I don't know just where I'm going
But I'm gonna try for the kingdom if I can
'Cause it makes me feel like I'm a man
When I put a spike into my vein
Then I tell you things aren't quite the same
When I'm rushing on my run
And I feel just like Jesus' son
And I guess that I just don't know
And I guess that I just don't know
I have made the big decision
I'm gonna try to nullify my life
'Cause when the blood begins to flow
When it shoots up the dropper's neck
When I'm closing in on death
And you can't help me, not you guys
Or all you sweet girls with all your sweet talk
You can all go take a walk
And I guess I just don't know
And I guess that I just don't know
I wish that I was born a thousand years ago
I wish that I'd sailed the darkened seas
On a great big clipper ship
Going from this land here to that
On a sailor's suit and cap
Away from the big city
Where a man cannot be free
Of all the evils of this town
And of himself and those around
Oh, and I guess that I just don't know
Oh, and I guess that I just don't know
Heroin, be the death of me
Heroin, it's my wife and it's my life, ha-ha
Because a mainer to my vein
Leads to a center in my head
And then I'm better off than dead
Because when the smack begins to flow
I really don't care anymore
About all the Jim-Jims in this town
And all the politicians making crazy sounds
And everybody putting everybody else down
And all the dead bodies piled up in mounds
'Cause when the smack begins to flow
Then I really don't care anymore
Ah, when that heroin is in my blood
And the blood is in my head
Man thank God that I'm as good as dead
And thank your God that I'm not aware
And thank God that I just don't care
And I guess that I just don't know
Oh, and I guess that I just don't know
[ The Velvet Underground ]
sábado, 18 de abril de 2009
Heroin
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Pensado por
Ivy
às
19:59
1 comentários
terça-feira, 14 de abril de 2009
Something Stupid
Desceu a escada e, do chão, contou o quinto degrau onde, em seguida, sentou-se. Os pés não alcançaram o terceiro e ficaram balançando no ar. Aquele dia em especial não foi dos mais quentes - pelo contrário, até ventava. Nessas circunstâncias, o vento ficou ainda mais poético: talvez, o significado de mudança tivesse se estabelecido na cena como um todo. As pernas não muito esticadas e as mãos juntas, entre as coxas, deixariam - em breve - de serem novidades. Ela insistia numa expressão despreocupada, mas não sabia disfarçar sua ansiedade. Com o tempo, não mudou muita coisa: quando não eram as sapatilhas arredondadas a balançar sobre o terceiro degrau, eram os all-stars "cinzas" que lhe faziam companhia. E como combinavam aqueles calçados! Eram os mesmos pés a caminhar por aí, os mesmos pés a rolar pela cama. Às vezes, pareciam não ter começo nem fim - para dizer a verdade, quase sempre. Nem começo nem fim. Talvez uma história. Uma história musical. Mentira seria ela dizer não se importar em arrumar as palavras em parágrafos e mentira, também, seria ela dizer que toda aquela situação a deixava indiferente: ela sentia bem o que, há tempos, queria sentir - só não sabia descrever. E pouco importava o que seriam os dois dali em diante: dois erros, dois passageiros, dois estranhos e suas variações. Na verdade, sua certeza era essa: não eram estranhos um ao outro. As semelhanças, talvez, os remetessem à terceira idade - mas eram tantas e boas, generalizá-las seria inapropriado. Ela sabia que não precisava disso, de palavras e tentativas de estruturar um romance. Sabia, inclusive, que estava longe de conhecer o bastante sobre o cara que segurava as baquetas de um jeito engraçado: "que se foda essa mania de insegurança, fuck this shit". Freqüentar o quinto degrau se tornou uma constante, bem como relembrar diálogos e expressões do quarto escuro. Sua surpresa, talvez, foi perceber que a ansiedade não diminuía e que, não importava o número de linhas, ela insistia em tentar explicar isso - escrevendo com letras, escrevendo com gestos. De fato, o que mais gostava era provocar aquele sorriso que não se perdia na sua memória. E levantar-se do quinto degrau, descer até o primeiro... Fechar os olhos, entrelaçar os dedos, sentir-se bem - como nunca. Aqueles all-stars "cinzas" não foram mais vistos sozinhos. E pensar em mudar isso não faz parte do plano.


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Pensado por
Ivy
às
22:22
3
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segunda-feira, 13 de abril de 2009
Outono cinza-blue.
Eu resolvi que não caminharia em linha reta, indiferente àquela curva. Estava numa estradinha de areia, que traçava destino sobre aquela imensidão verde-grama. Eu segui toda a inclinação, passando um pé pela frente do outro, de forma lenta e compassada. A música que eu estava ouvindo me fez pensar em outros rostos, outros cabelos de inverno. Quando a noite é fria, os fios de cabelo ficam gélidos e as pessoas falam pouco, esbaforidas por entre as voltas dos cachecóis nos pescoços. Tudo fica tão deliciosamente cinza-blue no inverno. Os outonos são mais alaranjados, mais beges, mais marrons: ainda arriscam certa alegria. E não é que o inverno seja de todo triste, mas aquela curva no chão, sinuosa e brincalhona, só poderia ser de outono. Eu decidi obedecer a faixa para ver se eu me sentia como outra pessoa. Outra pessoa qualquer, sabe, qualquer coisa que não fosse eu. A gente deveria poder tirar férias de nós mesmos às vezes. Não ficaria indiferente, pelo menos: acho que foi isso que eu me tornei. Chocolate quente é bom, chá é bom, café é bom... mas já não sinto aquela vontade de tomar alguma coisa. Eu gosto de quando a noite se impõe sobre a luz, gosto de como, pelo menos na natureza, existe respeito. Sabe, eu liguei hoje de manhã para um sujeito e ele bateu o telefone no gancho. Isso é coisa que não se faz! Desde então, com esse ótimo acontecimento - próprio para dar início a uma manhã feliz -, comecei a pensar em como seria bom assumir outra identidade. Quem sabe mudar o corte de cabelo, comprar uma jaqueta... não, essas mudanças externas não funcionam comigo. O problema de estar em constante mudança interna é que quem está ao seu redor não tem exatamente uma noção do que está acontecendo na sua vida. Pensando bem, isso não é um problema: serve até de proteção. Eu segui a curva do caminho e olhei para os lados e para trás, em busca de qualquer alma que parecesse consentir o que eu fiz. Sabe, eu precisava de um desses sorrisos que não dizem nada, desses que as pessoas fazem quando encontram, na rua, algum semblante conhecido e desconhecem sua origem. Eu precisava, na verdade, de qualquer coisa que me oferecessem. Um abraço, um pastel, um convite para jogar damas... qualquer coisa que deixasse meu outono menos invernal. Mas eu cruzei a porcaria da estradinha de areia e ninguém apareceu por lá. A grama continuou verde e intocada, inclusive as folhas secas que a enfeitavam. Aprecio os mosaicos naturais e penso que, de certa forma, eu também sou um. Todo mundo, de um jeito ou de outro, tem esse lado meio mosaico, meio Frankstein: a gente se constrói com um pedaço de um, um pedaço de outro e, quando vê, já não se encontra como um todo, mas em pedacinhos. Eu gostaria de saber o que levaram de mim ou o que eu emprestei de mim "sem saber". Não adianta chutar as pedras ou se importar com a poeira que sobe do chão a cada passo. Não adianta buscar, no pensamento, conversas passadas. Eu preferia ter de conviver mais com minha indiferença e menos com a minha solidão. Ser mais cinza-blue e menos grafite. Cheguei, então, ao fim da estrada: não ganhei nada na trajetória, mas também não me roubaram uma ou outra peça do mosaico. Isso deveria ser bom. Ou não.


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Pensado por
Ivy
às
01:13
5
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
(esqueci de botar título)
"Let's get together before we get much older..."
Ouvindo musiquinhas ótimas por sinal. Aiai, estou finalmente escrevendo. Não que eu seja uma pessoa tão responsável, mas andei bem ocupada nas últimas duas semanas [?]. Aconteceu tanta coisa, tanta coisa... E, finalmente, minhas aulas teóricas da auto-escola acabaram! Eu vou dormir meio tarde, até porque não consigo dormir "cedo" (e, no fundo, eu nem me esforço porque eu gosto de dormir tarde), e acordar antes das sete para enfrentar umas horas irritantes não é muito agradável. Não que isso seja um grande problema, mas eu particularmente não entendo o "porquê" de algumas pessoas. Tipo as velhas que vão nas aulas da auto-escola para se fazerem de moderninhas taradas ou os tios que vão lá brincar com a instrutora - mas, ainda eles, são mais compreensíveis. Quando eu fico um tempo sem postar - e quando eu não fico também - eu me sinto meio obrigada a ficar falando da minha vida. No fundo, seria engraçado contextualizar tudo, mostrar porque uma coisa eu disse de um jeito e não de outro - coisas assim -, mas quando tudo se torna fácil não fica tão legal. E pouco importa quem sou eu nessas historinhas fictícias. Sabe, me apresentaram músicas realmente muito boas. Eu fico realmente feliz 'com um repertório novo'. Ultimamente e mais do que nunca eu ando muito musical. A faculdade está engraçada... digo, é o primeiro semestre e algumas disciplinas ainda parecem não ter muito propósito. Mentira, não é essa a minha idéia. Só me deprimo quando vejo um ou outro professor que, pelo menos por mim, não se deixa ser muito respeitado. Quer dizer, eu só estou com a terrível visão da roupa bizarra que uma professora usou ontem. Enfim. Grande merda. Eu conheci gente legal pra caramba (eu nunca falo "pra caramba"). Também conheci pessoas que me deixam sem saber como reagir exatamente. Estou praticando aquilo de afastar minha visão inicial das coisas, a fim de não alterar o resultado - mas eu não tenho culpa se eu tenho intuição. Aqui isso não vai aparecer (não enquanto eu escrevo quase como se eu estivesse conversando), mas eu tenho uma neurose com Português. Nem sei se deveria chamar de neurose. Eu não durmo feliz se não arrumar as vírgulas de uma frase ou deixar que palavras iguais sejam visíveis aos olhos na mesma página - entre outras manias de gente que se desconcentra facilmente. Eu não era assim, "desconcentrada" - ah, também não acho que seja essa a moral da história também. Eu estou com crise de quarto. Haha. Tipo "ninguém entra aqui até eu decidir o que eu faço com ele". Nada tão grave, só estou pensando bastante no assunto antes de sair comprando coisas aleatórias (vide randômicas). Ontem, voltando pra casa de noite (falei isso pra dar um clima adulto, mas a verdade é que eu volto de van com umas meninas da aula), rolou uma semidiscussão sobre gays e etc. Na verdade, quando eu sentei no banco, me deu um tique (Tourette?!) e eu fiquei xingando um colega meu que eu acho um bundão. Super sincera. Não que eu admire esse tipo de atitude, mas eu fiquei realmente blé com um trabalho que a gente fez ontem. Mesmo não tendo nada a ver, no grupo de uma colega minha rolou a tal discussão sobre os gays. Eu não estava tão afim de argumentar com ela nem com ninguém, então fiquei ouvindo as observações. Sem maldade, só achei engraçado escutar que todos os gays são "mulheres num corpo com pinto". A guria defendeu isso arduamente, falando de genética e de como tudo é pré-estabelecido antes mesmo do bebê passar pelo túnel de luz (?). Ok, nada exagerado assim: ela só ficou se afirmando com base na idéia (provada?!) de que o homossexualismo é diretamente relacionado com o nível de testosterona do organismo. Ninguém disse nada em resposta, então começou a parte caridosa do assunto, onde se chega ao consenso de que deve ser complicado ter filhos gays. Ah, eu gosto desse assunto, é por isso que eu sempre falo disso aqui. Eu gosto de ver a visão das outras pessoas. Elas, às vezes, me parecem tão graciosamente inocentes. E, por sinal, não sei se estou me entendendo com a cadeira de Libras. Não vou ter oportunidade de conhecer o professor antes do período de cancelamento (é, pensei nisso) das eletivas, mas acho que vou investir mesmo assim. Mas já comecei a coisa meio contrariada: eu detesto como as pessoas adoram esses títulos, tipo "especial", para deficientes. Houve uma tentativa de fazer com que víssemos os surdos como pessoas que falam outra língua simplesmente, desprezando a idéia de que existe uma deficiência. Eu acho isso hipócrita. Eu não estou dizendo com isso eles são inferiores ou nada assim, só não concordo com essa idéia de amenizar o que não pode e nem precisa ser amenizado. Eu não sou a favor da "oralização obrigatória", não sou nenhuma carrasca, mas pra mim os surdos são deficientes auditivos e deu. São gente como a gente. Como eu, que uso óculos porque tenho uma deficiência também. Enfim. Acabei falando mais do que queria. Eu fiz outro Flog (eu não simpatizo mais com essa palavra), porque eu tenho necessidade de postar todo dia. Imagem e musiquinha, acho que todos os dias merecem. São inspiradores. É, meio estranho eu falar isso, a Sra. Pessimismo quase... Um dia eu fui assim; acho que suavizei bastante. Lembrei que eu tenho até trabalho escrito de dança do ventre pra fazer (?). Tá, chega, ninguém merece mais blablablá.

Ouvindo musiquinhas ótimas por sinal. Aiai, estou finalmente escrevendo. Não que eu seja uma pessoa tão responsável, mas andei bem ocupada nas últimas duas semanas [?]. Aconteceu tanta coisa, tanta coisa... E, finalmente, minhas aulas teóricas da auto-escola acabaram! Eu vou dormir meio tarde, até porque não consigo dormir "cedo" (e, no fundo, eu nem me esforço porque eu gosto de dormir tarde), e acordar antes das sete para enfrentar umas horas irritantes não é muito agradável. Não que isso seja um grande problema, mas eu particularmente não entendo o "porquê" de algumas pessoas. Tipo as velhas que vão nas aulas da auto-escola para se fazerem de moderninhas taradas ou os tios que vão lá brincar com a instrutora - mas, ainda eles, são mais compreensíveis. Quando eu fico um tempo sem postar - e quando eu não fico também - eu me sinto meio obrigada a ficar falando da minha vida. No fundo, seria engraçado contextualizar tudo, mostrar porque uma coisa eu disse de um jeito e não de outro - coisas assim -, mas quando tudo se torna fácil não fica tão legal. E pouco importa quem sou eu nessas historinhas fictícias. Sabe, me apresentaram músicas realmente muito boas. Eu fico realmente feliz 'com um repertório novo'. Ultimamente e mais do que nunca eu ando muito musical. A faculdade está engraçada... digo, é o primeiro semestre e algumas disciplinas ainda parecem não ter muito propósito. Mentira, não é essa a minha idéia. Só me deprimo quando vejo um ou outro professor que, pelo menos por mim, não se deixa ser muito respeitado. Quer dizer, eu só estou com a terrível visão da roupa bizarra que uma professora usou ontem. Enfim. Grande merda. Eu conheci gente legal pra caramba (eu nunca falo "pra caramba"). Também conheci pessoas que me deixam sem saber como reagir exatamente. Estou praticando aquilo de afastar minha visão inicial das coisas, a fim de não alterar o resultado - mas eu não tenho culpa se eu tenho intuição. Aqui isso não vai aparecer (não enquanto eu escrevo quase como se eu estivesse conversando), mas eu tenho uma neurose com Português. Nem sei se deveria chamar de neurose. Eu não durmo feliz se não arrumar as vírgulas de uma frase ou deixar que palavras iguais sejam visíveis aos olhos na mesma página - entre outras manias de gente que se desconcentra facilmente. Eu não era assim, "desconcentrada" - ah, também não acho que seja essa a moral da história também. Eu estou com crise de quarto. Haha. Tipo "ninguém entra aqui até eu decidir o que eu faço com ele". Nada tão grave, só estou pensando bastante no assunto antes de sair comprando coisas aleatórias (vide randômicas). Ontem, voltando pra casa de noite (falei isso pra dar um clima adulto, mas a verdade é que eu volto de van com umas meninas da aula), rolou uma semidiscussão sobre gays e etc. Na verdade, quando eu sentei no banco, me deu um tique (Tourette?!) e eu fiquei xingando um colega meu que eu acho um bundão. Super sincera. Não que eu admire esse tipo de atitude, mas eu fiquei realmente blé com um trabalho que a gente fez ontem. Mesmo não tendo nada a ver, no grupo de uma colega minha rolou a tal discussão sobre os gays. Eu não estava tão afim de argumentar com ela nem com ninguém, então fiquei ouvindo as observações. Sem maldade, só achei engraçado escutar que todos os gays são "mulheres num corpo com pinto". A guria defendeu isso arduamente, falando de genética e de como tudo é pré-estabelecido antes mesmo do bebê passar pelo túnel de luz (?). Ok, nada exagerado assim: ela só ficou se afirmando com base na idéia (provada?!) de que o homossexualismo é diretamente relacionado com o nível de testosterona do organismo. Ninguém disse nada em resposta, então começou a parte caridosa do assunto, onde se chega ao consenso de que deve ser complicado ter filhos gays. Ah, eu gosto desse assunto, é por isso que eu sempre falo disso aqui. Eu gosto de ver a visão das outras pessoas. Elas, às vezes, me parecem tão graciosamente inocentes. E, por sinal, não sei se estou me entendendo com a cadeira de Libras. Não vou ter oportunidade de conhecer o professor antes do período de cancelamento (é, pensei nisso) das eletivas, mas acho que vou investir mesmo assim. Mas já comecei a coisa meio contrariada: eu detesto como as pessoas adoram esses títulos, tipo "especial", para deficientes. Houve uma tentativa de fazer com que víssemos os surdos como pessoas que falam outra língua simplesmente, desprezando a idéia de que existe uma deficiência. Eu acho isso hipócrita. Eu não estou dizendo com isso eles são inferiores ou nada assim, só não concordo com essa idéia de amenizar o que não pode e nem precisa ser amenizado. Eu não sou a favor da "oralização obrigatória", não sou nenhuma carrasca, mas pra mim os surdos são deficientes auditivos e deu. São gente como a gente. Como eu, que uso óculos porque tenho uma deficiência também. Enfim. Acabei falando mais do que queria. Eu fiz outro Flog (eu não simpatizo mais com essa palavra), porque eu tenho necessidade de postar todo dia. Imagem e musiquinha, acho que todos os dias merecem. São inspiradores. É, meio estranho eu falar isso, a Sra. Pessimismo quase... Um dia eu fui assim; acho que suavizei bastante. Lembrei que eu tenho até trabalho escrito de dança do ventre pra fazer (?). Tá, chega, ninguém merece mais blablablá.

segunda-feira, 16 de março de 2009
Mentira!
- E então, o que era verdade?
- Nada. Eu já disse que eu menti.
- O tempo todo?
- O tempo todo.
- E a verdade? Nem tudo foi mentira, sempre tem uma verdade.
- Não, não tem. Não teve. Tudo foi mentira.
- Tudo o que aconteceu? Como você consegue...?
- ...Deitar a cabeça no travesseiro? Eu sempre consigo.
- Não! Como você consegue ser tão ingênuo?!
- Eu não sei o que você entende disso, mas quando alguém planeja uma coisa que foge da sua real vontade, ele está mentindo a fim de...
- Não... Intenção. Sempre existe uma intenção, no mínimo. Ela é verdadeira. Mesmo que os meios não sejam os melhores, os fins sempre são verdadeiros.
- Tá, mas eu agi meio que sem motivação nesse caso, sabe. Pra mim foi indiferente.
- Isso que é estranho: não foi benéfico pra ninguém. Eu não ganhei com isso, você não ganhou, ninguém ganhou.
- Você preferia que eu tivesse agido por egoísmo?
- Eu preferia que você agisse com mais interesse, sabe. Pela vida, pelas coisas, pelas pessoas... olha a sua situação. Você está enganando a si mesmo...
- Não. Eu sei o que eu fiz, o que não fiz, o que omiti e o que cobri com mentiras imundas. Eu sei de tudo e não me sinto mal.
- Olha o teu sorriso como é idiota! Que porcaria de sorriso é esse, que não tem vida, não tem entusiasmo, não tem gosto de vitória? Tu conseguiu entrar em um jogo como um participante completamente inativo, que não pode ganhar nem perder.
- Eu não preciso te provar porque eu estou certo.
- Mas ao menos você precisa entender isso. No mínimo isso.
- Porque? Você acha que eu não sou capaz de bancar minhas ações?
- Eu acho que você é um idiota. Eu já te achava um porco por fazer o que fez, mas me olhar com essa cara e dizer que não tinha motivo nenhum pra isso foi o cúmulo. Você é burro, sabe. E eu tenho nojo de você agora!
- Nossa, como você me deixa angustiado. Sabe, o mundo não é feito de surpresinhas de amor, onde tudo é sincero e lindo e cheio de emoção. Se eu quero sexo, eu quero sexo. Não procuro carinho. Se eu quero comida, eu quero comida e não...
- Chega desse blablablá! Você é homem, e daí? Isso não é argumento. Não te julgo mal pelo que você fez ou deixou de fazer, mas porque você é vazio. Completamente vazio.
- Só porque eu não tenho frases prontas ou não repenso todas as minhas ações vinte e quatro horas por dia não quer dizer que eu seja um vândalo, ou senhor vazio - como você prefere.
- Mas você mentiu! Mentiu o tempo todo! E não foi nem por diversão, foi por nada. Por nada... você destruiu tudo por nada.
- Se tudo era mentira então nada existiu na realidade.
- Não interessa isso agora... Essa foi só a conclusão. Mas a introdução e o desenvolvimento são coisas que não podem ser apagadas. Pra mim era de verdade. E continua sendo, mesmo agora. Eu não consigo tornar irreal o que eu vi acontecer.
- Isso já é problema seu.
- Covardia, isso é uma tremenda covardia! O que você ganhou com isso, me diz. Por que diabos fez isso?
- Olha, eu só fiz, ok? Chega de perguntas... minha cabeça não é recheada de respostas e justificativas. Eu só fiz.
- Só fez? Assim, como se não fosse nada?! Como se fosse o mesmo que passar um trote?!
- Sou eu, entende. E eu não preciso de você pra me encher o saco.
- Até que enfim uma mentira das boas. Achei que fosse custar pra chegar.
- Ahn? Eu não preciso de você. Não preciso mesmo.
- Então porque você simplesmente não foi embora?
- Não é óbvio? Você, pensando ser tudo verdade, ia me procurar até no inferno...
- Ah, mesmo assim ia ser mais digno.
- Mais digno do que revelar a verdade?
- É, mais digno. Pelo menos você não se preocuparia em ver minha expressão de espanto.
- Eu juro que não te entendo.
- É, eu sei.
- De qualquer forma, foi tudo mentira.
- Até aquele dia das pétalas de rosa?
- Sim, tudo mentira.
- Você é o quê? Ator?
- É, talvez. Daí, quando eu acho um papel legal, eu interpreto.
- Mas e você?
- Não existe eu.
- Isso não soou como mentira.
- Pode ser que também seja, eu ainda sou uma incógnita pra mim também.
- Estranho, mas eu sempre gostei disso em você. Que raiva...

- Nada. Eu já disse que eu menti.
- O tempo todo?
- O tempo todo.
- E a verdade? Nem tudo foi mentira, sempre tem uma verdade.
- Não, não tem. Não teve. Tudo foi mentira.
- Tudo o que aconteceu? Como você consegue...?
- ...Deitar a cabeça no travesseiro? Eu sempre consigo.
- Não! Como você consegue ser tão ingênuo?!
- Eu não sei o que você entende disso, mas quando alguém planeja uma coisa que foge da sua real vontade, ele está mentindo a fim de...
- Não... Intenção. Sempre existe uma intenção, no mínimo. Ela é verdadeira. Mesmo que os meios não sejam os melhores, os fins sempre são verdadeiros.
- Tá, mas eu agi meio que sem motivação nesse caso, sabe. Pra mim foi indiferente.
- Isso que é estranho: não foi benéfico pra ninguém. Eu não ganhei com isso, você não ganhou, ninguém ganhou.
- Você preferia que eu tivesse agido por egoísmo?
- Eu preferia que você agisse com mais interesse, sabe. Pela vida, pelas coisas, pelas pessoas... olha a sua situação. Você está enganando a si mesmo...
- Não. Eu sei o que eu fiz, o que não fiz, o que omiti e o que cobri com mentiras imundas. Eu sei de tudo e não me sinto mal.
- Olha o teu sorriso como é idiota! Que porcaria de sorriso é esse, que não tem vida, não tem entusiasmo, não tem gosto de vitória? Tu conseguiu entrar em um jogo como um participante completamente inativo, que não pode ganhar nem perder.
- Eu não preciso te provar porque eu estou certo.
- Mas ao menos você precisa entender isso. No mínimo isso.
- Porque? Você acha que eu não sou capaz de bancar minhas ações?
- Eu acho que você é um idiota. Eu já te achava um porco por fazer o que fez, mas me olhar com essa cara e dizer que não tinha motivo nenhum pra isso foi o cúmulo. Você é burro, sabe. E eu tenho nojo de você agora!
- Nossa, como você me deixa angustiado. Sabe, o mundo não é feito de surpresinhas de amor, onde tudo é sincero e lindo e cheio de emoção. Se eu quero sexo, eu quero sexo. Não procuro carinho. Se eu quero comida, eu quero comida e não...
- Chega desse blablablá! Você é homem, e daí? Isso não é argumento. Não te julgo mal pelo que você fez ou deixou de fazer, mas porque você é vazio. Completamente vazio.
- Só porque eu não tenho frases prontas ou não repenso todas as minhas ações vinte e quatro horas por dia não quer dizer que eu seja um vândalo, ou senhor vazio - como você prefere.
- Mas você mentiu! Mentiu o tempo todo! E não foi nem por diversão, foi por nada. Por nada... você destruiu tudo por nada.
- Se tudo era mentira então nada existiu na realidade.
- Não interessa isso agora... Essa foi só a conclusão. Mas a introdução e o desenvolvimento são coisas que não podem ser apagadas. Pra mim era de verdade. E continua sendo, mesmo agora. Eu não consigo tornar irreal o que eu vi acontecer.
- Isso já é problema seu.
- Covardia, isso é uma tremenda covardia! O que você ganhou com isso, me diz. Por que diabos fez isso?
- Olha, eu só fiz, ok? Chega de perguntas... minha cabeça não é recheada de respostas e justificativas. Eu só fiz.
- Só fez? Assim, como se não fosse nada?! Como se fosse o mesmo que passar um trote?!
- Sou eu, entende. E eu não preciso de você pra me encher o saco.
- Até que enfim uma mentira das boas. Achei que fosse custar pra chegar.
- Ahn? Eu não preciso de você. Não preciso mesmo.
- Então porque você simplesmente não foi embora?
- Não é óbvio? Você, pensando ser tudo verdade, ia me procurar até no inferno...
- Ah, mesmo assim ia ser mais digno.
- Mais digno do que revelar a verdade?
- É, mais digno. Pelo menos você não se preocuparia em ver minha expressão de espanto.
- Eu juro que não te entendo.
- É, eu sei.
- De qualquer forma, foi tudo mentira.
- Até aquele dia das pétalas de rosa?
- Sim, tudo mentira.
- Você é o quê? Ator?
- É, talvez. Daí, quando eu acho um papel legal, eu interpreto.
- Mas e você?
- Não existe eu.
- Isso não soou como mentira.
- Pode ser que também seja, eu ainda sou uma incógnita pra mim também.
- Estranho, mas eu sempre gostei disso em você. Que raiva...

segunda-feira, 9 de março de 2009
Say that you'll stay.

Naquele momento em especial, eu não saberia descrever o que eu sentia. Mesmo que eu quisesse. Não é que eu não tenha tentado, mas eu nunca cheguei nem perto da definição. Os braços dele em torno de mim, os meus braços em torno do pescoço dele. Eu apoiei minha cabeça no seu ombro esquerdo de forma tão confortável e isso foi tão espontâneo e sincero. Não importava se eu deveria estar em outro lugar, com outra pessoa. Por mais erradas que fossem, de todas as minhas atitudes aquela tinha sido a mais certa. É meio estranho quando você está no centro de um enozado de histórias e não encontra fuga para seus problemas: foi naquele abraço que eu encontrei o refúgio tão esperado. Meus olhos continuaram abertos e, ainda que cruzassem com vários indesejados rostos conhecidos, pareciam não se aborrecer com nada. Nem lembro das músicas. Com certeza não eram boas. Não era o tipo de lugar que eu freqüentava. Mas, e não falo isso para alimentar um ar romântico, com música ou sem música tudo o que eu ouvia era um silêncio macio e nervoso. Sabe, é aquele silêncio de quem sente o sangue do outro correndo pelas veias, de quem poderia fazer de um piscar de olhos um estrondo, de quem está com o coração na boca. Independente de todas as palavras que eu tivesse ousado dizer ou escrever ou expulsar de mim numa forma de aliviar a angústia, aquele momento foi tão autosuficiente. Não se trata de inexpressão, mas de incredulidade. Ele, de cujas mãos sempre estiveram geladas, me abraçou de forma tão quente. Mas quente de verdade, sem pretensão de transformar isso em um outro acontecimento. Eu gosto de coisas despretensiosas, espontâneas, simplesmente puras. Ele me envolveu de tal forma que fora a primeira vez, talvez, que eu me senti realmente protegida. Ele não sabia o que eu estava pensando - e nem eu sabia, mas foi como se pudesse lidar com isso melhor do que ninguém, lidar com a confusão da minha vida e nem se importar com o sacrifício que isso significava. Eu nunca tinha me sentido satisfeita, mas por algum tempo isso saciou o meu desespero. E me deu medo também. Eu não gosto de pertencer a alguém, não gosto que me alguém tenha controle sobre a minha paz de espírito. Mas, naquele momento, eu nem me importei. O mundo poderia explodir e eu nem me importaria. Eu sabia o quão problemático podia ser se aquele abraço caísse na boca dos outros, sabia que qualquer manifestação teria conseqüências realmente devastadoras. E, o mais admirável talvez, é que ele conhecia isso tão bem quanto eu. Pelo menos naquela hora. E foi um abraço longo, sem medo do futuro ou de um passado insistente. Foi como se ele me impedisse de fazer qualquer movimento, de dizer qualquer bobagem ou mesmo uma verdade. Foi como se eu realmente tivesse alguém que se importasse e que, mesmo contrariado, buscava me entender. E, apesar de eu não ter sido o suficiente, ele nunca me deixou de lado. Foi o único que enxergou em meio a fumaça uma oportunidade. É tão mais fácil fugir, como eu fazia. Ele sabia que estava errado ao me abraçar, como se cansou de ouvir por meses e meses. E a única coisa que eu disse não tomou a proporção que deveria, mas foi totalmente sincera - foi fruto de um impulso que há tempos eu alimentava. Eu quis aquele abraço como ninguém, quis aquela verdade e toda a ansiedade que se fez presente. Guardei o momento em um baú e joguei a chave fora.
domingo, 8 de março de 2009
mistaken
você não vai entender.
e eu nem decidi ainda se quero que alguém entenda.
eu opto por não decidir, na verdade. é menos um erro pra cometer, sabe.
o fato é que, às vezes, eu penso estar com ele quando na verdade eu sou ele.
nós dois não somos "nós", nós somos eu e ele.
mas é como se fosse a mesma coisa.
não é que sejamos tão parecidos ou tenhamos infinitas afinidades, mas a nossa ligação é totalmente emocional.
é incompreensível para qualquer um, é motivo de briga, de ciúme - o suficiente para duvidar de qualquer sentimento.
eu mudei a vida dele, ele mudou a minha.
a gente não sabe disso porque a gente troca palavras, a gente sabe disso porque a gente sente.
ele foi amigo e também foi inimigo.
ele ainda é. só isso.
tem pessoas que estão e pessoas que são.
mesmo com toda a distância, de tempo e quilômetros, ele nunca deixou de ser.
e não é que eu sinta algum tipo de dor ou afeto, eu só sinto o que deveria sentir.
ele sente o mesmo.
é de uma inocência tão absurda acreditar no poder das lembranças...
mas é esse o sintoma que nos acomete - a mágica de um passado de pureza.
pureza nos gestos, nas ações, nos pensamentos.
não é minha culpa se ele faz parte de mim.
não foi minha pretensão arquitetar uma tempestade.
antes fosse tudo isso: seria mais fácil esquecer.
mas nem sempre o que passou, mesmo nesse contexto de passado como um vilão, deixa sombras tão amargas.
basta um pouco de luz para ver o que restou.
só a idéia de algo ter sobrado já resume a satisfação.
é bom se sentir vivo ao relembrar um momento.
são essas pequenas raridades do dia-a-dia que nos fazem diferentes dos demais.
eu e ele somos iguais, não em cabeça mas em coração.
e não é que não possamos nos encontrar em outras pessoas.
é só que fazemos parte um do outro.
e nunca vamos embora.
e eu nem decidi ainda se quero que alguém entenda.
eu opto por não decidir, na verdade. é menos um erro pra cometer, sabe.
o fato é que, às vezes, eu penso estar com ele quando na verdade eu sou ele.
nós dois não somos "nós", nós somos eu e ele.
mas é como se fosse a mesma coisa.
não é que sejamos tão parecidos ou tenhamos infinitas afinidades, mas a nossa ligação é totalmente emocional.
é incompreensível para qualquer um, é motivo de briga, de ciúme - o suficiente para duvidar de qualquer sentimento.
eu mudei a vida dele, ele mudou a minha.
a gente não sabe disso porque a gente troca palavras, a gente sabe disso porque a gente sente.
ele foi amigo e também foi inimigo.
ele ainda é. só isso.
tem pessoas que estão e pessoas que são.
mesmo com toda a distância, de tempo e quilômetros, ele nunca deixou de ser.
e não é que eu sinta algum tipo de dor ou afeto, eu só sinto o que deveria sentir.
ele sente o mesmo.
é de uma inocência tão absurda acreditar no poder das lembranças...
mas é esse o sintoma que nos acomete - a mágica de um passado de pureza.
pureza nos gestos, nas ações, nos pensamentos.
não é minha culpa se ele faz parte de mim.
não foi minha pretensão arquitetar uma tempestade.
antes fosse tudo isso: seria mais fácil esquecer.
mas nem sempre o que passou, mesmo nesse contexto de passado como um vilão, deixa sombras tão amargas.
basta um pouco de luz para ver o que restou.
só a idéia de algo ter sobrado já resume a satisfação.
é bom se sentir vivo ao relembrar um momento.
são essas pequenas raridades do dia-a-dia que nos fazem diferentes dos demais.
eu e ele somos iguais, não em cabeça mas em coração.
e não é que não possamos nos encontrar em outras pessoas.
é só que fazemos parte um do outro.
e nunca vamos embora.
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