre). Mas gostei bastante disso e tal. Eu vi uma edição de "Nine Stories" do Salinger que saiu com o nome de uma das nine stories, não com o título original. Eu fico meio irritada com essa mania de pegar uma obra de um artista e escolher o que é, de fato, importante. Eu tendo a gostar mais das coisas menos famosinhas. Talvez por eu ser meio implicante... mas eu vejo uma lógica nessa teimosia. E essa mania me faz pensar numa cena do início de "Sociedade dos Poetas Mortos", em que o professor novo mostra o quão ridículo pode ser tentar classificar um poema e compará-lo com outros a partir de um gráfico besta. Eu acho que me choco, às vezes, com o "excesso de racionalização" das coisas. E considero meio ofensivo esse vício por estereotipar tudo. E também acho desnecessário transformar tudo que é livro em filme. Mas aí eu reconheço que é exagero mesmo. Enfim, não pretendo mais falar nisso. Todas as referências que usei sobre esse assunto devem ter sido sobre tentar reproduzir "O Apanhador no Campo de Centeio" (ou trechos dele). Ou Harry Potter. Mas Harry eu até entendo. O que me irrita na saga Crepúsculo (ok, não sei se o nome da "saga" seria bem esse), entre outras coisas, é a pretensão de romantizar tudo. Eu falei romantizar no sentido de usar eufemismos e querer colocar casais apaixonados em todos os contextos. Eu sei que o amor não sai de moda e essa coisa toda, mas sei lá. Eu prefiro coisas mais unissex... Prefiro livros que pareçam agradar mais garotos e garotas, simultaneamente. Não quero julgar o jeito que os livros foram escritos, mas sei lá... Esses livros "para garotas" tendem a ser ótimos de ler, mas são tão vazios. Não creio que eu viva minha vida em função de roupas e "meninos". Eu sei que é isso que alimenta a vontade de ver o final previsível dessas histórias, mas eu não suporto esse clima comum de amor platônico ou impossível. Ok, empecilhos... Dificuldades são necessárias. São bem-vindas e talvez realmente tenham grande importância no conjunto da conquista ("conjunto da conquista", Ivy?), mas eu sou mais a favor de dilemas mais instrospectivos, de problemas mais subjetivos e menos generalizáveis. As relações humanas são tão ricas, não entendo como as barreiras físicas sempre (sempre!) servem de exemplo para as histórias. Gosto de tentar entender o sentimento de "incapacidade" (no sentido de "impotência" mesmo, daí sim algo geral e não tão pessoal), só me incomodo com a freqüência com que isso é exposto como conseqüência de eventos externos ao indivíduo. Isso me lembrou de um texto que eu achei num marcador de páginas, há mil anos atrás, na praia. Eu gosto de como ele me faz pensar o quanto uma pessoa é diferente das demais a partir de suas motivações, suas fraquezas e enfim. E o quanto estamos sujeitos a coisas que parecem contradições, mas que não necessariamente são - depende da visão de cada um sobre o assunto. Quanto a isso, falo especificamente do trecho "não me interessa se a história que você me conta é verdadeira. Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo. Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua propria alma, ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.". Vendo esse texto, vejo que se passaram muitos anos e a minha admiração por essas palavras persistiu. Espero não ser nem parecer ser um poço de oposições. E paradoxos também não ajudam muito. Em todo o caso, música boa é sempre uma grande companhia. Escutem as 69 love songs de Magnetic Fields, vale muito a pena. É um som empoeirado e calmo e relativamente bonito e sonolento. Nebuloso. Acho ótimo.sábado, 24 de abril de 2010
The ice is getting thinner.
Eu fui postar no fotolog, coisa que eu não fazia há quase três meses, e fiquei meio embaraçada ao encontrar por lá tanta coisa repetida e alguns erros ortográficos. Ando meio frustrada com a minha vida virtual, se é que isso existe, e tenho ocupado meu tempo livre com coisas mais divertidas. E não tenho escrito muito por aqui realmente. Vejo os posts antigos e tenho certa inveja dos tempos em que eu digitava sem parar. Tenho escrito razoavelmente bastante fora do blog. E tem sido engraçado, eu comecei a gostar disso de novo. Por um tempo, achei que não fosse mais manter um diário ou coisa parecida. Eu estou passando por um período de transição, consegui bons frutos com isso. As conseqüências ainda não foram de todo esclarecidas - e algumas surpresas não foram necessariamente positivas até então. Mas é necessário: mudanças são necessárias. Nunca questionei tanto o papel das pessoas na minha vida quanto agora. Isso é uma coisa que deve ser encarada. E cheguei à conclusão de que não se pode ter certeza de tudo. As coisas se baseiam em tentativas, uma série delas. E não necessariamente um erro estraga tudo. Há excessões, é claro. Venho tentado escutar mais. Ainda estou longe de romper com meu egoísmo - reluto em deixá-lo de fato. Acho que todo mundo deveria realmente pensar em si. Não é crime. As pessoas só querem ser felizes, não entendo por que a satisfação pessoal pode se tornar uma utopia em função de um falso gesto de boa ação para com os outros. Enfim. Não entendo uma série de coisas. Mas já nem quero entender. Não preciso ler todas as pessoas, não mereço ter de lidar com a confusão de todo mundo. Já basta a minha. E não vou ocupar ninguém com minhas dúvidas. Acho que é mais fácil não ter muitos com quem contar - menos decepções. Espero não ser interpretada como uma cretina.
sábado, 20 de março de 2010
nenhum sentido.
o que mais fere não é nem a ação que sucede a intenção, mas a expectativa por parte de quem vai ver tudo acontecer. ela ainda faz parte de um sonho - não necessariamente um desejo, mas uma tentativa de tornar plausível o futuro tão virgem. talvez fosse mais eficaz investir em uma pílula preventiva do que encontrar a cura para as decepções, os desamores, as coisas todas das quais sentimos certa saudade apesar não terem sido concretas. nada de modificar a memória... a solução está em tentar anular qualquer esperança. mesmo quando o que de fato acontece é melhor do que esperávamos, existe a angústia do sofrer por antecipação. um tanto dramático isso.
se, por um lado, acredito que nada vai bem quando existe algum problema amoroso a ser resolvido, de outro ponto de vista não consigo entender como uma relação boa é, sozinha, capaz de suportar todas as nuvens negras do resto. apesar de as novidades terem um somatório positivo, nos últimos tempos estive lidando com situações não necessariamente novas mas, nem por isso, menos tensas. estou falando de vários assuntos intercalados, de várias pessoas e das redes que as conectam. cada ser com sua peculiaridade, sua individualidade, seu diagnóstico. cada pessoa com sua arma.
estava ouvindo repetidas vezes a mesma música, e me dei conta de que existe uma identificação que não existia antes. não ando vendo "motivos" para algumas pessoas, não consigo mais vê-las com algum sentido. e acho isso um tanto triste. e o que me atormenta é que ainda me sinto presa a um laço imaginário, a um quê moralista que me preenche com essas expectativas inevitáveis. mensagens dúbias não produzem bom efeito em mim. tudo vai indo bem e eu tenho conseguido me satisfazer. surpreendida agradavelmente. acho que o melhor para mim é não esperar nada de ninguém. deveria ser assim sempre.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Meu ídolo moleu.
Ouvindo Death Cab e pensando que a única banana abandonada na fruteira me lembra muito Velvet Underground. Acabei há pouco mais uma das minhas perseguições ao falecido J.D. Salinger pelo google. Falecido. Que merda. Eu não tenho exatamente ídolos, mas eu realmente gostava desse cara. A ponto de querer encontrar com ele. Não, não acho que eu ia seguir o clichê de dizer "oi, sou sua fã" e blablablá. Eu acho que a gente nunca sabe o que vai dizer a um "ídolo" até encontrar com ele e falar o que der na telha. Bem possível que não saia nada muito inteligente, que a emoção seja maior e que o resultado final seja uma foto feia. Sempre penso que essas fotos de pessoas com seus ídolos tendem a ser bem horrorosas, congelando todo mundo em um ângulo ridículo e enfatizando gorduras e rugas. Na real, tem uma ex-colega minha da escola que é muito bonitona e sai bem nessas fotos... mas não consigo pensar em nenhum outro exemplo positivo. Enfim, o fato é que eu fiquei realmente chateada com a morte do Salinger. De um modo que eu nem pensei que pudesse ficar. Mesmo. Andava meio deprimida nos últimos tempos porque parecia que todo mundo do meio artístico estava morrendo ao mesmo tempo, como um anúncio de "olha 2012 chegando aí, gente!". E, de repente, meu mais-ou-menos ídolo morreu. Meu ídolo, pronto. Acho que não terei muito afeto por nenhum outro famosinho como eu tinha por ele e pelo Heath Ledger. O único livro que me tocou mesmo depois do "Apanhador" foi um do Paulo Coelho. Não faço o tipo "vou enfrentar o Brasil e dizer que eu adoro o Paulo Coelho": parte disso é birra com os brasileiros, outra parte é um misto de preguiça com falta de motivo e, ainda outra parte, é o resultado de não entender porque ele é tão-tão-tão criticado. E, no fundo, não me ocupo em tentar descobrir certos porquês. O fato é que eu achei "Veronika decide morrer" um puta livro, inclusive pela cena bonita da masturbação. Ai, esse pudor do mundo me irrita. Metade dos problemas pessoais poderia ser resolvido se falar de sexo fosse menos tabu. Pobre Salinger, esse post era pra ser uma espécie de declaração-de-amor pra ele, algo doce e meigo que não terminasse com sexo. Imagina que tem gente querendo fazer filme das histórias dele... sendo que a riqueza está justamente na cabeça das personagens. E há quem tente criar continuações para o "Apanhador", o que eu acho completamente ofensivo. O velho fez pouquíssimas declarações em todo o tempo que ficou recluso, mas uma foi especialmente muito boa. Falou sobre o Holden ser um personagem parado no tempo, que estava integralmente no "Apanhador" - estilo "leiam e entendam. releiam, se necessário, mas não inventem abobrinhas". Depois de ver mil vezes V de Vingança, acabei ficando meio viciada em defender certas idéias. Ainda não sei se Salinger foi cremado ou não: o que se sabe é que a filha dele é uma putinha e que ele devia ser um baita chato. E altos bafões sobre desamores. Adoro pessoas comuns que se tornam importantes.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Skoob
Achei um negócio legal: Skoob. Vou demorar um século para fazer meu perfilzinho e tralalá, mas enfim. Achei tão ótimo isso, tão ótimo! Estou lendo em estilo devagar-e-sempre um livro legal. Na verdade eu me afoguei em filmes e seriados. E as vezes em que eu saio desse mundo têm sido realmente muito boas. Acho que 2010 será um ano fuckin hard, mas fuckin foda também. Espero que assim seja mesmo - estranho meu otimismo, mas tudo bem. Lá vou eu arrumar uns negocinhos, depois vou escrever. Ando bem afim.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Rascunho
Leio Antonio Prata e fico com vontade de escrever sobre qualquer coisa do cotidiano. Eu cresci lendo os textos dele (isso faz parecer que ele é velho, mas nada a ver) e, enfim, encontrei o blog dele hoje ao acaso. Exceto pelo fato de que eu vou escrever em "blocão", como eu adoro, senti necessidade de ajeitar algumas coisas. Limpei um pouco a página do Blog: agora não tem mais o Apanhador em pdf lá embaixo. Tipo que não fazia muito sentido eu deixar isso lá mesmo. Mas, enfim, não é legal falar de mim quando se pode falar de vovós. (Tipo que eu estava realmente decidida a falar sobre vovós e os hábitos das fêmeas na 'melhor idade', mas mudei a trilha sonora do momento e brochei totalmente.) Nossa, eu pareceria tão poser se meu nome fosse "Ivy Black". Fiquei vendo House ontem até cair no sono, o que deve ter sido uma cena um tanto lamentável. E perdi o final, com o diagnóstico certinho do problema do cara, o que fez do meu esforço para ficar acordada um real desperdício. Eu acho meio chata essa mania de querer amenizar os "não-sucessos" - essa mania de repetir frases como "o importante é participar" em diversas fases da vida. Tudo bem, eu sou imperdoavelmente competitiva quando eu não consigo me controlar, então esse tipo de acontecimento me parece algo realmente enorme. Agora me deu uma crise e eu fiquei muito tempo pensando em absolutamente nada. Sabe, eu acho assustador quando o céu está muito claro ou muito azul ou muito qualquer-coisa-lisa e não têm nuvens, nem nenhum obstáculo aparente entre ele e meus olhos: esse tipo de situação me dá mais medo do que estar muito longe do chão e ter que olhar pra baixo. Cair pra cima parece ser tão pior. Ok, vou refletir sobre isso. De repente me deprimi profundamente.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
último post de 2009
a coisa mais engraçadinha que eu li sobre esse reveillon diz respeito a aqueles óculos de plástico que são feitos pelo menos desde o ano 2000, em que os olhinhos se encaixam perfeitamente nos zeros e tal. agora chega o "1" entre os zeros para avacalhar com os fabricantes de óculos-de-reveillon. eu espero, francamente, que eles consigam encaixar bem o "1" no lugar do nariz e continuar vendendo bem e tal, já que depois vai ficar impossível... dois zeros juntos só daqui muito muito tempo. oh meu deus, que desespero! tipo que essa declaração infeliz é realmente o que eu tenho a dizer. metade do meu ano foi uma bosta realmente sólida e fedida. outra metade foi realmente "weeee", bem colorida e linda e tudo mais. passar no vestibular fez realmente a diferença. mas ainda tenho muitas provas pela frente (se eu prolongar isso, vai ser pior). era pra tentar mostrar que provas significam outras dificuldades também. enfim. cresci bastante esse ano, mantive meu um metro e meio de ananismo, comprei uma tiara de onça verde e tive mais vários feitos aleatórios. espero ir em shows legais em 2010. e gostaria que menos pessoas legais morressem. (tenso)
sempre vale mandar um beijo para pessoas queridas que têm paciência comigo e meu estômago.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Brothers on a hotel bed .mp3
O que eu fiquei de fazer - escrevi no último post - em uma semana foi impiedosamente deixado de lado. Eu quero dizer que não cumpri o prazo, só isso. Lá vou eu renovar meus pedidos de desculpa... Nossa, a última semana foi tão corrida e sufocante. Acabou comigo, mas anunciou o início das férias. E férias assim eu não tenho há tanto tanto tempo... Férias sem pensar em vestibular, férias sem o medo do ano seguinte, férias simplesmente com o sabor de férias. E eu andei pensando em tanta coisa. Eu odeio o Natal, odeio. Não suporto o clima de fim de ano que faz todo mundo agir como se guardasse todo o amor do mundo para essa época - e é realmente o que se faz: quem é generoso em meados de maio ou junho? Não importa... Natal é Papai Noel, presentes e prestações pro ano seguinte. Fato. Não acho graça. Eu não acho lindo o Dia dos Namorados também. E só gosto da Páscoa porque ganho chocolate. Haha. Tipo que eu devo afirmar isso aqui todo o ano, e cada vez devo parecer mais grotesca. Bah, eu tenho me encantado constantemente com a diversidade de personalidades que eu conheci esse ano. Eu conheço as pessoas, guardo uma primeira impressão delas, convivo e então crio minhas expectativas. E me diverti conhecendo gente nova, me supreendendo com velhos amigos, e adoro essa coisa de errar e acertar que envolve as relações. O que ferra com tudo é o orgulho, a falta de sensibilidade com o outro: erros são espontâneos, acontecem porque é assim que deve ser. E se aprende com eles. Pronto, a vida é bela! Sei lá, eu acho engraçadas as motivações das pessoas para fazer as coisas. Tipo escolher uma profissão ou algo assim. E acho curioso como algumas crenças da pessoa parecem se chocar com a filosofia da profissão escolhida. Isso é só um teto que eu venho observando desde os últimos anos da escola... Eu tinha curiosidade de conhecer duas pessoas da faculdade desde o primeiro dia de aula. Depois de dois semestres, acho irônico como uma delas se tornou insuportável e, a outra, muito querida. Outras surpresas também aconteceram - a gente sempre pensa que, no fundo, tudo é bom porque a gente cresce com isso. Não vou dizer que não concordo com isso, apenas declarar o quanto eu fico admirada com o julgamento que fazem de mim. Muitas pessoas criam uma sensação de poder perante o que acreditam ser estratégias frustradas alheias. Ou erros, fracassos, whatever. Acho tudo válido quando se mantém em silêncio - não entendo, porém, aqueles que me cobram "respeito" ou atribuem a mim uma série de qualidades equivocadas. Como se eu tivesse que ser necessariamente "hipócrita" por agir de uma forma ou outra... lamentável. Se existe o desejo de uma resposta, que seja feita a pergunta de uma vez - acusações para quê? Para quem? Enfim, acho tenso. E eu acho funny como o machismo atua em certas situações... por que as garotas devem chorar, não podem erguer a cabeça? Claro, isso já soa como bobagem para muita gente. Mas ainda há quem pense assim (e estão soltos, oh céus!). Outro dia eu estava no shopping, comendo massa e pensando na vida: coisas egoístas de se fazer em fim de semana, quando as pessoas passeiam com bandejas procurando lugar para se sentarem. Eis que a lady que estava comigo reclamou que eu estava apoiando a cabeça na mão que segurava o garfo, e ficou uma cena esquisita ("oi, tem um garfo saindo da minha cabeça"). "Ivy, o que os outros vão pensar? Isso é feio." Sabe... realmente. O que os outros pensariam? Eu me pergunto que porra os outros iam pensar se me vissem ali com o garfo tão perto da minha bochecha direita. São respostas que a vida não vai te dar, que você terá de buscar sozinho, entende? Eu acho extremamente desprezível esse pensamento. Eu li uma crônica sobre isso uma vez, em que uma mulher com uma criança, na fila de um banco, desaprova o comportamento do gurizinho e olha para a moça da frente dizendo "o que a moça vai pensar?". E a moça se vira e diz "não vou pensar nada.". Não parece muito emocionante a historinha, mas eu acho genial. E isso me lembra como muitos pais buscam educar os filhos mais velhos incentivando-os a darem "bons exemplos" aos menores. Ninguém tem obrigação de dar bom exemplo, ninguém. Eu sou uma desgraçada que gosta de reparar na cara de todo mundo, na bainha da calça - que o cara fez com o grampeador -, nos pés inquietos das pessoas das salas de espera... mas 'e aí?', grande merda! E acho que todo mundo deveria pensar "grande merda" também. Penso que isso diminuiria também certos preconceitos e as tentativas toscas de chamar a atenção que alguns indivíduos têm. E ninguém perderia nada com isso, pelo contrário. Isso me lembra quando eu vou comer comida chinesa sozinha. Eu uso hashis (pauzinhos e tal). Hoje, eu sou uma pessoa feliz em usá-los, mas é óbvio que não foi sempre assim. E eu acho engraçado como as pessoas-com-garfo olham para as pessoas-com-hashi. Fiquei com preguiça de comentar toda a interação... mas é impagável. E lembra um pouco o ambiente pré-show de dança do ventre. Eu já conheço bastante gente do estúdio onde eu tenho aulas, então quando todas as alunas se encontram fica fácil reconhecer quem é iniciante ou enfim. E eu ouvi de várias ladies como é realmente aparente a hierarquia que existe, alimentada pelas pessoas que entraram há pouco tempo e acreditam que conforme o tempo tua barriga diminui e teu ego infla. Pode acontecer, mas não é o que geralmente acontece... nem um nem outro. Bastidores, nessas situações, são coisas tão positivas: mil mulheres trocando elogios, maquiagem, falando porcaria e se achando bonitas. Enfim, é algo bom e saudável (redundante?!). Ainda na linha "o que os outros vão pensar", fiquei pensando em situações inesperadas, tipo cruzar na rua com alguém que está chorando. Não lembro da última vez em que estive nessa situação, mas há pouco tempo me acometi de um sentimento blé e emo e fiquei mostrando lagriminhas em público. Haha. Tipo que eu estava na parada de ônibus e as pessoas recuavam uns passos e ficavam me observando. Achei aquilo engraçado. Depois, na lotação, as pessoas olhavam para o banco vazio no meu lado e vinham correndo sentar, daí do nada resolviam que o melhor lugar era aquele lá do fundão. Não que eu pense que tenha movido o mundo com isso, mas achei realmente tetiante. Gurias chorando, em especial, são cenas perturbadoras. Irritantes, às vezes, principalmente quando são contínuas... mas, enfim, perturbam mesmo. Acho que isso se relaciona com o leque de infinitas e aleatórias possibilidades de razões. Garotas são confusas. Mesmo. Não vi muitos homens chorando, mas pelo menos os motivos deles parecem mais "certos" (definidos). A tristeza deles parece mais razoável. Mudando totalmente o rumo do assunto... nossa, eu me sinto tão Ivy! Tão Ivy. Adoravelmente imperfeita e feliz e zaz. Realmente, o importante é a gente se reconhecer. Se reconhecer e ser capaz de assumir nossas ações. Pronto. Aprovação é um assunto limitante. Você gosta dos seus amigos do jeito que eles são, e nem sempre o jeito se mantém. E nem assim o afeto vai embora. Eu gosto da certeza das amizades, realmente gosto. É o que me faz admirar mais esse tipo de relacionamento do que algum dito "mais sério". Claro que o envolvimento é diferente, mas ah... puxa, eu detesto a classificação toda. Eu não "fico por ficar", como diria alguma revista feminina para adolescentes bregas. Eu fico perto de quem eu gosto, pra mim funciona desse jeito. E é essa proximidade que justifica tudo, não um status diferente no orkut ou um anel no dedo. Que se explodam os anéis e toda essa simbologia, se a moral de tudo é acabar com um contrato de amor eterno. Eu não prometo nada a ninguém, não sei quem vou amar amanhã e nem quero saber. E que bom seria se todos fossem livres e desprendidos. Acho tão puro e tão bonito o 'medinho' de perder. Constância é tão não-afrodisíaco. E eu gosto de poder ser eu: vestir o que eu quiser, falar a merda que eu quiser, cantar como eu quiser. Meus amigos me respeitam, acharia engraçado que alguém com a pretensão de superá-los não fosse capaz disso. Enfim. Em poucos dias, será Natal e chega 2010 e toda aquela baboseira de que tudo será diferente. Eu sempre faço um post-de-fim-de-ano reclamando sobre como isso é clichê e não pretendo mudar a rotina dessa vez. Abaninhos para vocês, tá muito calor para dar abraço!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Guess I'm Doing Fine
Oi, voltei. Nossa, não faço idéia do que as pessoas andam escrevendo, nem lembro quando foi a última vez que eu escrevi. E, putz, não respondi algumas mensagens e me sinto tão culpada! Eu vou fazer isso semana que vem, e pedir as devidas desculpas. Sei lá. Eu acho engraçado como o blog se tornou parte da minha vida. Hoje tive meus momentos bregas e meus momentos de impaciência. E, apesar de morrer de vergonha pelas tempestades em copos d'água completamente desnecessárias, elas foram úteis para eu ver coisas que dificilmente em outras situações eu veria. É tão bacana quando se percebe que existem pessoas bacanas. Não que eu duvidasse disso, ou que eu ignorasse a bacanisse de pessoas que são queridas pra mim. Enfim, foi só um comentário. E não queria que ele fosse mal interpretado. Nossa, eu tenho dormido tão pouco, e lido e feito tanta coisa para a faculdade. E, no fundo, essa falta de tempo tem sido tão proveitosa. Minha turma está tão unida e as pessoas, em geral, têm se doado tanto. Eu não sou recordista de momentos felizes na escola, então me emociono quando as coisas vão bem. E, nesse quesito, vão realmente bem. Descobri um mundo musical que me deixa "esperneando", sei lá. Porque eu gosto das músicas desse mundo que eu conheço, mas elas representam uma parcela ínfima de tudo, e isso é meio assustador. Eu odiaria ter que dizer "é só música", porque não é "só música". Música nunca é "só música". E eu defenderia isso com todas as notas que eu não sei e palhetas que eu não tenho. E eu devo ter, mas estão por aí. Tipo o meu D12 roxo, que eu não lembro de ter efetivamente usado. "Efetivamente". Sabe, essa é uma palavra que eu acho gozada. Tenho uma professora que fala isso freqüentemente, e sempre que ela fala eu esboço um sorriso e fico pensando o que exatamente significa isso no contexto. É que tem palavras que, se a gente for pensar, não acrescentam nada. Mas isso é triste demais para esse horário. Ah, eu estou encantada com o universo das diferenças. Um encanto bom e ruim ao mesmo tempo. Fico feliz que todos não sejam da mesma maneira. Cheguei não faz muito tempo da aula, e hoje conversamos muito sobre segunda e terceira infâncias. As aulas dessa disciplina tendem a ser as mais divertidas. Falar de criança é divertido, gostando delas ou não. E a gente sempre percebe que continua agindo meio infantilmente às vezes. Ainda bem. Na minha vida pessoal, eu tenho encontrado algumas dificuldades não exatamente comuns, eu acho. Não que eu pense que todos os relacionamentos interpessoais são óbvios, mas acho engraçado como os meus problemas soam incomuns. Falei isso por falar, porque não faz sentido eu discutir isso aqui. Não é o caso de discursos do gênero "como eu sofro" - quanto a isso, todo mundo sempre pensa que é a vítima mais infeliz da história e, no fundo, cada um está certo à sua maneira. E chegou mais uma fase de crise de cabelo da minha pessoa. E, nessas horas, a gente sempre tende a encontrar na rua pessoas que recentemente se tornaram ex-cabeludas e coisas do gênero. Ora, é só mais uma mulherzite. Falando em mulherzite, eu estou também naquela fase de profundas reflexões a respeito de decisões passadas. Parte da minha biografia é inexplicável por definição. Nem eu mesma sei definir o que eu sinto ou penso algumas vezes. E esse ano está tão longo, tão longo. Para mim, quando mudou o semestre, mudou também o ano. E é meio assustador pensar assim. Me dei conta de que não vi setembro passar, nem outubro, nem novembro. E isso não quer dizer que eu não tenha aproveitado: pelo contrário, eu tenho me sentido incrivelmente útil. Tão útil que não dou conta de tudo que há pra fazer... mas, ok, eu tenho tentado. Vi filmes tão legais, e comprei tantos livros, e tive conversas maravilhosas. Acho que eu sou apaixonada por risada. Vence a melancolia da solitude, a beleza daqueles silêncios de pôr-do-sol. Mesmo que palavras não sejam necessárias às vezes, mesmo que os gestos criem histórias... mesmo com tudo isso as risadas têm o seu valor. Ah, se têm! Uma amiga minha dizia que, antes de qualquer coisa, buscava alguém que a fizesse rir. E, é verdade, isso é genial. Sabe, é impossível ser feliz sozinho. É realmente impossível ser feliz com essa pretensão. Se, por agora, eu não vejo a hora de ver o ano acabar, de entrar em férias e etc. e tal, é porque eu realmente estou ansiosa para aproveitar ainda mais. É a velha história: não importa o que será feito, mas todas as outras variáveis. Se chove, tem seu charme. Se chove muito, se torna engraçado. Se chove muito, mas muito, e a gente pega um resfriado, sei lá. Mas vale a pena igual. Tenho pensando um monte na consistência das minhas reclamações (?!), e eu acho que a essência da coisa é realmente senso de humor. Eu sei que parece não fazer sentido. No fundo, eu acho natural não gostar das coisas e querer exprimir isso. Chato é bancar o legal e fingir que está tudo bem. Enfim. Eu quero ver se escrevo um monte agora... sim, eu disse isso para umas pessoas há uns meses e foi a mesma coisa que nada. Mas eu ando empolgadinha e com mil teorias falidas para explicar o mundo. Acho que parte de mim realmente é meio Bob e anda de bicicletinha vermelha pela casa.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Passenger Seat
Se eu fosse escrever tudo o que eu pensei nos últimos tempos e abordar cada assunto em um post seriam muitos e muitos textos desconexos e um tanto inacabados, eu acho. Eu tenho uma mania defeituosa de não concluir as coisas e, com freqüência, minhas opiniões acabam entrando nessa lista. Isso deve fazer parecer que eu sou mais indecisa do que eu geralmente sou. Na verdade, eu tenho um senso de justiça meio curioso. Eu detesto quando acho geniais pensamentos ultrapassados e, às vezes, irracionais. Tipo eu adoro aquilo de "olho por olho, dente por dente". Mas sou contra a pena de morte. Mais ou menos contra. Em caso de prisão perpétua, o condenado deve morrer de uma vez. Mas igual, eu não acho que deva existir algo que acabe com "o direito maior", que seria o da própria vida. Ok, meu discurso soa religioso. Eu nem queria falar disso mesmo. Fato é que eu tenho dado conselhos à minha mãe sobre coisas que, no fundo, ela deveria me alertar. Isso é um tanto estranho. Mesmo que seja coisa de mulherzinha, e mesmo que eu pense que a diferença de idade interfira aí de forma positiva. Sabe, aquele negócio do "dia seguinte" é mesmo verdade. A experiência dessa vez não foi constatada diretamente por mim, e isso reforçou minhas crenças. E, sabe, não acho mais que exista isso de "me apaixono facilmente". Sei lá, as pessoas são como são e nós gostamos delas ou não. Tudo bem, existem as variáveis (humor, contexto, blablablá), mas nada é maior do que a empatia. Sabe, é algo que se vê de longe. E nessas de pensar em amorzinho pra lá, amorzinho pra cá, eu comecei a questionar a poligamia e coisas assim. Eu pensava que casamento era uma coisa desnecessária. Tipo mais um motivo para fazer festa, brindar a hipocrisia da eternidade e blablablá. Eu acho bonito o "forever", só não gosto da pretensão de fazer o relacionamento durar. Eu penso que a própria preocupação já corrói a naturalidade da coisa. A aliança no dedo transforma a confiança em promessa, dívida, sei lá, obrigação. E o que muita gente enxerga como sendo um símbolo de, nem sei, um símbolo de algo bonito, de um laço de união, me parece muito aquela insegurança que te faz querer mostrar para os outros como você não está sozinho no mundo. E eu acho porco qualquer tipo de exibicionismo nesse sentido, ou essa coisa de fazer o que todo mundo faz sem um bom motivo. Ok, em várias fases da vida o fazer-o-que-todo-mundo-faz é um problema. E então eu comecei a ver o casamento como algo meio "ano novo". Tipo eu não acho que o amor seja necessariamente progressivo e divido em fases. Namoro, noivado, casamento, filhos, lalalá... sabe, essa rotina é meio triste. Você já sabe onde acaba. É sem graça. Eu gosto da liberdade de pensar que o afeto é o que basta, que uma cerimônia não vai tornar tudo mais importante. Eu devo ser meio perturbada. Não queria ver minhas Barbies casarem, mas saber por que elas "já vinham com calcinha". Tipo por que não fazem bonecos com genitais? Ok. Silêncio. Enfim, acho que o hábito do casamento funcionaria como acontece todo o ano, quando abrimos a champagne e pensamos que tudo vai mudar, que o mundo está se renovando e a vida é bela e tudo mais. Eu sou pessimista mesmo, mas acho que é por aí: dia primeiro você acorda de ressaca e, enfim, o mundo só parece diferente porque você (eu) não faz nada da vida e provavelmente está de férias. Grande coisa. Acho que o casamento serve pra dar esse ar de que o tempo passou e tudo pode ser melhor. Mesmo que estatisticamente isso seja mentira, fail total. Falando assim, me lembrei de um livro muito bom, pelo qual eu conheci Sonic Youth. A guria do livro era muito afudê e tinha todo um jeito de falar que era muito único. Enfim, me gusta. É meio mal eu falar assim de casamento, sendo que eu fui em um há uns dois dias e, pra ser franca, eu me emocionei. Na verdade, eu fiquei mais emocionada com a irmã da noiva. E não fez muito sentido. Eu tenho em dvd imagens muito engraçadas de quando éramos pequenas, e eu acho que fiquei mentalizando isso. Eu realmente fiquei fascinada quando descobri esses vídeos, porque eu me vi bebê ou com poucos anos e, sei lá, é engraçado quando você se vê assim. Tudo deveria parecer mais colorido e feliz. Sabe, eu não tenho jeito com crianças, mas eu realmente admiro a inocência delas. Enfim, a inocência de tudo que não perdeu sua essência. Eu gosto de tratá-las como adultos, porque lembro de ser tratada como criancinha quando eu já era maiorzinha, e eu odiava ouvir os adultos falarem agudinho e se abaixarem, como se eu fosse uma anã retardada. Não que eu não seja. Silêncio. Hahaha. Ok. A minha psicóloga tem a mania de fazer a gente refazer as frases, tipo: ao invés de dizer "tô uma baleia", dizer "eu sou uma pessoa legal e vou melhorar o meu peso". Não tão bobo, mas tipo isso. No fundo, isso me faz rir internamente. Para algumas pessoas funciona, mas sei lá. Meus problemas de auto-estima são criados por mim, e faz parte do meu divertimento me ridicularizar. Porque eu gosto, porque eu acho importante rir das coisas. Rir com as pessoas, e rir das pessoas. Eu rio de mim, quero permitir com que façam isso também. Sabe, eu acho meio chata essa aura de pecado que existe quando se faz uma fofoca ou coisa do gênero. Tudo está sujeito à crítica, ao preconceito, a uma opinião, a um julgamento. Por mais individual e interno que isso seja, o silêncio não impede que isso ocorra. Enfim, acho bárbaro quem sabe rir de si e fazer bons comentários com e sobre os outros. E eu adoro pessoas sinceras. Sinceras e espontâneas, cansei de repetir isso. Acho que é o que falta no mundo - a tal da espontaneidade. E eu penso que há diferença entre ser fiel e ser confiável. Eu detesto aquele discurso estilo "busco alguém fiel" de progama de namoro da tevê. Acho lealdade algo bem mais digno. Enfim, stop it. Andei pasma com o egoísmo absurdo de conhecidos, e a insistência em realizar trocas falsas de adjetivos. Sabe, as pessoas ficam realmente melhores ao vivo. Acho que, desse modo, certas situações não acontecem. E que bom seria se assim fosse todo o tempo. E eu acho bonitinho ser tímido. Acho mesmo. E eu fiquei dizendo pra minha mãe "não depender da bagunça da vida dos outros", o que é um tanto Amélie Poulain da minha parte. Eu tenho um pouco de medo desses comerciais pseudoinformantes sobre transtornos alimentares. No fundo, eu não sei como a gente sabe se o que a gente percebe é o que é. Filosoficamente, não existe a determinação do real. Ok. Sério, recentemente vi dois filmes muito bons. E um muito muito chato. E eu acredito cada vez mais no senso de "voutefuder" dos professores. E, curiosamente, no senso de puxasaquismo. Mas eu não deveria falar disso. O fato é que tá calor, e eu odeio calor. Tenho uma lista musical bem novinha e muito ótima. Eu gosto de quando consigo me espelhar em alguém. E eu gosto da sensação de 'querer cuidar'. Eu passaria noites em claro ouvindo música, falando de cicatrizes e pintando paredes. Acho que estou gostando de ser eu. De novo, e diferentemente. E tem uma coca-sem-gás me esperando na geladeira, beijos. Outro dia falo sobre a hipnose e a briga interna que ocorre nesse momento.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Gold Soundz
Ele parou o carro no posto de gasolina. Deixou o cara do posto enchendo o tanque e entrou na lojinha para comprar chicletes e coca-cola. Quando ele começou a se aproximar, eu fechei a janela do carro - deixei que o vidro escuro me deixasse quase invisível. Eu me sentia melhor assim, gostava de observá-lo sem que ele percebesse. Voltou com duas cervejas, os chicletes, a coca e uns três pacotes de bolacha. Pegou a chave com o cara e, uns segundos depois, estávamos de volta no asfalto. Durante a viagem, ouvíamos qualquer coisa. Digo isso porque nosso gosto era mesmo parecido. Músicas, livros, filmes e todas essas coisas que parecem dar mais sentido e personalidade às pessoas. Não exatamente tão clichê. A pretensão não era voltada para uma tentativa de fazer nascer qualquer porcaria de sentimento, apenas existia a intenção de aproveitar os acontecimentos. Se temos que viajar, que seja legal. Se queremos viajar, e queremos ir juntos, ok. Simplesmente ok. Estrada, noite, vento e música - nada errado. Eu sempre gostei de ficar olhando para o cabelo dos outros, mas, com ele, minha atenção sempre se voltava para sua barba enigmática. Eu falo isso porque nunca soube se ela era como era propositalmente ou por preguiça, acidente, qualquer outro motivo aleatório. Eu gosto de coisas inusitadas, e barba por fazer, e pessoas que se vestem bem porque realmente combinam com o que vestem (e não, necessariamente, porque combinam as peças ou coisa que o valha). Ele dirigia com uma mão na direção, falando besteira atrás de besteira. E como eu adoro besteira! O fato é que eu ri muito durante a merda da viagem. Aquelas seis horas passaram muito, muito rápido. Devo ter ouvido os melhores cd's do mundo e dito todas as coisas que me passaram pela cabeça. E, quando ele falava, eu ficava olhando a boca dele se mexendo. E pensando na barba, na maldita barba. E em todo aquele cabelo, que eu não hesitaria em bagunçar. Acho que uma das minhas marcas é despentear as pessoas. Tipo isso. E ele falava e abria tanto a boca, como se fosse comer o mundo com as palavras. E eu achava graça, eu sempre achei graça. Do lado dele, eu me sentia como uma música dos Pixies, um clipe de Killers, sei lá. Lost in Translation com o humor de Skins. Whatever. O fato é que madrugada combina com humor porco, e revelações, e todas as coisas sinceras e longe de serem avaliadas como certas ou erradas. Certos segredos só se vivem com estranhos. E é legal ter do seu lado uma pessoa de barba enigmática - ajuda a manter o ar impessoal. Eu me enrolei num casaco, encostei a testa no vidro e fiquei vendo as árvores se tornarem borrões no escuro. Sempre me pergunto o que eu faria exatamente se, do nada, estivesse do lado de fora do carro no meio do caminho entre uma cidade desconhecida e outra-que-sei-lá-qual-é. Ele me contou sobre suas férias de seis anos atrás, sobre sua relação com sua irmã, enumerou os defeitos da antiga escola e fez umas trocentas listas sobre todos os álbuns que eu tinha que ouvir. E me falou dos amigos, de como aprendeu a tocar baixo e todas aquelas histórias que eu gostava de ouvir repetidas vezes - apesar de ele raramente repetir alguma. Sempre tinha algo novo pra contar, uma nova porcaria que algum infeliz tinha feito. Eu gostava de fazer parte daquilo, gostava de estar ali comentando tudo abertamente. Trocávamos xingamentos e depois ele sempre me abraçava daquele jeito diferente. Grosseiro e afetuoso. E extremamente "dócil". Dócil é uma palavra estranha, mas se encaixa nessa situação. Por vezes, sentia vergonha por alguma grande merda que eu dizia. Daí, ele olhava pra mim com aquela cara de indiferença e dizia que eu tinha que agir assim mesmo. Grande merda mesmo. E, realmente, grande merda. Acho que as boas coisas realmente nascem daí, dessa espontaneidade, desse "eu sou assim mesmo" - que torna os erros apenas enganos passageiros (e pronto). Tudo é mais simples se é espontâneo, se ocorre naturalmente. Tudo cru. Cru. Cru é uma boa palavra, e é do tipo que ninguém fala ou escuta com muita freqüência - a não ser quem trabalha em uma cozinha. E eu sei lá se ele sabe cozinhar. Sei que a gente come qualquer coisa, como escuta qualquer coisa. Qualquer coisa, menos pastel de palmito com massa integral. Sabe, se eu for pensar bem, ele é organizadamente desajeitado. E eu adoro isso. Adoro pessoas que não parecem perfeitas e acabam se passando por isso justamente por serem exatamente como são. A gente dividiu a coca, acabou com os chicletes e se divertiu cantando rap e falando mal de quase todo mundo. Isso era uma coisa que eu admirava nele, esse "quase". A linha tênue entre o fazer ou não, que acabava silenciada no não. O silêncio, o silêncio dele era outra coisa que me intrigava. E, quando vencíamos a distância, e a barba se aproximava do meu rosto, eram seus olhos inusitados que me roubavam a atenção. E eu gosto de como grande parte da história é besteira, grande parte se resume em barba e cabelos e roupas. Nem só de subjetividade vive uma pessoa. O que é externo e visível importa, importa porque também agrada. E desagrada. E eu não sei se agrado. O fato é que eu continuo fechando a janela toda vez que ele se aproxima, numa tentativa de me esconder e poder observá-lo à vontade, livre da minha identidade e da responsabilidade de ser eu. Tem pessoas que me agradam tanto que, nem sei, me fazem querer estar por perto, mas escondida. Não seria insegurança. Talvez eu seja desajustada também. E grosseira, às vezes. Tanto faz, ele não se importa com essas porcarias. Ele é desses caras que fazem a gente ser a gente, defeituosamente a gente. E do jeito bom e lindo também.

terça-feira, 15 de setembro de 2009
Fat'bottomed Girl
"Sexo verbal não faz meu estilo
Palavras são erros e os erros são seus
Não quero lembrar que eu erro tambémUm dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também"
Esse trecho de "Eu sei" tocou em boa hora: estava conversando e refletindo sobre o ser humano - o ato propriamente dito. Ok, não exatamente tão vago assim... O assunto é mais direcionado para situações "dolorosas". Sim, vale a idéia de que o sofrimento é opcional (a velha história) - transformar o luto em melancolia é só para os artistas... Tenho um amigo um tanto Shakesperiano, e (sei lá se ele sabe disso) sinto um superorgulho da atitude (um tanto romântica) dele de mostrar suas fraquezas, pedir auxílio e, enfim, não bancar o machão insensível. Não pretendo dar início a um discurso do gênero "mulheres gostam de caras sensíveis", a idéia não é nem de longe essa. E nem sei se gostam ou não. Pouco importa. Ele está mais maduro, menos dramático talvez. E anestesiado (eu gosto dessa idéia). Depois de um tempo, independente do aprendizado que adquirimos e da freqüência das decepções, acredito que vamos nos acostumando com os fatos e sentindo-os menos a cada vez que se repetem. Não é que sejamos tolos a ponto de deixarmos tudo acontecer do mesmo jeito, não é mesmo. Cada caso é único. Enfim, só queria dizer que acho bonita a verdade, acho que as lágrimas são dignas - foda-se se o responsável por elas merece ou não. Foda-se. Umas das coisas mais admiráveis pra mim é justamente a grandeza de cair e levantar. No palco, na vida, anywhere. Eu falei sobre isso aleatoriamente. Não me identifico com essa situação. Na verdade, fiquei pensando que eu adoro (mesmo) relacionar amigos com personagens equivalentes [?]. Até hoje, acho que só fiz isso com dois. Lestat/Louis e Arthur. Ok, o primeiro exemplo ficou meio infeliz. Mas eu gosto dos dois, acho que se completam. E o Arthur, ah... Nossa, sou apaixonada pelo Rei Arthur. Arthur, Morgana, Merlin, Vivian, blablablá... Quanto ao Holden Caulfield, sei lá... eu sou ele, é meio arriscado desejá-lo na minha frente. Fora que ele é um tanto cinza. Mas um tanto cinza mesmo. Tem dias que nem eu me agüento. Mas , enfim, o Holden é eterno. Eterno. Por falar nele, hoje eu vi a terceira edição (terceira!) do Apanhador em cima de uma mesa e, ai, babei. Bons livros quando são velhos são tão mais atraentes. Ai ai. Nossa, estou muito emocionada com as aulas. Tipo muito mesmo. Aquilo de chegar em casa exausta e ir correndo ver o que tem pra fazer. Nesse domingo, bizarramente eu senti falta de ir pra UFCSPA. Senti falta das pessoas, dos comentários, das risadas. Às vezes, é verdade aquilo que dizem sobre uma janela se fechar e uma porta se abrir. Sou meio teimosa, mas procuro manter a cabeça aberta. Sei lá, eu sou boazinha. Não do tipo padrão, é claro: eu invento apelidos e sou um tanto cretina mesmo. Mas sou boazinha. Acho interessante o diálogo, necessário ceder, fundamental respeitar. Não é uma boa idéia do destino me fazer pensar que minhas primeiras impressões, meus primeiros julgamentos, estão certos: mas é delicioso poder pensar que minha intuição é generosa comigo. Ok, essa frase ficou estranha. Sei que ando falando com gente diferente, que tem me surpreendido litros. E tem sido ótimo. Cada vez mais eu me acho meio esquisita por ser a saiazinha entre as bermudinhas [?], mas, no fundo, é o que me faz bem. Acho que os caras te mantêm no lugar, gurias te puxam pra lá e pra cá. Ah, não quero explicar isso. De qualquer modo, sou aberta. Gosto de cuidar dos meus amigos, gosto mesmo. E tem sido um ótimo período pra isso. E eu estou parando de roer unhas do nada. E comendo menos chocolate (mas isso aí não reflete exatamente a minha vontade...). Eu acho engraçado quando sofro com essas mulherzites do tipo se identificar profundamente com "Bette, a feia". É tão fácil conhecer o inferno às vezes. Enfim. Ui, achei muito profundo e exagerado o que eu disse. Eu queria ficar falando sobre qualquer coisa, mas foi inevitável falar de mim. Acho que estou bem. Não tenho certeza, depende do momento. Depende de o quanto eu estou disposta a refletir sobre minhas atitudes de uma maneira justa para mim e todo mundo. Eu sou trouxa, sou trouxa o bastante para me ferrar no lugar dos outros. Mas é puro egoísmo isso, puro egoísmo segundo a filosofia. Infeliz como parece que eu estou propaganda de "Ivy, a coitada"... Nem é isso. Sabe, ainda que eu me ferre, eu faço o que me faz bem. Se eu achar válido me ferrar, eu me ferro. E acho que ultimamente eu estive suportando muitos problemas que não eram meus - não estou tão disposta a me sujeitar a certas situações. Continuo sendo uma "pessoa substituta", do tipo que quer te deixar bem a todo custo. E continuo me identificando com a Clementine, mesmo que não deseje a história dela. E, antes de tudo, continuo exercendo meu papel de "pessoa-que-espera". Só que eu cansei por ora, só isso. Festas animadas, com gente esquisita e gente linda, têm me alegrado, me feito pensar. Mais do que nunca, tenho adorado ser a dona da casa e a dona da minha vida. O final foi só pra fechar com estilo, porque a preguiça de escrever mais bateu. São 04:18 no relógio. E, sei lá, não estou "blé". Me disseram que pareço mais insensível e estou mais fechada. Talvez. Creio que sim. Mas continuo sendo eu, seja lá o que isso signifique. Estranha necessidade de ser abraçada em conflito com a vontade de evitar qualquer contato. Ok, não necessariamente qualquer contato. Mas odeio os nordestinos e analfabetos que surgem no msn. De novo não é um bom "final". Ok, acho que fica mais bonitinho se eu disser que estou com vontade de caminhar por aí e falar merda em boa companhia, comendo balas de gelatina ou qualquer coisa que me faça pensar que minha barriguinha é de felicidade [?]. Ou não. Beijo pro meu pai, pra minha mãe, e pra você!
domingo, 9 de agosto de 2009
friendshit
Eu fiquei superafim de escrever, me senti inspirada pelo clima chuvoso ao extremo e a little bit pressionada porque o último post foi escrito há certo tempo... Acabei de ler um texto do Gui que me deixou super pensativa, e me deu vontade de ficar falando aleatoriamente de novo - eu tinha perdido um pouco a empolgação inicial depois de ficar relendo umas coisas que eu postei aqui (li "Né" e achei meio assustadora a forma com que eu poderia escrever quase a mesma coisa num dia desses. exceto a parte do banheiro, que eu achei extremamente desprezível). Eu queria escrever uma daquelas historinhas bestas de ficção, não exatamente cheia de diálogos, mas a vontade de continuar escrevendo enquanto Ivy é bem maior nesse instante. Sabe, eu odeio quando a inocência acaba ficando mais próxima de ser um defeito. Por situações traumáticas de quando se é uma criança e está crescendo e por reforço às idéias de Holden [Caulfield], eu fico realmente tocada com o jeito que inevitavelmente somos corrompidos. Ok, exagero - e não necessariamente tudo a ver uma coisa com a outra. O fato é que eu acabo sendo mais tola do que deveria, às vezes, por tentar manter um ponto de vista 'virginal' sobre as coisas e pessoas. Eu me irritei mesmo quando, depois de esclarecer intenções, a pessoa tirou da manga uma série de bobagens e blefes. Não tenho nada contra perdoar erros, equilibrar a culpa - fazer cada um assumir a responsabilidade por seu papel -, conversar e tentar recomeçar. Gosto dos vilões, dos disfarces, das estratégias - gosto da maldadezinha bem empregada. Só não gosto de jogo sujo, de envolver na farsa alguém que não tem nada a ver com a situação (e muito menos tem chance de se explicar). Não estou tirando meu corpo fora, realmente fui muito idiota e imatura ao deixar me influenciar por uma visão alheia a tudo e completamente pretensiosa. Em horas assim, me lembro de antigas conclusões que se tornaram metas ao longo do tempo. Como pude esquecer que só quem tem o poder de falar sobre suas emoções é a própria pessoa?! Enfim, tudo se torna motivo quando se busca o caminho mais fácil - o de seguir o que é aprazível, ainda que irreal. Ou isso ficou uma coisa confusa e impossível de entender, ou ficou óbvia (e, de repente, um tanto revoltante. sei que não deveria deixar certas coisas tão esclarecidas em 'lugares públicos'...). Ok, vou ficar devendo um post-tentativa-de-ser-super-bom-ou-no-mínimo-entendível. Sorry, guys. Tempestade em copo d'água ou não, fico super contrariada quando vejo que não mediram as conseqüências antes de falar certas coisas - não no sentido de 'hohoho, vocês não sabem com quem estão lidando - vou me vingar!', mas lembrando que, em certas situações delicadas da vida, uma palavra com um sentido ambíguo ou uma mentirinha podem realmente ferrar tudo.
(um post tão pequeno e tantos marcadores, ora pois!)
(um post tão pequeno e tantos marcadores, ora pois!)
Assinar:
Postagens (Atom)














